Negociações

Rússia diz que presença de ‘forças multinacionais’ na Ucrânia será considerada como ‘intervenção’

Moscou reage à declaração assinada pela Ucrânia e seus aliados europeus durante reunião em Paris, em 6 de janeiro

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A porta-voz oficial do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova
A porta-voz oficial do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova | Crédito: Ministry of Foreign Affairs of the Russian Federation.

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Maria Zakharova, declarou nesta quinta-feira (8) que o documento assinado durante a reunião entre o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, e os líderes da França e Reino Unido, busca dissuadir a Rússia e auxiliar na reconstrução das Forças Armadas ucranianas após o fim das hostilidades.

O comentário da diplomata russa foi referente ao documento assinado durante a reunião da “coalizão dos dispostos”, acertado há dois dias em Paris por pelos líderes Emmanuel Macron, Keir Starmer e Volodymyr Zelensky, que inclui o destacamento de “forças multinacionais” na Ucrânia.

De acordo com Maria Zakharova, unidades e instalações militares dos países membros da coalizão serão “consideradas alvos legítimos de combate”, e o próprio destacamento de tropas será considerado uma intervenção que “representa uma ameaça à segurança“.

“O documento está extremamente longe de uma solução pacífica. Seu objetivo não é alcançar paz e segurança duradouras, mas sim continuar a militarização, a escalada e a expansão do conflito”, afirmou a porta-voz.

Maria Zakharova também enfatizou que o acordo consolida, na prática, o compromisso do Ocidente com uma presença militar de longo prazo e com o reforço da Otan em território ucraniano.

Segundo ela, a parte central da declaração é o plano de implantação de “forças multinacionais” na Ucrânia, através da qua a coalizão ocidental “pretende criar essas formações após o cessar-fogo”.

Anteriormente, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky apresentou aos Estados Unidos um plano de paz que prevê que Kiev deve receber garantias de segurança dos países ocidentais comparáveis ​​ao Artigo 5º da Carta da Otan, que permita o destacamento de forças internacionais e o monitoramento ao longo da linha de contato do conflito. O documento também prevê uma reaproximação com a União Europeia e a manutenção do compromisso com a integração à Otan.

A porta-voz da chancelaria russa reiterou os objetivos de Moscou no conflito, afirmando que uma solução pacífica só será possível se a Ucrânia “retornar a um status neutro e não alinhado, passar por desmilitarização e desnazificação, respeitar os direitos linguísticos, culturais e religiosos dos cidadãos russos e de língua russa e reconhecer a realidade territorial atual”.

Editado por: Nathallia Fonseca

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