A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Maria Zakharova, declarou nesta quinta-feira (8) que o documento assinado durante a reunião entre o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, e os líderes da França e Reino Unido, busca dissuadir a Rússia e auxiliar na reconstrução das Forças Armadas ucranianas após o fim das hostilidades.
O comentário da diplomata russa foi referente ao documento assinado durante a reunião da “coalizão dos dispostos”, acertado há dois dias em Paris por pelos líderes Emmanuel Macron, Keir Starmer e Volodymyr Zelensky, que inclui o destacamento de “forças multinacionais” na Ucrânia.
De acordo com Maria Zakharova, unidades e instalações militares dos países membros da coalizão serão “consideradas alvos legítimos de combate”, e o próprio destacamento de tropas será considerado uma intervenção que “representa uma ameaça à segurança“.
“O documento está extremamente longe de uma solução pacífica. Seu objetivo não é alcançar paz e segurança duradouras, mas sim continuar a militarização, a escalada e a expansão do conflito”, afirmou a porta-voz.
Maria Zakharova também enfatizou que o acordo consolida, na prática, o compromisso do Ocidente com uma presença militar de longo prazo e com o reforço da Otan em território ucraniano.
Segundo ela, a parte central da declaração é o plano de implantação de “forças multinacionais” na Ucrânia, através da qua a coalizão ocidental “pretende criar essas formações após o cessar-fogo”.
Anteriormente, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky apresentou aos Estados Unidos um plano de paz que prevê que Kiev deve receber garantias de segurança dos países ocidentais comparáveis ao Artigo 5º da Carta da Otan, que permita o destacamento de forças internacionais e o monitoramento ao longo da linha de contato do conflito. O documento também prevê uma reaproximação com a União Europeia e a manutenção do compromisso com a integração à Otan.
A porta-voz da chancelaria russa reiterou os objetivos de Moscou no conflito, afirmando que uma solução pacífica só será possível se a Ucrânia “retornar a um status neutro e não alinhado, passar por desmilitarização e desnazificação, respeitar os direitos linguísticos, culturais e religiosos dos cidadãos russos e de língua russa e reconhecer a realidade territorial atual”.
