Na noite desta quinta-feira (8), foi realizado o ato oficial em homenagem aos combatentes caídos na defesa da Venezuela. O solene evento de condecorações foi presidido pela presidenta interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, e teve lugar no Monumento Eclético da Academia Militar da Guarda Nacional Bolivariana.
Durante a cerimônia, junto aos familiares dos combatentes condecorados como heróis da pátria, foram prestadas honras aos mortos na defesa da Venezuela durante a agressão militar dos Estados Unidos, perpetrada na madrugada do último sábado (3). Na ocasião, o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram sequestrados pela administração Trump.
Até o momento, segundo informou o ministro do Interior e Justiça da Venezuela, Diosdado Cabello, foi confirmado que, durante os ataques, “pelo menos 100 pessoas foram assassinadas” e um “número semelhante” ficou ferido. Entre as vítimas estavam membros da Força Armada Nacional Bolivariana, civis e outros agentes de segurança.
Entre os mortos estavam 32 combatentes cubanos que realizavam tarefas de segurança no país sul-americano, como parte da guarda pessoal do presidente Nicolás Maduro, além de desempenharem outras funções técnicas.
Como parte das homenagens, o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, liderou uma delegação que viajou a Caracas para participar da cerimônia.
‘Nos comprometemos a lutar juntos e vencer’
“Vimos a Cuba prestar uma emocionada homenagem aos combatentes venezuelanos caídos em combate, na defesa da Revolução Bolivariana e Chavista e da sagrada pátria venezuelana”, foram as palavras com as quais iniciou seu discurso.
Ele afirmou que se tratava de um “tributo emocionado aos combatentes cubanos que, em de forma desigual, enfrentaram o inimigo imperialista que profanava a soberania da pátria venezuelana e protegiam o presidente constitucional Nicolás Maduro Moros”.
Os confrontos contra o ataque estadunidense duraram cerca de duas horas. Durante o ataque surpresa, os Estados Unidos acionaram todos os componentes de seu arsenal de guerra: serviços de inteligência e até tropas especiais, de forma coordenada.
Treinado durante meses em um modelo que replicava a fisionomia do local, o ataque foi realizado com o exército estadunidense bombardeando sete pontos distintos do país, em três estados — Miranda, Aragua e La Guaira —, juntamente com o Distrito Federal, ao mesmo tempo em que operações cibernéticas eram realizadas para desativar o fornecimento de energia em pontos estratégicos e as defesas antiaéreas do país eram atacadas por aeronaves estadunidenses.

“Ao bravo povo venezuelano expressamos a mais profunda solidariedade de Cuba”, declarou o chanceler cubano, acrescentando que “seguindo a memória eterna de Chávez e Fidel, no ano de seu centenário, nos comprometemos a lutar juntos e vencer.”
Por meio de uma mensagem nas redes sociais, o chanceler cubano acrescentou que “o sangue de ambos os povos se fundiu em terra venezuelana”.
‘Eu vi no rosto das mães, vi o rosto de uma mulher, minha mãe’
O discurso central ficou a cargo da presidenta em exercício da República Bolivariana da Venezuela, Delcy Rodríguez. Após cumprimentar cada um dos familiares dos combatentes, ela afirmou: “Os homens e mulheres que caíram em combate são heróis e heroínas da pátria de Simón Bolívar, e os irmãos de Cuba, filhos de Martí e de Fidel, também são heróis e heroínas desta pátria, porque, como um só povo, lutaram na defesa contra a agressão ilegal e ilegítima.”
A presidenta em exercício assegurou que ambas as nações estão “unidas no amor” e evocou a figura de José Martí ao dizer que o conceito de pátria defendido pelos dois povos é que “a pátria é humanidade”.
Delcy Rodríguez anunciou também a criação de uma comissão para o acompanhamento integral dos familiares dos heróis caídos na defesa do território nacional. Em uma mensagem dirigida aos familiares das vítimas, disse compartilhar a dor deles.
“Eu vi no rosto das mães, vi o rosto de uma mulher, minha mãe, quando assassinaram meu pai. No rosto das esposas dos caídos, eu vi o rosto da minha mãe, que também perdeu um esposo. No rosto das meninas e dos meninos que perderam seus pais, eu vi o rosto de Jorge e o meu, quando, sendo crianças, também perdemos nosso pai, vilmente assassinado.”

Delcy Rodríguez e seu irmão Jorge Rodríguez — atual presidente da Assembleia Nacional da Venezuela — são filhos do histórico dirigente da esquerda venezuelana, Jorge Antonio Rodríguez, um dos fundadores da Liga Socialista — organização na qual Nicolás Maduro militou quando era jovem dirigente sindical.
Em 1976, quando Delcy tinha sete anos, Jorge Antonio Rodríguez foi sequestrado e torturado até a morte pela Direção dos Serviços de Inteligência e Prevenção (DISIP), na época fortemente vinculada à Agência Central de Inteligência (CIA) e ao Mossad israelense.
“Eu lhes digo que essas feridas nos acompanharão para sempre”, compartilhou a presidenta em exercício em um momento emotivo, assegurando que “sabemos que os entes queridos que perdemos morreram por uma causa justa, por uma causa nobre, e que essa causa justa, essa causa nobre, se chama Venezuela”.
Fazendo um apelo para lutar pelo futuro da soberania do país, Delcy Rodríguez concluiu com um chamado para construir um futuro e deixá-lo às próximas gerações:
“Dizer às nossas futuras gerações: aqui está, entregamos em suas mãos nossa amada pátria, nossa amada Venezuela, com histórias de heróis e heroínas. Não estamos deixando uma história de traidores e covardes; estamos entregando a história de um país que não se subordina.”
