Uma pesquisa divulgada neste domingo (18) na Colômbia reforça o que, na avaliação do especialista em comunicação política Amauri Chamorro, afirma ser um isolamento da extrema direita no país. O candidato de esquerda Iván Cepeda, aliado do atual presidente Gustavo Petro, lidera a disputa com 30% das intenções de voto, contra 22% de Abelardo de la Espriella, de extrema direita.
“Há uma direita não violenta, mais clássica, mais neoliberal no sentido econômico, que não é a favor do extermínio da esquerda. Essa extrema direita se isolou e empurrou a centro-direita para muito mais perto de Cepeda”, relatou Chamorro durante entrevista ao jornal Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, nesta segunda-feira (19).
O especialista, que está na Colômbia, acompanha de perto os desdobramentos da relação turbulenta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com Petro. O líder colombiano manteve a postura mesmo diante de ameaças diretas feitas pelo estadunidense. Nas últimas semanas, parece ter sido erguida uma bandeira branca, e eles devem se encontrar em Washington no próximo mês de fevereiro. Depois de meses de grande instabilidade, com ameaças de golpe de Estado, invasão ou sequestro do presidente, como Trump fez com Nicolás Maduro na Venezuela, o cenário agora é diferente.
“A situação está mais tranquila e é muito mais favorável ao candidato Iván Cepeda. De certa forma, essa atuação violenta e agressiva do Donald Trump ecoa muito forte em setores da extrema direita, que não são suficientes para ganhar essa eleição”, resumiu.
O cenário é ainda mais favorável a Cepeda devido aos bons resultados apresentados por Petro, que foi o primeiro presidente de esquerda de toda a história da Colômbia. Amauri Chamorro não acredita em vitória no primeiro turno, marcado para 31 de maio, mas aposta que a vantagem de Cepeda tende a aumentar.
“Os dados macroeconômicos são os melhores da história da Colômbia. Claro que há problemas de não entrega, de corrupção, problemas gerais, como todo governo de esquerda ou direita tem. Porém, é um governo que entregou muito na área econômica. Há uma certa estabilidade, uma certa comodidade, de ver que o país avançou, que não houve retrocesso”, completou.
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