A Polícia Federal iniciou na manhã desta sexta-feira (23) a operação Barco de Papel, destinada a cumprir mandados de busca e apreensão de funcionários da alta cúpula do RioPrevidência, nomeados por Cláudio Castro (PL). A operação foi realizada nos bairros Urca e Botafogo, zona sul carioca, para investigar a aplicação de R$ 960 milhões no Banco Master em um investimento de alto risco. Entre os investigados estão o presidente Deivis Marcon Antunes, o diretor de Investimentos Eucherio Lerner Rodrigues e o gerente de investimentos Pedro Pinheiro Guerra Leal.
Para o deputado Flávio Serafini (Psol), essa operação era esperada desde que o Tribunal de Contas do Estado (TCE) identificou inconsistências nos investimentos realizados pelo Fundo. “Assim que vimos o relatório de contas do estado, acionamos a Polícia Federal. Por que a gente não teve dúvida, mais do que um erro na gestão dos recursos dos aposentados, a gente estava diante de uma ação política criminosa deliberada de pegar o dinheiro dos aposentados e direcionar para uma instituição financeira. Mesmo que isso se desse ignorando toda a legislação existente no que diz respeito à segurança dos regimes previdenciários”.
A Lei nº 9.717/1998 que dita as normas gerais para o funcionamento de Regimes Próprios de Previdência Social pede “a observância dos princípios de segurança, proteção e prudência financeira”, o que impede a destinação de recursos dos servidores para fundos de alto risco.
Entre os alertas de irregularidades indicados pelo relatório do TCE está a aplicação de um percentual de 8% do total de recursos do Rioprevidência em um período de oito meses – entre 2023 e 2024 – em uma instituição recém-credenciada pelo órgão. Essa análise é referente à aplicação de R$ 960 milhões.
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Mas o TCE identificou ainda que o montante total investido é de R$ 2,6 bilhões, o que representa 25% do total da RioPrevidência. Esses dois elementos estão destacados na representação do deputado Flávio Serafini feita à Polícia Federal em 18 de novembro, data em que as atividades do Banco Master foram encerradas. Serafini já foi responsável por presidir uma CPI do Rioprevidência.
De acordo com a nota da PF, a investigação apura “crimes contra o sistema financeiro nacional, como gestão fraudulenta, desvio de recursos, indução de repartição pública ao erro e fraude à fiscalização ou ao investidor, além de associação criminosa e corrupção passiva”.
Embora o caso Master esteja sob a análise do Supremo Tribunal Federal (STF), desta vez, a autorização para a operação veio da Justiça Federal do Rio de Janeiro. O Banco Master teve sua liquidação extrajudicial decretada em 18 de novembro de 2025 pelo Banco Central. O motivo foi a identificação de graves infrações e o comprometimento significativo da sua capacidade econômico-financeira. Antes de ter sua falência decretada, o Banco Master era classificado como instituição de pequeno porte.
RioPrevidência
O RioPrevidência é responsável pelo pagamento da aposentadoria de mais de 230 mil aposentados e pensionistas pelo estado do Rio de Janeiro. Em 4 de dezembro, a Justiça Federal determinou a preservação do patrimônio de R$ 970 milhões investidos no Banco Master e impediu o banco de fazer qualquer cobrança de empréstimos eventualmente feitos aos aposentados e pensionistas, informa a página do RioPrevidência. “A autarquia ressalta que a Justiça reconheceu que estamos diante de recursos sagrados, destinados a quem dedicou a vida ao serviço público. A decisão garante segurança jurídica, protege nossos aposentados e preserva o equilíbrio financeiro da previdência estadual”, acrescenta a nota. No entanto, a cobertura do Banco Central prevista para casos de falência via Fundo Garantidor de Créditos (FGC) é de 250 mil por cadastros de pessoa física ou jurídica.
Sobre a operação desta sexta-feira (23), a assessoria informou os investimentos realizados pela autarquia respeitam “rigorosamente a legislação vigente” e que está à disposição para esclarecimentos. “O RioPrevidência informa ainda aos segurados que a prestação de serviços acontece normalmente, e o calendário de pagamentos permanece sem qualquer alteração”, diz um trecho da nota.
*Matéria atualizada às 16h48 para incluir a resposta da RioPrevidência.
