No marco de um mês após os ataques dos Estados Unidos à Venezuela, lideranças importantes do Partido dos Trabalhadores (PT) se manifestaram em tom crítico sobre o assunto. A começar pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, que durante o Encontro Nacional do Movimento Sem Terra (MST), em Salvador, na última semana, disse que se sentia “indignado” com o que aconteceu no país vizinho e, pela primeira vez, nominou o presidente venezuelano Nicolás Maduro, sequestrado pelo governo de Donald Trump junto a sua esposa e deputada nacional, Cilia Flores.
“Eu fico toda noite indignado com o que aconteceu na Venezuela. Eu não consigo acreditar. O Maduro sabia que tinha 15 mil soldados americanos no mar do Caribe. Ele sabia que todo dia tinha uma ameaça. Todo dia tinha uma ameaça. Ou seja, os caras entram à noite na Venezuela, vão no forte, que é um quartel onde morava o Maduro, e leva o Maduro embora. E ninguém soube que o Maduro foi embora. Ou seja, como é possível a falta de respeito à integridade territorial de um país? Não existe isso na América do Sul. América do Sul é um território de paz”, declarou o presidente.
Lula e Trump se falaram por telefone na última segunda-feira (26) e tocaram no assunto. Segundo o Palácio do Planalto, os presidentes “trocaram impressões sobre a situação na Venezuela” e o mandatário brasileiro “ressaltou a importância de preservar a paz e a estabilidade da região e de trabalhar pelo bem-estar do povo venezuelano”.
Tem mais petistas indignados
Ainda durante o encontro do MST em Salvador, o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, concedeu entrevista à TV multiestatal TeleSUR e expressou solidariedade à Venezuela. “Minha solidariedade aos povos, aos países que são invadidos, ocupados de forma desrespeitosa àquilo que nós chamamos de democracia. Para mim, a democracia é você estabelecer parâmetro de relações, respeitando a cada povo com sua autonomia e sua soberania”, afirmou o governador.

Já o presidente do PT, Edinho Silva, voltou a ser enfático ao classificar a agressão militar como um “ato de violência”, apontando ainda o “sequestro” do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama e deputada nacional, Cilia Flores.
“O que nós vimos não foi só uma intervenção militar na Venezuela. Nós vimos um ato de violência que ele é inédito. Quando o presidente de um país é sequestrado, a sua esposa é sequestrada, que é uma dirigente política, para que, efetivamente, o governo norte-americano possa submeter a Venezuela aos seus interesses”, declarou Silva à também à TeleSUR.
Diplomacia errática
As declarações contrastam com a postura inicial do governo brasileiro em relação à Venezuela, após eleições de 2024, quando Lula decidiu não reconhecer a vitória de Nicolás Maduro à presidência do país, ainda que os órgãos judiciais do país tenham referendado os resultados. A posição do governo brasileiro terminou fortalecendo a alegação de fraude por parte da oposição, liderada pela ex-deputada Maria Corina Machado.
Além disso, movimentos criticam o fato de que, desde o início das operações militares dos Estados Unidos no Caribe – com o bombardeio de embarcações, execuções extrajudiciais, além do sequestro de navios petroleiros da Venezuela, o Ministério de Relações Exteriores brasileiro escolheu manter-se neutro, não emitindo nenhuma nota de repúdio ou preocupação pela situação.
Após os bombardeios do último dia 3 de janeiro, o Itamaraty emitiu um comunicado conjunto com México, Chile, Colômbia, Uruguai e Espanha “diante dos fatos ocorridos na Venezuela”, em que manifestam preocupação, mas não mencionam o sequestro do presidente da República nem condenam diretamente a ação militar.
