O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) falou nas últimas semanas com mais de uma dezena de líderes mundiais, em uma verdadeira maratona de telefonemas. Nas conversas, além de manifestar preocupação pela escalada militar global, sobretudo em relação à América Latina, o presidente tem feito consultas aos demais líderes sobre suas posições em relação à criação de um Conselho de Paz para o fim dos ataques israelenses a Gaza e a reconstrução do território devastado por Israel, proposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O último líder com quem Lula conversou foi com o presidente da França, Emmanuel Macron, na última terça-feria (27). Segundo o comunicado divulgado pelo Planalto, os presidentes “defenderam o fortalecimento da Organização das Nações Unidas (ONU) e concordaram que iniciativas em matéria de paz e segurança devem estar alinhadas aos mandatos do Conselho de Segurança e aos princípios e propósitos da Carta da ONU”.
Antes de falar com Macron, na terça-feira (26), Lula falou com o próprio presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e manifestou a ele duas preocupações em relação à proposta: primeiro, que o conselho se limite à questão em Gaza, conforme resolução aprovada pela Organização das Nações Unidas, evitando, portanto, a criação de uma espécie de uma “ONU Paralela”; e segundo, que o órgão conte com uma representação palestina.
Segundo interlocutores do presidente, Trump recebeu com atenção os pedidos, mas não se comprometeu em atendê-los. A avaliação do governo é que se não houver ao menos essas duas mudanças, não há condições de o Brasil integrar o conselho.
Por outro lado, a diplomacia brasileira avalia que a proposta tem problemas de legitimidade, já que cerca de 60 países foram convidados a participar, dos 193 membros da ONU, e pouco mais de 20 aceitaram.
Durante o 14º Encontro do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em Salvador, no último dia 23 de janeiro, Lula criticou a proposta de Trump e chegou a dizer que o presidente estadunidense queria “criar uma ONU para ele ser o dono”.
