O tensionamento da guerra no Irã ganha um novo capítulo nesta terça-feira (7), com novas ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que disse “uma civilização inteira morrerá” se não houver acordo de cessar-fogo e a reabertura do Estreito de Ormuz.
Para Ana Carolina Marson, professora de Relações Internacionais da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), a radicalização cada vez mais profunda do discurso de Trump mostra que ele está acuado.
“Essa já é a terceira tentativa de ultimato que Trump dá ao Irã, nenhum teve sucesso. Donald Trump está claramente está abalado. É uma pessoa de uma retórica complicada, aquela história de ‘Trump Always Chickens Out’, ou seja, que ele sempre amarela”, afirma Marson.
De toda forma, a especialista destaca que o teor das falas recentes do líder estadunidense chocam. “As falas nunca chegaram em um nível que estão agora. É assustador. Não é só a questão da fala em si, mas do que está por trás dessa fala. Já temos pessoas questionando sobre um possível uso de armas nucleares. Quando ele fala de dizimar uma população inteira, a que ele está se referindo?”, questiona. “É altamente improvável o uso de armas nucleares, mas é preocupante, sim [o discurso]. Precisamos ver quais capacidades militares que o Donald Trump vai usar.”
Diante dessa radicalização e de novas ameaças, o Irã tem mantido sua postura resiliente e apostado no choque econômico para se impor no conflito. “A gente costuma usar uma expressão que é a geoeconomia, ou seja, a economia que é usada como arma de guerra. É uma guerra assimétrica entre a maior potência militar atual, que tem um orçamento militar descolado do resto da realidade do mundo. E um país que, apesar de ter capacidades militares que estão nos surpreendendo, ainda assim são capacidades militares inferiores a dos Estados Unidos”, pontua.
“O que o Irã começou a fazer? Atacar as bases dos EUA na região e vem apostando nesse impacto econômico com o fechamento do Estreito de Ormuz. A economia é um fator essencial quando estamos falando de áreas estratégicas dos países, não só a segurança. A questão energética é estratégica porque sabemos que o petróleo é uma fonte não renovável. Então não é uma questão de se acabar, mas de quando acabar. E hoje o Irã sabe que tem esse poder na mão. E ele sabe com quais armas pode lutar essa guerra”, avalia.
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