Parceria estratégica

Após críticas ao bloqueio de Ormuz, chanceleres da Rússia e da China se reúnem em Pequim e discutem cooperação estratégica

Moscou e Pequim articulam coordenação na arena internacional no contexto da afronta dos EUA ao Irã

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Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, em visita à China, se reuniu com seu homólogo chinês, Wang Yi, em Pequim, em 14 de abril de 2026
Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, em visita à China, se reuniu com seu homólogo chinês, Wang Yi, em Pequim, em 14 de abril de 2026 | Crédito: Ministério das Relações Exteriores da Rússia

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, em visita à China, se reuniu com seu homólogo chinês, Wang Yi, e discutiu os principais temas da agenda internacional, em particular a situação em torno do conflito no Irã.

“[Os ministros] tiveram uma profunda troca de opiniões sobre questões internacionais e regionais de interesse comum, incluindo o conflito entre os Estados Unidos e o Irã, a situação na região da Ásia-Pacífico e a crise ucraniana”, diz o comunicado da chancelaria chinesa.

Já de acordo com Serguei Lavrov, a Rússia e a China pretendem intensificar a coordenação em questões internacionais cruciais e discutir a formação de uma nova arquitetura de segurança na região da Eurásia, em meio às crescentes tensões globais.

Em particular, o ministro das Relações Exteriores russo afirmou que o momento atual é caracterizado por “severas provações” no sistema internacional, citando a situação no Oriente Médio, os acontecimentos na América Latina, incluindo a Venezuela, e a crise ucraniana em curso.

Serguei Lavrov enfatizou que a Rússia e a China são “parceiros estratégicos” que devem manter uma cooperação de alto nível e alcançar resultados mutuamente benéficos. “A atual situação internacional enfrenta sérios desafios, enquanto alguns países estão tentando formar vários ‘pequenos círculos’ para conter a Rússia e a China”, observou o ministro russo.

A visita do chanceler russo à China acontece em meio um momento crítico no cenário internacional, sobretudo após o anúncio do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre o bloqueio do Estreito de Ormuz no contexto do conflito com o Irã.

Na última segunda-feira (13), o porta-voz presidencial da Rússia, Dmitry Peskov, afirmou que as ações norte-americanas seguirão afetando negativamente os mercados internacionais.

“Tais ações provavelmente continuarão a impactar negativamente os mercados internacionais; isso pode ser presumido com um alto grau de certeza. No entanto, muitos detalhes permanecem obscuros e incertos, portanto, prefiro não fazer comentários substanciais neste momento”, disse Peskov.

Já o secretário adjunto do Conselho de Segurança da Rússia, Alexander Maslennikov, afirmou que um bloqueio do Estreito de Ormuz por três meses ou mais poderia causar escassez global de alimentos. Segundo ele, a Rússia tem capacidade para aumentar o fornecimento de alimentos para países do Oriente Médio, Ásia, África e América Latina. Maslennikov acrescentou ainda que a situação atual oferece oportunidades de longo prazo para os produtores agrícolas russos.

O ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, por sua vez, havia declarado anteriormente que o bloqueio do Estreito de Ormuz não serve aos interesses comuns da comunidade internacional. O diplomata acrescentou que a solução é alcançar um cessar-fogo abrangente e duradouro por meios políticos e diplomáticos.

Entenda o contexto

No domingo (12), o presidente Trump anunciou que a Marinha dos Estados Unidos deverá interceptar qualquer navio que tenha pago um pedágio a Teerã por atravessar o Estreito de Ormuz. Além disso, na segunda-feira (13), o Comando Central norte-americano (CENTCOM) declarou que o país lançará “um bloqueio naval ao Irã, impedindo que navios entrem nos portos da República Islâmica ou deixem suas costas”.

Em resposta, o governo do Irã alertou que nenhum porto no Golfo Pérsico e no Mar de Omã estará seguro caso os do país persa sejam ameaçados. “A segurança dos portos no Golfo Pérsico e no Mar de Omã é para todos ou para ninguém”, disse o porta-voz da Sede Central de Khatam al-Anbiya, Ebrahim Zolfaghari.

Em 31 de março, a China, juntamente com o Paquistão, apresentou um plano de cinco pontos para a resolução do conflito no Oriente Médio. Os países apelaram a um cessar-fogo imediato e à cessação das hostilidades, à proteção da soberania do Irã e das monarquias do Golfo Pérsico, à segurança das instalações não militares, à abertura do Estreito de Ormuz e ao respeito pela Carta das Nações Unidas.

A movimentação de Trump em relação ao Estreiro de Ormuz ultrapassa a dimensão regional e tem impactos estratégicos globais. A China possui uma dependência das importações que transitam pelo Golfo, enquanto a Rússia, mesmo tendo maior projeção na exportação de recursos energéticos, pode enfrentar efeitos indiretos a partir da volatilidade dos mercados e da fragilização de seus principais parceiros comerciais.

Editado por: Thaís Ferraz

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