novas conversas

Irã e EUA discordam sobre prazo para suspensão de enriquecimento de urânio no Paquistão, que propõe nova rodada de negociações

Itália suspende acordo de defesa com Israel; representantes libaneses e israelenses se reunirão nesta terça-feira

O vice-presidente dos EUA, JD Vance, cumprimenta membros do governo paquistanês após negociações de paz fracassadas com o Irã
Vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, cumprimenta membros do governo paquistanês após negociações de paz fracassadas com o Irã | Crédito: Jacquelyn Martin/POOL/AFP

O governo dos Estados Unidos propôs ao Irã uma suspensão de seu programa de enriquecimento de urânio por 20 anos, acompanhada de um alívio das sanções, como condição para encerrar a guerra. O país do Oriente Médio, por sua vez, teria proposto suspender suas atividades nucleares por cinco anos, gerando um impasse considerado uma das razões do fracasso das negociações do fim de semana.

“Durante as negociações do fim de semana no Paquistão, os Estados Unidos pediram ao Irã a suspensão do enriquecimento de urânio por 20 anos”, afirmou o New York Times. “Os iranianos, em resposta formal enviada na segunda-feira (13), disseram que concordariam com um período de até cinco anos, segundo dois altos funcionários iranianos e um funcionário estadunidense. O presidente Trump rejeitou a oferta, de acordo com um funcionário dos EUA.”

Apesar da falta de acordo, ambos os lados parecem abertos à ideia de retomar as conversas, e o Paquistão se prontificou a sediar uma segunda rodada.

“Esforços estão sendo feitos para levar as partes à mesa de negociações. Claro que queremos que retornem a Islamabad, mas o local ainda não foi determinado”, declarou uma fonte paquistanesa à AFP, segundo a qual a reunião entre Estados Unidos e Irã “pode acontecer em breve”.

Apesar de ambos os lados sinalizarem abertura para negociações, eles permanecem muito distantes em termos de substância, indicou Hamid Reza Gholamzadeh, diretor do think tank iraniano Diplohouse à Al Jazeera. O Irã afirma que a “abordagem maximalista dos estadunidenses” era uma opção militar, “que esteve sobre a mesa nas últimas duas décadas e agora se concretizou” — reforçando a confiança de Teerã, disse Gholamzadeh.

“O Irã diz que sobreviveu e isso o fortalece na mesa de negociações”, declarou. Do ponto de vista iraniano, tendo resistido à ameaça militar que pairava sobre o país por duas décadas, há poucos motivos para fazer concessões sob pressão, afirmou o analista.

Enquanto isso, Washington enfrenta suas próprias limitações. “Os estadunidenses não estão acostumados a abrir mão de algo e não querem admitir que fracassaram em sua campanha militar”, explica Gholamzadeh.

Ormuz e China

Nesta terça-feira (14), três navios petroleiros ligados ao Irã entraram no Golfo Pérsico pelo Estreito de Ormuz. O Peace Gulf, com bandeira do Panamá, está a caminho do porto de Hamriyah, nos Emirados Árabes Unidos, e, antes disso, dois petroleiros sancionados pelos EUA já haviam atravessado a passagem.

Como os três navios que transitaram pelo estreito não estavam se dirigindo a portos iranianos, eles não são afetados pelo bloqueio dos EUA. O petroleiro Handy Murlikishan está a caminho do Iraque e outro petroleiro sancionado, o Rich Starry, será o primeiro a atravessar o estreito e sair do Golfo desde o início do bloqueio, de acordo com dados da LSEG e da Kpler.

A China advertiu que adotará “contramedidas” se o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, implementar as novas tarifas que ameaçou caso Pequim forneça ajuda militar ao Irã na guerra no Oriente Médio.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Guo Jiakun, disse que Washington “intensificou as operações militares e impôs um bloqueio seletivo, o que vai apenas exacerbar as tensões, enfraquecerá um acordo de cessar-fogo já frágil e comprometerá ainda mais a segurança da passagem no Estreito. É um comportamento perigoso e irresponsável”, afirmou.

O presidente chinês, Xi Jinping, pediu respeito à soberania dos Estados do Oriente Médio e do Golfo, assim como ao direito internacional.

“A soberania, a segurança e a integridade territorial dos países do Oriente Médio e da região do Golfo devem ser plenamente respeitadas”, afirmou Xi. Já o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, disse, após reunião com o presidente chinês, que a China pode desempenhar um papel “importante” para “encontrar vias diplomáticas que acabem com esta guerra” no Oriente Médio.

Itália e Líbano

A primeira-ministra da Itália, a política de extrema direita Giorgia Meloni, anunciou nesta terça-feira (14) a suspensão do acordo de defesa entre seu país e Israel, que envolve o intercâmbio de equipamentos militares e pesquisa tecnológica. O tratado de defesa, ratificado em 2006 e renovado tacitamente a cada cinco anos, estava próximo do fim e a oposição italiana pedia ao governo que não renovasse o acordo há vários meses.

As tensões entre Itália e Israel aumentaram na semana passada, depois que o governo italiano acusou as forças israelenses de atirarem para o alto perto de um comboio de soldados italianos da ONU no Líbano, incidente que não deixou feridos, mas danificou pelo menos um veículo.

Representantes libaneses e israelenses se reunirão nesta terça-feira em Washington, sob mediação dos Estados Unidos, para negociações preliminares diretas de paz, mas as perspectivas de um acordo parecem escassas.

Na segunda-feira (13), o líder do grupo pró-Irã libanês Hezbollah, Naim Qasem, pediu o “cancelamento” do encontro, por considerar que as negociações equivalem a uma “capitulação”.

*Com informações do Wall Street Journal e do The New York Times

Editado por: Rafaella Coury

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