Os Estados Unidos anunciaram que decidiram fechar por conta própria o Estreito de Ormuz, depois que a rodada de negociações no Paquistão terminou sem acordo. Mas para o especialista em comunicação política Amauri Chamorro, esse é mais um elemento que prova o quanto os EUA estão sendo derrotados nesta guerra que é também uma disputa de narrativas.
“O Irã sempre estendeu a mão para o diálogo, mas colocou quais os pontos devem ser cumpridos. Se os EUA não cederem a alguns desses pontos, o Irã vai se retirar da mesa de negociação. Em termos comunicacionais, aquela hegemonia dos EUA começou a ser derrubada, a hegemonia dos EUA começa a ruir”, avalia Chamorro em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.
Chamorro destaca o que chama de “veto comunicacional” que o Irã tem do ponto de vista do Ocidente e que também conseguiu driblar. “Se você procura informações oficial do governo iraniano, você vai encontrar uma assimetria entre o que você encontra narrado pelo Ocidente e o que você encontra narrado pelo Irã. Mas eles estão muito bem estruturados para enfrentar um inimigo como Donald Trump. E não estou falando apenas militarmente, mas da capacidade que o Irã teve de se comunicar oficialmente durante esse enfrentamento. Por isso, a dificuldade de Donald Trump de conseguir apoio internacional. Quem domina a narrativa é o Irã”, define.
“Os EUA já foram derrotados nessa guerra. Eles foram dizimados pela inteligência persa, pela diplomacia persa e pela capacidade de resistência persa”, avalia.
Agora, segundo Chamorro, os EUA tentam convencer a opinião pública de que têm algum tipo de controle sobre o Estreito de Ormuz, o que não é verdade.
“Os EUA viram que não conseguem abrir o Estreito de Ormuz. Então o que eles fazem: ficam fora do Estreito aguardando supostamente os barcos para fazer um segundo bloqueio de barcos que o Irã permitiria a passagem. A gente tem barcos da Turquia, da França, que de alguma forma tem relação com os EUA. Então eles vão fazer o quê? Deter os barcos dos seus sócios? Os EUA vão enfrentar a China e a Rússia?”, questiona.
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