PARA TODOS

Cinema independente ocupa salas públicas e amplia acesso cultural em Porto Alegre

Circuito itinerante exibe curtas gratuitos e promove debate sobre arte, raça e gênero neste sábado (25)

No audio source provided.
Sala Redenção da Ufrgs recebe sessão gratuita de curtas com debate sobre temas sociais contemporâneos
Sala Redenção da Ufrgs recebe sessão gratuita de curtas com debate sobre temas sociais contemporâneos | Crédito: Bruna Fraga/Ufrgs

A capital gaúcha recebe, neste sábado (25), mais uma edição do Circuito Itinerante Borboletas Filmes, iniciativa que busca ampliar o acesso ao cinema independente brasileiro e internacional fora dos grandes festivais. A sessão acontece na Sala Redenção, espaço vinculado à Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), e marca a chegada do projeto à cidade após passagens por Salvador (BA) e Aracaju (SE).

A programação reúne três curtas-metragens com duração total superior a uma hora e entrada gratuita, seguida de um debate aberto ao público. A proposta, segundo a organização, é fortalecer circuitos alternativos de exibição e democratizar o acesso a produções que raramente chegam ao circuito comercial.

De acordo com a diretora-executiva da Borboletas Filmes, Camila de Moraes, o circuito surge como estratégia de circulação nacional para obras independentes. Ela afirma que a iniciativa busca levar esses filmes a salas de cinema em diferentes regiões do país, ampliando o contato com o público e criando novas possibilidades de difusão cultural.

Narrativas que atravessam temas sociais

Os três filmes exibidos abordam questões contemporâneas a partir de diferentes linguagens cinematográficas. A ficção A Um Gole da Eternidade, dirigida por Camila de Moraes e Paulo Ricardo de Moraes, propõe uma reflexão sobre memória, tempo e luto, ao acompanhar um personagem que enfrenta perdas sucessivas.

Já o musical Quarta-Feira, de João Pedro Prado e Bárbara Santos, utiliza elementos da cultura popular carioca para tratar de racismo estrutural e violência policial. Ambientado em uma comunidade do Rio de Janeiro, o filme articula narrativa e música para discutir a brutalidade de operações policiais e seus impactos nas famílias.

O documentário A Culpa é da Mãe, de Luciana Oliveira e Manoela Veloso Passos, aborda a sobrecarga enfrentada por mulheres, explorando temas como maternidade, julgamento social e divisão desigual de responsabilidades. A obra dialoga com debates atuais sobre gênero e trabalho, especialmente no contexto brasileiro.

Debate amplia diálogo com o público

Após a exibição, o público poderá participar de um bate-papo com convidadas que atuam em áreas ligadas à educação, cultura e relações raciais. A mediação será feita por uma estudante da universidade, promovendo a interlocução entre academia, produção cultural e público.

Entre as participantes está a vice-pró-reitora de Ações Afirmativas e Equidade da Ufrgs, Rita Camisolão, que também atua no movimento negro e em iniciativas voltadas a comunidades quilombolas. Sua trajetória, segundo a organização, contribui para aprofundar o debate sobre políticas públicas e inclusão.

Também integra a mesa Elba Gamino da Silva, educadora e escritora cuja produção literária aborda identidade, ancestralidade e questões étnico-raciais. A presença de vozes com atuação em diferentes campos busca ampliar a leitura das obras exibidas, conectando o cinema a experiências sociais concretas.

Circuito aposta na descentralização cultural

A proposta do circuito itinerante dialoga com um cenário de forte concentração da exibição audiovisual no Brasil. Dados da Agência Nacional do Cinema indicam que filmes brasileiros ocupam menos de 20% das sessões no país, enquanto a programação é majoritariamente dominada por produções estrangeiras ligadas a grandes estúdios internacionais, o que limita o alcance de filmes independentes.

Nesse contexto, iniciativas como a da Borboletas Filmes surgem como alternativa para ampliar o acesso. Ao circular por diferentes cidades, o projeto leva sessões a públicos que, em muitos casos, não têm contato regular com esse tipo de produção.

A ocupação de espaços públicos, como a Sala Redenção, também integra a estratégia. Para a organização, a utilização desses locais aproxima o circuito de novos espectadores e reforça a relação entre universidade e comunidade no acesso ao cinema.

Presença local fortalece intercâmbio

A edição em Porto Alegre contará ainda com a participação da equipe do curta A Um Gole da Eternidade, promovendo um intercâmbio direto entre realizadores e público. Esse contato, segundo a produção, é fundamental para fomentar o debate sobre processos criativos e os desafios da produção audiovisual independente.

A sessão deste sábado, com entrada gratuita, faz parte da circulação do projeto por diferentes cidades. Ao apostar em espaços públicos e programação aberta, o circuito leva ao público filmes que costumam ter pouca presença nas salas comerciais.

Editado por: Marcelo Ferreira

|

Newsletter