Desde quarta-feira (27), o fim da escala 6×1 depende do Senado. O Projeto de Emenda Constitucional (PEC) que prevê redução de jornada de trabalho de 44 para 40 horas e a implementação da escala 5×2 foi aprovado em dois turnos na Câmara dos Deputados e considerado uma vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e das bancadas progressistas.
Agora, uma nova disputa se estabelece, já que as decisões recentes do Senado e, especialmente, do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), têm demonstrado desalinhamento com o governo Lula. Contudo, a tendência é que a pauta avance devido a pressões, especialmente da opinião pública e dos movimentos populares, que, nos últimos dias, elevaram o tom em busca da conquista desse direito.
Colunista do Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, o cientista político Paulo Niccoli Ramirez destaca o “dia histórico e de conquista para o trabalhador” e fala em “hipocrisia da direita” nesse debate. “A aprovação do projeto com muita pressão mostra a hipocrisia da direita, que desde o início se mostrou contra o projeto, alegando prejuízos para o setor produtivo, quando na verdade os salários nunca acompanharam a margem de lucro dos grandes empresários. Nada mais justo do que oferecer dignidade aos trabalhadores”, defende.
Ramirez avalia que, para Lula, considerando a disputa eleitoral, a conquista foi importante. “Pressionou bastante todos os deputados para que fosse aprovado o quanto antes. E ontem vimos que a Sâmia Bomfim deu ao Nikolas Ferreira um óleo de peroba, já que ele foi permanentemente contra a redução da jornada, mas na hora do voto teve que se dobrar à pressão popular. Quem dera que essa pressão pudesse adiantar para casos como o aumento de impostos sobre os mais ricos, assim como também outras formas para que as elites contribuam mais para o desenvolvimento do Brasil e não que tudo pese nas costas do trabalhador.”
O cientista político acredita que apesar do descontentamento público demonstrado por Alcolumbre e até algumas manobras para atrasar a votação, o cenário de pauta com apelo popular deve se repetir no Senado.
“[Senado] pode tentar barrar, mas seria um projeto suicida. Não se pode ir contra o interesse da maioria e não é um interesse fútil, porque isso diz respeito à dignidade e ao tempo das pessoas. Se o Senado fizer isso, pior para o Alcolumbre, pior para os senadores que o apoiam”, avalia Paulo Niccoli Ramirez.
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