Dos deputados federais que votaram contra o Projeto de Emenda Constitucional (PEC) pelo fim da escala 6×1, apenas dois deles são das regiões Nordeste e Norte: Paulo Marinho Jr. (PL-MA) e Nicoletti (PL-RR). Os outros parlamentares são de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo.
Em entrevista ao É de Manhã, da Rádio Brasil de Fato, a deputada federal Lídice da Mata (PSB-BA) destaca a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do campo progressista, e avalia que a adesão até mesmo do campo conservador dos deputados do Nordeste e Norte se dá pela própria economia.
“A pesquisa do Ipea demonstra que os segmentos mais vulneráveis da economia é que ainda estão submetidos a essa jornada 6×1, porque eles têm menos capacidade de negociação. A economia do Nordeste e do Norte é mais frágil em relação à economia do Sul e do Sudeste, que é uma economia mais industrializada, com os empregados, os trabalhadores tendo mais capacidade de negociação. Valeu mais a atuação historicamente dos sindicatos. Eles tinham mais força de negociação. A PEC, no entanto, o relatório que nós aprovamos, ele dá força de negociação aos sindicatos quando estabelece a possibilidade de negociação para adequação da jornada de trabalho justamente a cada segmento. Ao fazer isso, ele liberta esses trabalhadores de um sistema que é mais atrasado do que é o conjunto do país”, avalia.
Lídice da Mata, que foi parlamentar constituinte, relatou se sentir bastante emocionada ao presenciar a conquista, fruto de uma luta de quase 40 anos. “Me senti emocionada por ver que nós estávamos registrando uma vitória 38 anos depois da primeira, que foi reduzir a carga de trabalho no Brasil, a jornada dos trabalhadores de 48 para 44 horas. E olha que naquele tempo os argumentos eram os mesmos e, no entanto, a economia se organizou a ponto de fazer com que isso seja uma realidade. Aí alguns dizem: ‘Ah, mas ainda tem gente que trabalha 44 horas’. Todo o processo econômico é assim, mas ele não é hegemônico. A economia trabalha sempre com o movimento hegemônico e sempre marginalmente ainda resta alguma coisa do passado que vai, pouco a pouco, se dissolvendo”, avalia a deputada.
Sobre a expectativa da votação no Senado, Lídice da Mata acredita que a pauta será aprovada. “Depois que a extrema direita foi obrigada a votar conosco, não acho que eles terão coragem de fazer a mesma cena no Senado que eles fizeram na Câmara. Eles não terão coragem de ir contra os trabalhadores brasileiros”, diz.
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