Em um ano de implementação da isenção de vistos para cinco países da América do Sul (Argentina, Brasil, Chile, Peru e Uruguai), Xangai registrou 81 mil entradas de sul-americanos, uma alta de 50,5% em relação ao período anterior, segundo a Estação Geral de Inspeção de Imigração da cidade.
Xangai é o principal ponto de entrada de voos vindos da América do Sul para a China, que chegam à cidade via conexões na Europa ou Ásia Ocidental pelo Aeroporto Internacional de Pudong. A autoridade nacional de imigração divulga totais agregados de entradas de estrangeiros, sem desagregar por país de origem e ponto de entrada. Os dados relativos aos cinco países sul-americanos foram levantados e divulgados pela estação.
A isenção de vistos foi anunciada pelo presidente chinês Xi Jinping no 4º Fórum Ministerial China-Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos), em maio de 2025, como parte de um conjunto de medidas de fortalecimento das relações com os países da América Latina e do Caribe. No mesmo fórum, o ministro das Relações Exteriores Wang Yi anunciou a expansão do intercâmbio universitário, cultural e de mídia entre a China e a região.
A política permitiu que cidadãos dos cinco países ingressassem na China sem visto por até 30 dias para turismo, negócios, visitas a parentes, intercâmbio e trânsito, com passaportes comuns. A vigência foi de 1º de junho de 2025 a 31 de maio de 2026, em caráter experimental.
Quase 70% dos sul-americanos que passaram por Xangai no período utilizaram a dispensa de visto, que se consolidou como motor do turismo receptivo local. Segundo a Xinmin Wanbao, jornal de Xangai, o perfil do visitante também se alterou: de turismo de pontos tradicionais para experiências em bairros, mercados e espaços locais.
Além do fluxo de turistas, a política impulsionou o intercâmbio empresarial. Na oitava edição da Feira Internacional de Importações da China (CIIE), realizada em Xangai entre 5 e 10 de novembro de 2025, mais de 200 empresas latino-americanas participaram como expositoras, sendo mais de 100 dos cinco países beneficiados pela isenção, segundo o mesmo jornal.
