O presidente russo, Vladimir Putin, delineou as condições para o fim do conflito ucraniano durante um encontro com alguns representantes de agências de notícias internacionais nesta quinta-feira (4) às margens do Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo, realizado entre os dias 3 e 6 de junho.
Ao ser questionado sobre os principais objetivos e próximos passos em relação à guerra da Ucrânia entre continuar avançando até controlar toda a região de Donbass ou buscar o fechamento de um acordo de paz, Putin afirmou que estas questões não são excludentes.
“Uma coisa não exclui a outra. Controlar toda a região de Donbas e concluir um acordo não são mutuamente excludentes”, disse o presidente russo.
A abertura do Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo aconteceu na última quarta-feira (3) em meio a ataques de drones que atingiram alvos militares na cidade.
Vladimir Putin aproveitou para falar do andamento da operação militar russa no campo de batalha, argumentando que Moscou vem exercendo grande vantagem sobre as forças ucranianas.
“Em primeiro lugar, e isso precisa ser enfatizado, as tropas russas estão avançando ao longo de toda a linha de contato. Não há lugar onde as tropas russas não estejam avançando. O maior problema que as forças armadas ucranianas enfrentam hoje é uma escassez catastrófica de pessoal”, afirmou.
“No momento, se você mencionar Donbass, o exército russo, a Federação Russa, assumiu o controle total da República Popular de Lugansk, 100%, e a colocou sob seu domínio”, acrescentou.
Ao mesmo tempo, o presidente russo reforçou que está disposto a alcançar um acordo com a Ucrânia “por meios pacíficos”, tendo como base o que foi discutido com o presidente dos EUA, Donald Trump, durante a reunião bilateral no Alasca, em Anchorage.
Algumas das exigências reiteradas pelo Kremlin para o fim da guerra são o controle pleno das regiões de Donetsk e Lugansk e garantias de neutralidade militar de Kiev, limitando a expansão da Otan.
“Estamos absolutamente prontos e dispostos a chegar a um acordo com a Ucrânia por meios pacíficos, com base no que discutimos em nossa reunião com o presidente Trump em Anchorage. Nessa reunião, a Rússia foi questionada para que pudéssemos chegar a certos compromissos. E a Rússia está disposta a aceitar os compromissos que discutimos em Anchorage. O lado ucraniano também deve concordar com esses compromissos. Então, o conflito chegará rapidamente à sua conclusão natural”, completou.
O presidente russo também falou sobre as possibilidades de buscar um novo mandato como presidente em 2030, afirmando que a reeleição para um novo mandato é permitida pela Constituição. Além disso, Putin expressou sua disposição para o diálogo com a União Europeia.
Uso dos mísseis ‘Oreshnik’
O presidente russo também comentou sobre os recentes ataques massivos que Moscou realizou sobre a capital ucraniana de Kiev, em particular, falando sobre o uso dos novos sistemas de mísseis hipersônicos Oreshnik. De acordo com ele, o uso destes armamentos não teve caráter militar.
Em 24 de maio, a Rússia utilizou esses mísseis hipersônicos, alegando uma retaliação ao bombardeio ucraniano que atingiu um dormitório estudantil em Starobelsk, na região de Lugansk. Um total de 21 jovens morreram e 63 ficaram feridos.
De acordo com Putin, a Rússia lançou um míssil Oreshnik em um local estratégico para a “observação dos resultados”. Ele alega que drones registraram posteriormente as consequências desse ataque. Putin disse que isso era necessário para a tomada de decisões futuras sobre o uso em larga escala de mísseis Oreshnik contra alvos específicos. Ao mesmo tempo, ele admitiu que futuros alvos de ataque podem estar localizados em áreas urbanas.
Desde o início da guerra da Ucrânia, as forças russas utilizaram o míssil Oreshnik três vezes no total. O primeiro ataque foi realizado em novembro de 2024 contra uma fábrica da indústria de defesa ucraniana em Dnipropetrovsk. O segundo uso do sistema de mísseis Oreshnik tornou-se público em 9 de janeiro de 2026. Na ocasião, as forças russas atacaram a Fábrica Estatal de Reparos de Aeronaves de Lviv utilizando o sistema.
Na última vez, um ataque combinado do sistema de mísseis Oreshnik, juntamente com os mísseis Iskander, Kinzhal e Tsirkon, atingiu instalações de comando militar, bases aéreas e fábricas militares ucranianas.
