Poucos casos

‘É muito baixo o risco do vírus ebola migrar para o Brasil’, diz infectologista

Alexandre Schwarzbold explica que forma de transmissão do ebola dificulta rápida disseminação

No audio source provided.
Homem de 37 anos viajou recentemente para a República Democrática do Congo, país vive um surto de ebola
Homem de 37 anos viajou recentemente para a República Democrática do Congo, país vive um surto de ebola | Crédito: Pablo Jacob/Governo de SP

Uma paciente com suspeita de estar contaminada pelo vírus ebola segue internada e sendo monitorada no Hospital Emílio Ribas, em São Paulo (SP). A Secretaria Estadual da Saúde foi notificada e informa que investiga o caso.

Apesar do protocolo de cuidado, o infectologista Alexandre Schwarzbold, professor associado da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e membro da Sociedade Brasileira de Infectologia (FBI), explica que a contaminação da população brasileira pela doença é muito pouco provável. “Eu consideraria de muito baixo risco a infecção do vírus ebola migrar para outros países como o Brasil. Eu diria mais, eu diria que é improvável essa transmissão autóctone, comunitária dentro do próprio país. Pode haver, e a gente está investigando esse segundo caso, casos que tiveram na região e vieram para o Brasil com o vírus. Mas daí a você ter a introdução do vírus e a transmissão sustentada, eu diria que é improvável, que é menos que o baixo risco”, explica ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.

A paciente de 31 anos, que está sob cuidados médicos, veio de uma viagem da República do Congo, que é considerada epicentro da doença. Diante dessa situação, Schwarzbold avalia que é preciso um olhar especial a qualquer apresentação de sintomas. “Se uma pessoa vindo da região afetada da África apresentar sintomas, deve ser encaminhada a centros de referência no Brasil, e o Emílio Ribas é um deles”, afirma.

O infectologista defende que a resposta do Brasil diante de uma hipotética epidemia seria muito mais efetiva do que a dos países africanos afetados. “E eu diria isso porque o Brasil tem um Sistema Único de Saúde com um sistema de vigilância epidemiológica muito bem estruturado e adequado. E, além disso, tem uma rede hospitalar para o acolhimento desses agravos. Por isso, eu diria que o Brasil teria uma boa estrutura para responder a uma eventual epidemia. A segunda é que essa é uma epidemia em que não há transmissão inter-humana por via respiratória. Então seria muito mais fácil de ser contida, porque exige o contato muito mais pessoal da pessoa infectada. Seria muito diferente do que foi a Covid-19”, explica.

O contágio de ebola ocorre exclusivamente pelo contato direto (através da pele lesionada ou membranas mucosas) com fluidos corporais de pessoas ou animais infectados.

“Sobre o tratamento específico, não existe porque são muitos vírus. Então, para um tipo anterior do vírus já tem vacina, mas para essa não. E existem especulações sobre medicamentos, mas não existem evidências de algum medicamento. Por isso precisa ter a prevenção e controle da disseminação”, avalia Alexandre Schwarzbold.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Luís Indriunas

|

Newsletter