Guerra da Ucrânia

Rússia realiza ataque em Kiev e patrimônio da Unesco pega fogo; Moscou diz que míssil dos EUA causou incêndio

Ataque aéreo russo deixou ao menos 5 mortos na capital ucraniana; Moscou contesta versão de Kiev sobre catedral ortodoxa

O histórico Mosteiro de Kiev-Petchersk, em Kiev, foi atingido durante um bombardeio em 15 de junho de 2026
O histórico Mosteiro de Kiev-Petchersk, em Kiev, foi atingido durante um bombardeio em 15 de junho de 2026 | Crédito: Tetiana Dzhafarova / AFP

A Rússia lançou um grande ataque aéreo contra a capital ucraniana, Kiev, na madrugada desta segunda-feira (15), deixando pelo menos cinco pessoas mortas e 30 feridas. Durante os bombardeios, o histórico Mosteiro de Kiev-Petchersk (ou Mosteiro das Cavernas de Kiev) foi atingido. Moscou alegou que a catedral teria sido atingida por um míssil Patriot dos Estados Unidos.

De acordo com a Força Aérea Ucraniana, mais de 600 drones e 70 mísseis foram utilizados no ataque russo noturno contra a Ucrânia nesta segunda-feira (15). Além de Kiev, outras três regiões do país foram atingidas e ficaram parcialmente sem energia durante os ataques.

O ataque também danificou o complexo do Mosteiro das Cavernas de Kiev, provocando um incêndio na catedral, classificada como Patrimônio Mundial da Unesco. De acordo com o porta-voz da Metrópole de Kiev da Igreja Ortodoxa da Ucrânia, ícones e relíquias foram retirados do recinto do mosteiro para proteger os objetos sagrados das chamas.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, classificou o ataque à catedral como “um dos maiores crimes da Rússia contra a cultura cristã”.

Além do incêndio no mosteiro, também foram relatados danos significativos no Estúdio Nacional de Cinema Dovzhenko, um dos maiores e mais antigos centros de produção cinematográfica da Ucrânia, fundado em 1927. De acordo com o Ministério da Defesa russo, o estúdio abrigava uma oficina para a produção e preparação de drones de longo e médio alcance.

Rússia diz que míssil dos EUA causou incêndio na catedral de Kiev

O Ministério da Defesa russo, por sua vez, confirmou a realização de um ataque massivo nesta segunda-feira (15), mas refutou a versão ucraniana, afirmando que a histórica catedral foi atingida por um míssil de um sistema de defesa aérea estadunidense Patriot.

O ministério russo reforçou a narrativa oficial utilizada durante a guerra da Ucrânia, afirmando que as forças armadas russas não atacam infraestrutura civil. De acordo com a pasta, aeródromos militares e centros de recrutamento territorial das Forças Armadas da Ucrânia foram atingidos.

“As Forças Armadas da Federação Russa não planejam nem executam ataques contra infraestrutura civil. Segundo relatos confirmados, o complexo do Mosteiro das Cavernas de Kiev foi atingido por um míssil do sistema antiaéreo americano Patriot”, diz o comunicado.

Para defender a tese de que um míssil dos EUA teria sido responsável pelo incêndio no Mosteiro de Kiev-Petchersk, o Ministério da Defesa russo alega que o sistema de mísseis estadunidense teria apresentado um defeito porque “países ocidentais entregaram mísseis obsoletos ao regime de Kiev”.

“Uma das razões para o mau funcionamento deste sistema pode ser o fornecimento de mísseis com prazo de validade vencido por países ocidentais ao regime de Kiev”, afirmou o Ministério da Defesa russo.

Já a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, destacou que o presidente francês, Emmanuel Macron, e o ministro das Relações Exteriores, Jean-Noël Barrot, acusaram a Rússia pelo suposto ataque ao Mosteiro das Cavernas de Kiev, mas ainda não se pronunciaram sobre o ataque das Forças Armadas da Ucrânia na região de Starobilsk, que deixou mais de 20 jovens mortos após bombardeio contra um dormitório estudantil.

“O governo parisiense não disse uma palavra há semanas sobre os homens mortos em Starobilsk”, escreveu a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores no Telegram.

“Enquanto isso, nos últimos anos, os políticos europeus não disseram nada sobre a perseguição do regime de Zelensky à Igreja Ortodoxa na Ucrânia ou sobre suas tentativas de controlar o Mosteiro das Cavernas de Kiev por meio da violência física e psicológica”, acrescentou a diplomata.

Editado por: Geisa Marques

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