Sem nova data

Irã e EUA adiam reunião na Suíça sobre implementação do acordo; Israel mantém ataques no Líbano

Teerã reafirma que fim das hostilidades no país vizinho é condição para um entendimento definitivo

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Presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, assina memorando de entendimento em Teerã, em 18 de junho de 2026
Presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, assina memorando de entendimento em Teerã, em 18 de junho de 2026 | Crédito: Presidência Iraniana/AFP

As negociações previstas para esta sexta-feira (19), na Suíça, entre Estados Unidos e Irã para iniciar a implementação do acordo de paz firmado nesta semana foram adiadas. O anúncio foi feito pelo Ministério das Relações Exteriores suíço, que não informou os motivos da decisão nem uma nova data para o encontro.

A reunião marcaria o início das tratativas técnicas para detalhar os termos do memorando de entendimento assinado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e pelo presidente iraniano, Masoud Pezeshkian. O documento prevê um período de 60 dias de negociações sobre o programa nuclear iraniano, a suspensão de sanções e mecanismos para consolidar o cessar-fogo após meses de conflito.

“As conversações previstas entre Estados Unidos, Irã, Catar e Paquistão foram adiadas”, informou a chancelaria suíça em comunicado.

Horas antes do anúncio, o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, já havia cancelado sua viagem à Suíça. Segundo a Casa Branca, a logística das negociações permanecia incerta.

Apesar do adiamento, autoridades iranianas reiteraram que as futuras negociações continuarão condicionadas às “linhas vermelhas” de Teerã. Entre elas está a exigência de que o conflito no Líbano seja efetivamente encerrado.

O principal negociador iraniano e presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou, nesta sexta, que o país seguirá defendendo seus interesses durante as negociações com Washington.

“Como demonstramos ao longo das negociações anteriores, somos firmes no cumprimento das condições e das linhas vermelhas estabelecidas”, declarou, segundo a agência estatal iraniana Irna.

Ghalibaf também advertiu que o Irã responderá a qualquer tentativa de descumprimento do acordo ou imposição de novas exigências. “Se o inimigo busca ser excessivo, nós demonstramos que nossos dedos estão no gatilho e não hesitamos em dar uma resposta esmagadora ao inimigo”, afirmou.

O líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, aprovou o acordo firmado com os Estados Unidos, mas ressaltou que as conversações diretas não significam a aceitação das posições defendidas por Washington. Em mensagem divulgada pela televisão estatal, ele afirmou que futuras negociações presenciais poderão ocorrer, desde que os interesses iranianos sejam preservados.

“A partir deste momento, nós — ou seja, vocês, a orgulhosa nação, e este humilde servidor — aguardaremos o cumprimento das condições estabelecidas. No entanto, é evidente que as negociações presenciais que serão realizadas no futuro não significarão, de forma alguma, a aceitação das posições do inimigo”, disse.

Ataques continuam no Líbano

O adiamento das negociações ocorre enquanto Israel continua a atacar o Líbano, um dos principais pontos de tensão relacionados ao acordo.

Segundo a imprensa estatal libanesa, ao menos 18 pessoas morreram na madrugada desta sexta-feira em ataques israelenses no sul do país. Israel informou que realizou bombardeios contra mais de 80 alvos ligados ao Hezbollah e anunciou a morte de quatro soldados israelenses em combates recentes.

Embora o entendimento tenha sido firmado entre Washington e Teerã, Israel não é signatário do acordo e continua suas operações militares contra o Hezbollah, movimento xiita apoiado pelo Irã.

Na quinta-feira (18), o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que as tropas israelenses permanecerão no sul do Líbano “enquanto as necessidades de segurança exigirem”. A declaração contrasta com a posição iraniana de que uma paz duradoura na região depende do encerramento das hostilidades em território libanês.

Editado por: Geisa Marques

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