colômbia em disputa

Para analista, eleição apertada forçará extrema direita a negociar com oposição na Colômbia

Para Marília Carolina Pimenta, disputa acirrada indica crescimento da esquerda no país e amadurecimento das instituições

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Abelardo de La Espriella
O candidato alinhado a Donald Trump, Abelardo de La Espriella | Crédito: Kaime Saldarriaga/AFP

O candidato da ultradireita à presidência da Colômbia, Abelardo De La Espriella, comemorou a contagem preliminar que dá a ele a vitória no pleito. Postulante de esquerda e apoiado pelo presidente Gustavo Petro, Iván Cepeda declarou que a equipe de advogados de sua campanha está preparada para acompanhar o escrutínio e que só reconhecerá o resultado oficial após o término desse processo

Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Marília Carolina Pimenta, coordenadora de Relações Internacionais da Universidade Estadual Paulista (Unesp-Franca) e pesquisadora do Instituto de Políticas Públicas e Relações Internacionais da instituição, tem uma visão um pouco mais otimista e avalia que o cenário de disputa bastante acirrada mostra um crescimento expressivo da esquerda na Colômbia.

“A avaliação é que há um crescimento histórico da esquerda colombiana. Um amadurecimento da experiência democrática dos colombianos, que hoje vão às urnas sem medo fazer um voto em um candidato que tem um projeto de esquerda para o país. Se a gente pensar 20 anos atrás, não tinha espaço para isso. É importante a gente pensar a capacidade de mobilização dos movimentos, das lideranças e o que é também importante, a força que os espaços periféricos, os espaços campesinos estão tendo de articulação. Então, acho que é um resultado que mostra um crescimento e um amadurecimento da experiência democrática colombiana”, afirma.

Para ela, a extrema direita, inevitavelmente, terá que negociar com os campos centristas e progressistas para governar, e isso pode ser encarado de forma positiva. “Acho que faz parte do jogo [a disputa voto a voto]. Eu tendo a ver com normalidade um pleito acirrado, muito mais do que se estivéssemos diante de uma vitória extrema de um dos lados”, avalia Marília Carolina Pimenta.

A pesquisadora destaca que a popularidade de La Espriella se dá por uma receita já conhecida em outros locais da América Latina de se forjar no punitivismo como solução de problemas que afetam o dia a dia do cidadão médio. “A gente já viu isso em outros lugares, em El Salvador com Bukele, e é obviamente uma receita trumpista para a região, e que o De La Espriella acaba reforçando com sua proposta de governo”, afirma.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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