O assessor presidencial russo, Yuri Ushakov, declarou nesta terça-feira (22) que a recente Cúpula do G7 serviu para os seus participantes exporem uma “imposição mais descarada da ordem ocidental”. Segundo ele, o grupo se encorajou a seguir essa linha de forma “mais ativa e descarada”, principalmente no contexto de seu apoio irrestrito ao regime de Kiev.
A declaração do assessor do presidente russo, Vladimir Putin, aconteceu durante a abertura do Fórum Internacional “Leituras Primakov”, em Moscou, que reúne autoridades e acadêmicos para discutir as principais questões atuais da política internacional.
Ao comentar os desdobramentos da cúpula do G7 no contexto da atual crise na relação entre Moscou e o Ocidente, Ushakov observou que os europeus presentes na cúpula, realizada na França, “fizeram tudo o que puderam para garantir que o Ocidente consolidasse mais uma vez seu apoio à continuação do conflito na Ucrânia até o último ucraniano, para que Anchorage (Alasca) fosse esquecida e ofuscada pelo gosto residual de Evian, embora não de água mineral”, disse Ushakov.
Nesse contexto, o assessor presidencial russo reforçou a crítica ao Ocidente, argumentando que a ordem internacional promovida pelo “Ocidente coletivo” prevê um sistema hegemônico baseado em “motivações egoístas”.
“A realidade é, e é impossível não perceber, que o chamado Ocidente coletivo, que, reconhecidamente, ainda desempenha um papel significativo no cenário global, está fazendo todo o possível para substituir a ordem internacional estabelecida após a Segunda Guerra Mundial por sua própria ordem baseada em regras, criada para si e interpretada arbitrariamente apenas de acordo com seus próprios interesses e motivações egoístas”, disse Ushakov.
Ele enfatizou que o principal objetivo dessas ações é manter sua crescente dominância na política, economia, tecnologia e outras esferas. “O Ocidente quer manter o controle sobre os fluxos do comércio internacional, as finanças, as cadeias de valor e os recursos naturais”, acrescentou.
Ushakov também falou sobre a possibilidade de retomar o diálogo com a União Europeia, confirmando a disposição de Moscou para negociar com o bloco: “Estamos prontos”, declarou o assessor presidencial. Ao mesmo tempo, ele observou que tentativas semelhantes já haviam sido feitas em outras ocasiões.
Anteriormente, durante o Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo, o presidente russo, Vladimir Putin, afirmou que a Rússia não havia rejeitado o diálogo com os países europeus e estava pronta para se engajar caso a UE tomasse a iniciativa. De acordo com Putin, os contatos entre os serviços de inteligência da Rússia e dos países europeus continuam.
Moscou saúda memorando entre EUA e Irã
Ao comentar o acordo alcançado entre EUA e Irã sobre um memorando de entendimento para resolver o conflito no país persa, Yuri Ushakov destacou que a Rússia saúda o acordo alcançado e espera negociações produtivas entre as partes.
“A Rússia saudou o cessar-fogo e a conclusão do memorando EUA-Irã. Esperamos que as negociações que começaram sejam produtivas”, disse.
Ele também enfatizou que as propostas da Rússia sobre a questão nuclear iraniana como parte do acordo permanecem válidas. Segundo ele, o caminho para uma paz duradoura não é iminente.
O 12º Fórum Internacional “Leituras Primakov” acontece sob o tema “Um Mundo Sem Regras: um jogo de força?” e reúne mais de 400 especialistas estrangeiros nas áreas de segurança internacional, política global e economia, de 17 países.
De acordo com os organizadores, as discussões do fórum se concentrarão nas consequências dos conflitos regionais, na situação no Oriente Médio, em cenários de ordem global, em barreiras ao comércio e investimento globais e na competição internacional em inteligência artificial.
Cinco sessões de trabalho estão programadas para os dois dias do evento, incluindo o tradicional discurso de encerramento do ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, em 24 de junho.
