Fórum em Moscou

Cúpula do G7 reforçou ‘imposição descarada da ordem ocidental’, diz assessor presidencial russo

Yuri Ushakov afirma que a Rússia jamais rejeitou diálogo com a UE e que europeus querem continuidade da guerra

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Assessor presidencial russo, Yuri Ushakov, do Fórum Internacional "Leituras Primakov", em Moscou, em 23 de junho de 2026
Assessor presidencial russo, Yuri Ushakov, do Fórum Internacional “Leituras Primakov”, em Moscou, em 23 de junho de 2026 | Crédito: Fórum Internacional "Leituras Primakov"

O assessor presidencial russo, Yuri Ushakov, declarou nesta terça-feira (22) que a recente Cúpula do G7 serviu para os seus participantes exporem uma “imposição mais descarada da ordem ocidental”. Segundo ele, o grupo se encorajou a seguir essa linha de forma “mais ativa e descarada”, principalmente no contexto de seu apoio irrestrito ao regime de Kiev.

A declaração do assessor do presidente russo, Vladimir Putin, aconteceu durante a abertura do Fórum Internacional “Leituras Primakov”, em Moscou, que reúne autoridades e acadêmicos para discutir as principais questões atuais da política internacional.

Ao comentar os desdobramentos da cúpula do G7 no contexto da atual crise na relação entre Moscou e o Ocidente, Ushakov observou que os europeus presentes na cúpula, realizada na França, “fizeram tudo o que puderam para garantir que o Ocidente consolidasse mais uma vez seu apoio à continuação do conflito na Ucrânia até o último ucraniano, para que Anchorage (Alasca) fosse esquecida e ofuscada pelo gosto residual de Evian, embora não de água mineral”, disse Ushakov.

Nesse contexto, o assessor presidencial russo reforçou a crítica ao Ocidente, argumentando que a ordem internacional promovida pelo “Ocidente coletivo” prevê um sistema hegemônico baseado em “motivações egoístas”.

“A realidade é, e é impossível não perceber, que o chamado Ocidente coletivo, que, reconhecidamente, ainda desempenha um papel significativo no cenário global, está fazendo todo o possível para substituir a ordem internacional estabelecida após a Segunda Guerra Mundial por sua própria ordem baseada em regras, criada para si e interpretada arbitrariamente apenas de acordo com seus próprios interesses e motivações egoístas”, disse Ushakov.

Ele enfatizou que o principal objetivo dessas ações é manter sua crescente dominância na política, economia, tecnologia e outras esferas. “O Ocidente quer manter o controle sobre os fluxos do comércio internacional, as finanças, as cadeias de valor e os recursos naturais”, acrescentou.

Ushakov também falou sobre a possibilidade de retomar o diálogo com a União Europeia, confirmando a disposição de Moscou para negociar com o bloco: “Estamos prontos”, declarou o assessor presidencial. Ao mesmo tempo, ele observou que tentativas semelhantes já haviam sido feitas em outras ocasiões.

Anteriormente, durante o Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo, o presidente russo, Vladimir Putin, afirmou que a Rússia não havia rejeitado o diálogo com os países europeus e estava pronta para se engajar caso a UE tomasse a iniciativa. De acordo com Putin, os contatos entre os serviços de inteligência da Rússia e dos países europeus continuam.

Moscou saúda memorando entre EUA e Irã

Ao comentar o acordo alcançado entre EUA e Irã sobre um memorando de entendimento para resolver o conflito no país persa, Yuri Ushakov destacou que a Rússia saúda o acordo alcançado e espera negociações produtivas entre as partes.

“A Rússia saudou o cessar-fogo e a conclusão do memorando EUA-Irã. Esperamos que as negociações que começaram sejam produtivas”, disse.

Ele também enfatizou que as propostas da Rússia sobre a questão nuclear iraniana como parte do acordo permanecem válidas. Segundo ele, o caminho para uma paz duradoura não é iminente.

O 12º Fórum Internacional “Leituras Primakov” acontece sob o tema “Um Mundo Sem Regras: um jogo de força?” e reúne mais de 400 especialistas estrangeiros nas áreas de segurança internacional, política global e economia, de 17 países.

De acordo com os organizadores, as discussões do fórum se concentrarão nas consequências dos conflitos regionais, na situação no Oriente Médio, em cenários de ordem global, em barreiras ao comércio e investimento globais e na competição internacional em inteligência artificial.

Cinco sessões de trabalho estão programadas para os dois dias do evento, incluindo o tradicional discurso de encerramento do ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, em 24 de junho.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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