Terremotos

‘Balançou muito’: brasileiro narra desabamentos e solidariedade do povo após tragédia na Venezuela

Denir Rosa, da Brigada Internacionalista do MST, mora em Caracas e assistia ao jogo do Brasil quando o tremor começou

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Pessoas observam um prédio desabado no bairro de Altamira após um terremoto em Caracas, em 24 de junho de 2026
Pessoas observam um prédio desabado no bairro de Altamira após um terremoto em Caracas, em 24 de junho de 2026 | Crédito: Federico Parra / AFP

Os dois terremotos que atingiram a Venezuela na última quarta-feira (24) deixaram 920 mortos, até o momento, mais de 3 mil feridos e famílias desalojadas, já que os abalos comprometeram as estruturas de muitas edificações. Um dos afetados é Denir Rosa, integrante da Brigada Internacionalista do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que falou com o Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, diretamente de Caracas.

Rosa relata que o local onde ele morava está interditado pela Defesa Civil. “Foi um lugar que passou por uma situação muito difícil. É uma área factível de terremotos, mas não se esperava um terremoto dessa magnitude. Eu e minha companheira estamos bem, fomos atendidos pela comunidade e por amigos, e os demais companheiros da Brigada estavam em outros locais onde não foi tão forte o impacto”, explica.

“Eu estava com outros brasileiros vendo o jogo do Brasil e foi no primeiro gol, exatamente no primeiro gol. E nós estávamos em um apartamento, eu estava no piso 10. Balançou muito, mas nós tivemos tempo de descer e chegar até o último piso. Eu tenho um apartamento no piso quatro. O meu apartamento ficou com as paredes fraturadas, o reboco caiu, os quadros caíram, os marcos da janela estão todos rachados, vidros estouraram nos vizinhos e um vizinho ficou preso no apartamento do primeiro andar porque a parede que dá para fora do prédio caiu para dentro da casa dele”, relata. “No meu prédio não houve falecidos, mas na outra rua os edifícios vieram abaixo e tiveram mais de dez mortos. Foi uma situação realmente muito difícil.”

Segundo Denir Rosa, os dois terremotos aconteceram em um intervalo muito curto e foram de magnitude muito alta. “Ninguém tem preparação para isso. Tanto a Defesa Civil regional como as municipalizadas. O povo venezuelano é muito honrado. Estão se ajudando entre si, há pouquíssimos casos de saques e roubos. Quando acontecem, é por desespero mesmo. A Defesa Civil está fazendo o máximo e está ultrapassando o máximo do alcance, já que estão há mais de 24 horas trabalhando”, afirma, e destaca que a chegada de ajuda de outros países tem acontecido por La Guaira, região mais afetada pelos abalos.

“A Índia mandou dois hospitais de campanha para cá e isso está sendo instalado para o atendimento da população mais afetada. E alguns hospitais que estão sem problemas na estrutura estão focados nos atendimentos emergenciais.”

Rosa destaca o caráter solidário do povo venezuelano e conta que a presidenta interina, Delcy Rodríguez, tem chamado a população para a união e as ações de colaboração. “Ela chamou para a necessidade de atender os mais necessitados. Nesse momento não existe divisão, porque só a união vai propiciar sair desse problema nunca antes visto”, conta.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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