No Dia Nacional de Mobilização pela Redução da Jornada de Trabalho, movimentos populares iniciaram uma série de manifestações pelo fim da escala 6×1 nesta terça-feira (30), com atos em 14 capitais, além de cidades do interior.
A mobilização acontece enquanto a Proposta de Emenda Constitucional (PEC), que foi aprovada na Câmara há mais de um mês, enfrenta resistência do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União – AP). A proposta, que diminui a jornada de trabalho semanal para 40 horas semanais e garante dois dias de descanso por semana em uma escala 5×2, precisa passar para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para a aprovação do texto.
Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, o presidente da CUT-SP, Raimundo Suzart, destacou a importância da mobilização nas ruas para pressionar pela aprovação.
“A gente está organizando o Dia Nacional de Lutas com as centrais sindicais, movimentos sociais, e estamos com uma grande convocação. A gente teve uma votação expressiva na Câmara e, até hoje, o Senado não mandou para a CCJ o projeto de redução da jornada sem redução de salário. A gente já fez o levantamento de todos os senadores, quem está a favor e quem está contra. Quem tem dúvida, ainda não tomou a decisão, a gente tem conversado. Mas a gente sabe que realmente o que vai pressionar é a manifestação das ruas. É importante levantar os senadores que vão para a reeleição para pressionar também”, defende.
As manifestações foram convocadas pelas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), pelo Fórum das Centrais Sindicais e pelo movimento Vida Além do Trabalho (VAT), entre outras organizações. A CUT orienta ainda que, além da participação nos atos, a população pressione os parlamentares por meio da plataforma Na Pressão.
Pela manhã, ocorreram atos em Porto Alegre (RS), Recife (PE), João Pessoa (PB) e Rio de Janeiro (RJ). Na maioria das cidades, os atos acontecem nesta tarde. Veja aqui a programação.
No Rio de Janeiro, centenas de pessoas, com bandeiras e faixas, percorreram, em quase duas horas, cerca de 6 quilômetros, incluindo trechos da Avenida Brasil.
Presente no protesto, o vereador do Rio de Janeiro Rick Azevedo (Psol), criador do VAT e um dos articuladores nacionais do movimento contra a escala 6×1, classifica a virada de semestre como “momento crucial para os trabalhadores brasileiros”.
“O décimo terceiro salário, as férias remuneradas, licença-maternidade, entre outros direitos, foram conquistas da classe trabalhadora. A gente também vai conquistar o fim da escala 6×1”, disse.
No Recife, a mobilização em Pernambuco continuou durante a tarde com novas ações de panfletagem.
‘Terrorismo patronal’
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, criticou duramente o movimento de Davi Alcolumbre para atrasar a aprovação da PEC.
“Não tem justificativa para um mês, uma pauta que interessa o povo brasileiro, uma pauta aprovada por mais de 70% da população brasileira, estar parada numa gaveta. Ao que parece, por interesses menores”, disse o ministro, no programa Bom Dia, Ministro, veiculado pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC).
Boulos criticou ainda o alinhamento de Alcolumbre com o discurso empresarial, que ele classifica como “terrorismo patronal”. “Mais do que isso, ele está brincando com fogo”, afirmou.
“Gente, isso não cola mais. Isso não cola para ninguém. Temos estudos demonstrando que o fim da escala 6 por 1 tem efeitos [positivos] no varejo, comércio, serviços, como foi com os aumentos reais do salário mínimo”, argumentou.
Um estudo feito pelo Instituto de Economia (IE) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) aponta que, se a jornada laboral passasse de 44 para 36 horas semanais, os níveis de produtividade no país subiriam cerca de 4% e o Brasil poderia ganhar 4,5 milhões de novos postos de trabalho.
