depois da tragédia

‘Temos que continuar vivendo’: povo venezuelano planeja recostrução após terremotos

Analista internacional relata esforços 'sobre-humano' de atendimento nos acampamentos e enaltece a coragem da população

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Comunidade chinesa na Venezuela se mobiliza com caminhões, suprimentos de emergência e equipamentos médicos, além de máquinas de construção, equipes de resgate e apoio logístico
Comunidade chinesa na Venezuela se mobiliza com caminhões, suprimentos de emergência e equipamentos médicos, além de máquinas de construção, equipes de resgate e apoio logístico | Crédito: CGTN

O número de mortos pelos terremotos na Venezuela supera 3 mil. Dezenas de milhares de pessoas perderam suas casas, diversos países — entre eles o Brasil — enviaram equipes de resgate, atendimento de saúde aos mais de 16 mil feridos e ajuda humanitária, mas, a cada dia que passa, a possibilidade de encontrar pessoas vivas sob os escombros diminui drasticamente.

Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Armin Braun, chefe da missão do Brasil na Venezuela, relata como tem sido o trabalho de resgate: “A gente está fazendo algumas buscas de corpos, uma busca de um brasileiro, inclusive, mas é uma situação bastante crítica. Além dessa equipe nossa de busca e salvamento, o Brasil também enviou equipes de saúde, enviou um hospital de campanha que está funcionando perto daqui, enviou medicamentos, vacinas e a gente está conversando com as Nações Unidas, com o país, para ver quais são as oportunidades de apoio adicional do Brasil aqui na Venezuela”, conta.

Braun explica que o governo federal também enviou medicamentos, vacinas e purificadores de água. “O colapso no abastecimento de água traz o risco de doenças, consumir a água de qualquer forma amplifica o risco de doenças. Esses purificadores, principalmente nos abrigos, nas áreas que não têm acesso à água, vão permitir que a população aqui da Venezuela possa ter acesso à água potável”, destaca.

O chefe da missão explica que engenheiros brasileiros também compõem a equipe e realizam a avaliação de riscos residuais em edificações, especialmente os hospitais, que precisam estar em pleno funcionamento o quanto antes. “Haverá um longo trabalho de recuperação das infraestruturas, mas também recuperação econômica e social, e o Brasil certamente vai apoiar esse processo.”

No último sábado (4), a presidenta interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou o plano de reconstrução nacional “Grande Missão Venezuela Renascida”, com o objetivo de recuperar o setor imobiliário nas áreas afetadas.

O analista internacional José Guillermo Yánez, residente na Venezuela, enaltece a coragem do povo venezuelano e elogia os esforços do governo, que ele define como “sobre-humanos”. “Será necessária uma reconstrução da unidade venezuelana. Nesse sentido, aguarda-se como serão as próximas etapas da reconstrução que acontecerá no país. Acredito que nos próximos dias haverá novos anúncios sobre como esse processo será conduzido. Neste momento, estamos na etapa de atendimento aos feridos e às pessoas que estão nos acampamentos temporários”, relata. “É importante destacar que a prioridade, neste primeiro momento, é recuperar a infraestrutura civil e atender à população, especialmente as muitas pessoas que perderam suas moradias”, afirma.

Yánez afirma que o cotidiano foi atravessado pela tragédia, mas a vida tem que seguir, e é com esse espírito que o povo venezuelano tem procurado retomar, dentro do possível, a sua rotina. “O trabalho continua, as pessoas tem que continuar, a educação deve continuar e por isso temos que, pouco a pouco, passo a passo, retomar a normalidade de nossas cidades, de nossas moradias, nossos povos. É uma nova realidade. Não estou dizendo que não estamos afetados pela tragédia porque nos afeta, mas temos que continuar trabalhando, temos que continuar vivendo”, diz.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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