Onde estão as soluções para a adaptação às mudanças climáticas? Essa é uma das questões centrais que têm orientado os debates internacionais sobre o tema, especialmente nas Conferências das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COPs). Na COP30, realizada em Belém (PA), em novembro do ano passado, um dos consensos que ganhou força foi a necessidade de ouvir quem vive diariamente os efeitos da crise climática e desenvolve formas concretas de enfrentá-la.
Entre essas vozes esteve a ativista climática Marcele Oliveira. Para ela, que também é comunicadora, produtora cultural e pesquisadora sobre clima, muitas respostas buscadas em grandes fóruns internacionais já existem nos territórios preservados por povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais, camponesas e periféricas. O que tem faltado, na avaliação dela, é oportunidade para que essas pessoas se manifestem e espaços para visibilizar o conhecimento muitas vezes ancestral presente nessas experiências.
Escolhida pelo governo brasileiro como Jovem Campeã do Clima da COP30, Marcele participou, em julho, da Caatinga Climate Week (CCW), realizada no Recife (PE) pelo Centro Sabiá e pelo Instituto Socioambiental (ISA). O encontro colocou o bioma no centro das discussões sobre adaptação às mudanças climáticas.
O CCW convidou pesquisadores, ativistas, comunicadores, parlamentares e estudantes para conhecer experiências de agricultores, artesãos, povo indígenas do semiárido pernambucano, com o objetivo de demonstrar que o território da Caatinga, para além de ser um dos mais afetados pelo aquecimento global, “também é um território de respostas”.
Em entrevista exclusiva ao Bem Viver, programa do Brasil de Fato, Marcele Oliveira contou que seu engajamento nasceu da própria experiência como moradora da periferia do Rio de Janeiro.
“Eu me considero ativista climática porque cresci em Realengo e sempre percebi que outras regiões da cidade tinham mais árvores, mais museus e mais áreas verdes de lazer. Quando eu voltava para casa, não tinha nada disso. Esse incômodo me fez perceber que existia uma luta pela criação de um parque em Realengo, que passou despercebida por mim durante a adolescência. Hoje entendo que ser ativista climática também é me reconhecer como moradora da Mata Atlântica.”
Na avaliação de Marcele, sediar a COP30 na Amazônia abriu espaço para que o Sul Global ocupasse um lugar de maior protagonismo nas negociações climáticas e apresentasse as próprias perspectivas sobre a crise ambiental.
“A forma que eu sei me comunicar é a partir dessa voz que fala alto, das minhas gírias, da minha forma de me vestir e de me posicionar. Essa é quem eu sou. A COP30, no Brasil e na Amazônia, também foi um convite para falar de meio ambiente a partir do olhar do Sul Global, das periferias e de quem sofre os impactos da crise climática, mas não foi responsável pelas decisões que aumentaram as emissões.”
Para a ativista, discutir adaptação também significa discutir justiça climática. Segundo ela, os países que mais contribuíram historicamente para o aquecimento global precisam assumir maior responsabilidade pelo financiamento das medidas de adaptação.
“Alguém tem que pagar essa conta. E esses ‘alguéns’ são os países desenvolvidos, que emitiram mais gases porque puderam se industrializar antes dos outros. Essa é uma conversa sobre desigualdade. A gente precisa se adaptar porque a globalização foi construída de forma desigual.”
Se as soluções para a crise climática exigem cooperação global, Marcele defende que os negociadores internacionais precisam aprender com os territórios que convivem há séculos com eventos extremos e desenvolveram estratégias de adaptação baseadas no conhecimento local.
Foi essa percepção que ela levou da Caatinga Climate Week.
“Quem me apresentou a Caatinga foram amigos e colegas com quem construo esse mandato. Foi assim que comecei a entender as soluções que o bioma desenvolveu para lidar com a sazonalidade das chuvas. Hoje essa realidade também chega a lugares que nunca precisaram conviver com essa dinâmica. A Caatinga sabe lidar com a seca e com a cheia. Então quem pode ajudar? A própria Caatinga. Esse encontro nos lembra da COP30, mas também mostra que todos os biomas brasileiros têm conhecimentos fundamentais. Resiliência também é aprender com quem já sabe.”
E tem mais…
O Bem Viver também traz vai a Cuba, onde a paixão pelo futebol alimenta o sonho de ver a seleção cubana disputando uma Copa do Mundo.
E no mês da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, o programa exibe um corte especial da série “Terreiros Urbanos em São Paulo”, com a trajetória de Mãe Alessandra Ribeiro.
Tem receita deliciosa com a chef Gema Sotto de crumble de maçã.
Quando e onde assistir?
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Na TV Brasil (EBC), sexta-feira às 6h30.
Na TVE Bahia: sábado às 12h30, com reprise quinta-feira às 7h30, no canal 30 (7.1 no aparelho) do sinal digital.
Na TVCom Maceió: sábado às 10h30, com reprise domingo às 10h, no canal 12 da NET.
Na TV Floripa: sábado às 13h30, reprises ao longo da programação, no canal 12 da NET.
Na TVU Recife: sábados às 12h30, com reprise terça-feira às 21h, no canal 40 UHF digital.
Na UnBTV: sextas-feiras às 10h30 e 16h30, em Brasília, no Canal 15 da NET.
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