Andy Burnham assumiu nesta segunda-feira (20) o cargo de primeiro-ministro do Reino Unido, no lugar de Keir Starmer, que renunciou após meses de pressão dentro do Partido Trabalhista. A troca foi oficializada em cerimônia no Palácio de Buckingham, onde o Rei Charles III recebeu Starmer para formalizar a saída, convidando Burnham a estabelecer o novo governo.
Antes de deixar a Downing Street 10, Starmer discursou diante da residência oficial e reivindicou o legado de dois anos de mandato. “Saio com elegância, com um sorriso e orgulhoso de tudo o que conquistamos”, declarou.
Pouco antes de chegar ao poder, na sexta-feira 17, Burnham foi confirmado líder do Partido Trabalhista. A condição é necessária para que se possa assumir o cargo no Reino Unido. Candidato único na disputa para substituir Starmer, Burnham reuniu apoio de 379 dos 403 parlamentares trabalhistas na Câmara dos Comuns.
Perda de apoio político
Starmer anunciou a renúncia em 22 de junho, depois de resistir por meses aos pedidos de saída. O desgaste se aprofundou com a continuidade da queda do padrão de vida britânico, além do avanço da pauta anti-imigração, que fortaleceu partidos conservadores.
No discurso de estreia, Burnham colocou o custo de vida como prioridade, defendendo um maior controle público sobre bens essenciais. “Se não temos controle público suficiente sobre o custo de bens essenciais, como podemos conter a inflação?”, provocou.
Ainda como consequência do Brexit, os britânicos têm visto, nos últimos anos, o salário médio semanal, descontada a inflação, subir menos de 1%. Segundo o Office for National Statistics (ONS, na sigla em inglês), o principal instituto de estatísticas do Reino Unido, o baixo crescimento acontece desde 2024, quando os Trabalhistas voltaram ao poder.
James Schneider, escritor inglês, diretor da organização Progressive International e ex-conselheiro de Relações Públicas do então líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, explicou ao Brasil de Fato que Burnham dificilmente pode “consertar grande coisa por muito tempo, se as questões de fundo não forem enfrentadas”.
“O Partido Trabalhista é vítima da sua própria rejeição ao desempenhar o papel histórico que ele mesmo se atribui. Em vez disso, o partido, sob a liderança de Starmer, foi capturado em favor de interesses corporativos para servir aos ditames do imperialismo dos Estados Unidos”, explica.
Aos 56 anos, Burnham chega a Downing Street após duas décadas na sigla. Ele chegou a disputar a liderança da legenda em 2010 e 2015, mas saiu derrotado nas duas oportunidades.
Em 2017, Burnham assumiu a prefeitura da Grande Manchester. Ele chegou a ser reeleito em 2021. Em seguida, com uma agenda mais à esquerda do que a de Starmer, retornou ao Parlamento britânico em junho deste ano, ao vencer uma eleição suplementar em Makerfield.
