Os ataques dos Estados Unidos contra o Irã entraram nesta segunda-feira (20) no seu 10º dia consecutivo, desde que o governo Donald Trump anunciou o fim da trégua e retomou as hostilidades, trazendo o processo de diálogo com Teerã para a estaca zero, apesar do memorando de entendimento assinado pelos dois países.
Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Ricardo Leães professor e pesquisador de Relações Internacionais, lembra que, em mais de uma oportunidade, o Irã falou sobre a impossibilidade de confiar na diplomacia dos EUA.
“Os Estados Unidos têm uma relação com os outros países que está baseada na lógica da dominação, da violência, da chantagem, da pilhagem. É assim que os Estados Unidos se enxergam no mundo inteiro. Governos no passado ainda tinham uma visão um pouco mais generosa em relação aos supostos aliados, os países do chamado Ocidente expandido. Mas os demais países da periferia do sistema internacional sempre foram vistos pelos Estados Unidos como países a serem dominados. E essa realidade agora com Donald Trump não muda, mas apenas se torna mais explícita”, afirma.
“Existem duas forças políticas no Irã”, explica Leães: “De um lado, os representantes da chamada linha dura, que é um termo que eu não gosto muito porque é muito utilizado pelo Ocidente, mas são pessoas muitas vezes ligadas às guardas revolucionárias, entusiastas do legado da Revolução de 1979 e que têm uma visão crítica do Ocidente, […] porque ele representa valores de dominação que são disseminados e impostos pelos Estados Unidos”.
“E do outro lado, existe uma outra força política que é chamada de bazar. Bazar é algo como ‘comerciante’, na língua persa, que são profissionais liberais, são agentes econômicos que de alguma forma defendem uma visão mais próxima do Ocidente, que buscam algum tipo de diálogo de civilizações”, disse.
Contudo, continua o analista, os acontecimentos dos últimos anos têm feito com que a visão linha dura seja fortalecida. “Não nos esqueçamos que o Irã foi duas vezes atacado em meio a negociações diplomáticas, tanto em 2025 quanto em 2026. E agora os Estados Unidos, embora tenham proposto um cessar-fogo, prometendo um acordo de paz definitivo, não cumpriram”, ressaltou.
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