Oriente Médio

Irã afirma ter atingido infraestrutura da Amazon no Bahrein e rebate EUA sobre soldados mortos: ‘Assassinos de crianças’

Teerã afirma que ataque foi resposta à ofensiva estadunidense; ação ainda não foi confirmada pela empresa

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Míssil iraniano lançado em direção a alvos estadunidenses no Golfo
Míssil iraniano lançado em direção a alvos estadunidenses no Golfo | Crédito: sepahnews.com / AFP

A Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) afirmou nesta terça-feira (21) ter atacado a infraestrutura central de dados da empresa estadunidense Amazon no Bahrein durante a 24ª fase da Operação Nasr-2. Segundo comunicado divulgado pela agência iraniana Tasnim, a ação foi uma resposta aos bombardeios realizados pelos Estados Unidos contra o território iraniano na segunda-feira (20).

“Os guerreiros aeroespaciais da Guarda Revolucionária, na continuação da 24ª onda da Operação Nasr-2, em resposta à agressão e ao ataque de ontem do exército americano contra instalações civis e em construção em Darkhovin, atacaram e destruíram a infraestrutura central de dados da empresa americana Amazon no Bahrein com vários mísseis de cruzeiro”, afirmou o IRGC.

Até a publicação desta reportagem, a Amazon e o governo do Bahrein não haviam confirmado o ataque ou informado eventuais danos à infraestrutura.

O ataque citado pelo IRGC faz referência à ofensiva realizada pelos Estados Unidos na segunda-feira (20) contra a usina nuclear de Darkhovin, em construção na província iraniana de Khuzistão.

Após a ação, o vice-ministro das Relações Exteriores para Assuntos Jurídicos e Internacionais, Kazem Gharibabadi, classificou o bombardeio como “uma agressão perigosa às infraestruturas pacíficas do Irã” e afirmou que Washington é “integralmente responsável pelas consequências decorrentes do agravamento da insegurança e da instabilidade”.

O governo iraniano também pediu que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), vinculada à Organização das Nações Unidas (ONU), condene oficialmente o ataque.

Os EUA voltaram a atacar o Irã na noite de segunda-feira. O Comando Central dos Estados Unidos para o Oriente Médio (Centcom) informou ter concluído uma nova rodada de ataques contra o país. Em publicação na rede X, os militares afirmaram ter atingido “centros de comando militares iranianos, capacidades navais, locais de lançamento de mísseis e drones e sistemas de defesa aérea” com o objetivo de “degradar a capacidade do Irã de continuar atacando navios comerciais que transitam pelo Estreito de Ormuz”.

‘Assassinos de crianças’

A Guarda Revolucionária iraniana divulgou, nesta terça, um novo comunicado rebatendo declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e do secretário de Defesa, Pete Hegseth, que classificaram como “heróis” os três militares estadunidenses mortos no fim de semana em ataques atribuídos ao Irã.

Segundo o IRGC, a ofensiva iraniana teve como alvo um complexo utilizado pelo “exército americano terrorista e assassino de crianças” em Rukban, próximo à fronteira entre Jordânia e Síria.

“Que fique claro que, no léxico de nenhuma nação, soldados covardes que usam armas avançadas para matar crianças inocentes são chamados de heróis”, afirmou a Guarda Revolucionária. “Os defensores da liberdade em todo o mundo em breve levarão esses criminosos de guerra à justiça”, diz o comunicado.

A declaração foi divulgada um dia depois de Trump anunciar que participará da cerimônia de repatriação dos três militares mortos e afirmar que “toda vez que o Irã matar um soldado americano, pagará muitas vezes por essa morte”. Em publicação na rede X, Hegseth também homenageou os militares. “Sigam em paz, heróis. O sacrifício deles apenas reforça nossa determinação”, escreveu.

A referência ao “exército assassino de crianças” remete ao bombardeio contra a escola primária feminina de Minab, no sul do Irã, em 28 de fevereiro. Segundo autoridades iranianas, o ataque matou 168 pessoas, entre elas ao menos 120 crianças. Desde então, Teerã tem citado o episódio como um dos principais exemplos para sustentar a acusação de que os Estados Unidos atacam deliberadamente alvos civis.

Bloqueio marítimo contra Arábia Saudita

Uma nova frente do conflito no Oriente Médio se abriu após os Houthis, grupo iemenita aliado de Teerã, anunciarem um bloqueio marítimo contra embarcações ligadas à Arábia Saudita no Estreito de Bab el-Mandeb. Segundo o porta-voz Yahya Saree, a medida adota a lógica de “olho por olho” e é uma resposta ao que classificou como cerco saudita ao Iêmen.

“O Exército do Iêmen declara um embargo marítimo contra o inimigo saudita criminoso, com base na equação de ‘olho por olho’, que entra em vigor imediatamente após a publicação desta declaração”, afirmou Saree.

O Estreito de Bab el-Mandeb liga o Mar Vermelho ao Oceano Índico e vinha sendo utilizado pela Arábia Saudita como alternativa ao fechamento do Estreito de Ormuz.

Editado por: Geisa Marques

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