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Tarifaço serve como aprendizado para Brasil buscar maior abertura e integração comercial, diz cientista político

Rafael Cortez pondera que abrir novos mercados não é simples, e que haverá algum impacto para a economia brasileira

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O presidente dos Estados Unidos Donald Trump
O presidente dos Estados Unidos Donald Trump | Crédito: CHIP SOMODEVILLA / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / GETTY IMAGES VIA AFP

O governo Lula iniciou na segunda-feira (20) uma série de reuniões com representantes dos setores mais atingidos pela tarifa de 25% sobre produtos brasileiros imposta pelos Estados Unidos. O objetivo é mapear perdas de contratos ou riscos para a produção e os empregos, e assim estabelecer a necessidade de medidas de apoio às empresas exportadoras.

Os encontros estão sendo coordenados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e servirão de base para a nova etapa do Plano Brasil Soberano. As tarifas estadunidenses começam a valer nesta quarta-feira (22).

O cientista político Rafael Cortez avalia como positivo o movimento de dialogar com setores estratégicos internos e fortalecer a interlocução comercial externa. Para ele, o tarifaço do presidente dos EUA, Donald Trump, acabou forçando a busca ativa por parte do governo brasileiro de novos parceiros comerciais.

“O Brasil vai aprendendo a importância de abertura e integração comercial, e o faz em um contexto em que percebe os desafios de lidar economicamente com um governo da natureza que é o Trump”, analisa em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.

Segundo Cortez, o presidente Lula segue muito eficiente em usar a diplomacia presidencial como canal para restabelecer e fortalecer contatos. “É inegável o capital político do Lula nos mais diversos locais do mundo”, afirma.

O cientista político pondera que seria um erro separar a lógica econômica da dimensão política de mais esse tarifaço promovido pelo Trump, que expressa a forma com que o estadunidense estabelece suas relações internacionais. “O desafio é unificar essas duas dimensões.”

Rafael Cortez também considera que, independentemente das medidas tomadas pelo governo Lula para dirimir os prejuízos a alguns setores da economia brasileira, algum tipo de impacto vai acontecer. “A pergunta que precisa ser feita é: em que medida a gente vai buscar mercados alternativos, em que medida vai encontrar maneiras de, basicamente, manter as exportações em trajetória de crescimento na ausência de um mercado mais livre para a entrada nos Estados Unidos, dado que o Brasil perde competitividade com essas tarifas. E falo isso porque não é simplesmente uma decisão: ‘Olha, vou exportar para tais e tais países’ e, enfim, vou lá e esse mercado acontece. Há concorrência internacional, há uma série de pontos que vão afetar a eficiência dessas medidas”, pondera.

Cortez ressalta que o pacote visa minimizar prejuízos. “Sobretudo compensação de receitas que ficam prejudicadas para esses diferentes setores. A ideia do governo brasileiro é que essa redução no fluxo de receitas não afete investimentos, não gere paralisias em decisões futuras que possam comprometer não só a situação particular de cada setor e de cada empresa, mas ter efeitos agregados mais relevantes, como, por exemplo, um desaquecimento da economia, um aumento de desemprego”, avalia.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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