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Mentira de Flávio Bolsonaro sobre urnas mostra que extrema direita ‘tende a questionar eleições’, diz cientista político

Falas demonstram desespero da candidatura de Flávio em meio a denúncias e queda nas pesquisas

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O senador Flávio Bolsonaro e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, ambos do PL, posam em frente à Casa Branca
O senador Flávio Bolsonaro e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, ambos do PL, posam em frente à Casa Branca, nos Estados Unidos | Crédito: Reprodução/Instagram

O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) continua demonstrando desespero diante da queda de popularidade e da crise em sua campanha ao Palácio do Planalto. Às vésperas das convenções partidárias, onde as candidaturas serão homologadas, Flávio ainda não tem um nome para ocupar a vaga de vice em sua chapa presidencial.

Para tentar diminuir a rejeição com o público feminino, o senador tem tentado buscar uma mulher como candidata. Contudo, a ex-ministra do governo de seu pai, a senadora Tereza Cristina (PP-MS), declinou do convite nesta quarta-feira (22).

Além disso, Flávio voltou a atacar as urnas eletrônicas usando informações mentirosas durante reunião com diplomatas nesta terça-feira (21). Segundo ele, as urnas eletrônicas brasileiras seriam feitas por uma empresa envolvida em um plano de fraude do governo venezuelano nas eleições de 2012. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já desmentiu essa informação e afirmou que a notícia falsa circula nas redes sociais desde as eleições de 2018.

Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, o cientista político Paulo Roberto de Souza destaca que as declarações de Flávio com relação às urnas eletrônicas são mais uma prova de que o bolsonarismo e a extrema direita brasileira não têm qualquer comprometimento com a democracia e o respeito às instituições.

“Cada vez mais fica claro que, inclusive as nossas leis, tanto do sistema político-partidário e eleitoral, quanto as próprias leis criminais podem não dar conta dessa extrema direita”, afirma.

Souza também ressalta a hipocrisia de contestar o sistema que o elegeu. “Ele não contestou quando venceu como senador. As urnas só funcionam no Rio de Janeiro? Não funcionam em outros lugares? Funcionou para eleger o pai dele presidente da República. Mas aí, quando ele perde, não funciona mais”, ironiza.

O cientista político também alerta que essas movimentações indicam quais serão os artifícios usados pela extrema direita no processo eleitoral brasileiro, ainda mais em um cenário que se mostra cada vez mais desfavorável a uma vitória de Flávio Bolsonaro.

“A gente já vê uma articulação com discursos que, inclusive, vêm dos Estados Unidos, já veio do (secretário de Estado) Marco Rubio, do presidente (Donald) Trump, de contestar o nosso sistema de urnas eletrônicas. Já há indícios de que, novamente, uma vez derrotada, a extrema direita vai tender a contestar o resultado, mesmo que de forma tímida”, reforça.

Sobre a recusa de Tereza Cristina para ser candidata a vice na chapa do senador, Souza avalia que é mais um revés para a já fragilizada candidatura dele.

“O principal é como isso foi publicizado pelo Flávio e por seus aliados, simplesmente como uma estratégia excessivamente utilitarista para dizer: ‘Veja, nós não somos contra a mulher. Aqui temos até uma mulher’. E isso se complica na medida em que Michelle Bolsonaro fez o vídeo que fez. Você tem um racha interno nessa extrema direita, com posicionamentos muito críticos ao Flávio, como o caso da senadora Damares Alves”, reforça.

Para o analista, Flávio se vê diante de um novo e difícil desafio: encontrar alguém politicamente relevante, com capital político acumulado e que tope se aventurar nessa candidatura. “O cálculo político tende a ser muito mais cuidadoso. Isso abre caminho para uma última possibilidade: tentar alçar como vice uma outsider, alguém de fora do campo político que possa aceitar essa empreitada com Flávio Bolsonaro. Nesse caso, o cálculo político dessa pessoa seria o de que ela tem pouco capital político e pode se beneficiar, ainda que minimamente, dessa candidatura”, conclui.

Acabou a mamata

O cientista político Paulo Roberto de Souza também comentou sobre a demissão do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que mantinha o cargo de escrivão da Polícia Federal (PF). Apesar da demora em acontecer o desligamento, segundo ele, é importante institucionalmente que isso tenha ocorrido. “Tudo caminha para que, nesse caso, a justiça seja feita e ele perca mais uma das mamatas que eles tanto criticam”, afirma. “É o Estado brasileiro se manifestando.”

Nesta semana, Eduardo recebeu uma benesse do governo estadunidense: o green card, que é uma permissão para moradia no país. Souza avalia que a decisão é meramente política, diante do cenário em que o ex-deputado se encontra, e busca garantir a liberdade e a permanência nos EUA de um aliado do projeto de dominação da América Latina pela extrema direita.

“A decisão tem um caráter muito óbvio de proteção de um aliado internacional do governo Trump e do Marco Rubio, que é quem mais está articulando a extrema direita latino-americana e que fala do interesse dos EUA de atuar e interferir em eleições, inclusive nas brasileiras”, pontua.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Rodrigo Gomes

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