As cerca de 600 famílias que ocupam uma área da União em São Sebastião, região administrativa do Distrito Federal, permanecem no acampamento Leidiane Ribeiro após o despejo previsto para esta sexta-feira (24) ter sido adiado. De acordo com o Movimento Nacional de Luta pela Moradia (MNLM), a mobilização dos moradores e o diálogo com parlamentares garantiram mais cinco dias para a continuidade das negociações.
O anúncio foi feito durante uma assembleia realizada no acampamento com a presença dos deputados distritais Ricardo Vale (PT) e Gabriel Magno (PT), que acompanham as tratativas desde o início da ocupação.
Em publicação nas redes sociais, o movimento anunciou que conseguiu impedir o despejo previsto para esta sexta. “Conseguimos derrubar o despejo administrativo que estava previsto para ocorrer hoje. Através da nossa garra, conquistamos mais cinco dias para seguir articulando e resistindo, até conseguir nossos objetivos”, diz a nota.
Ao Brasil de Fato DF, o deputado Gabriel Magno ressaltou a mobilização das famílias e das negociações entre parlamentares, a Secretaria do Patrimônio da União (SPU) e o Governo do Distrito Federal. “Conseguimos adiar o despejo violento que estava previsto para hoje. É uma importante vitória da mobilização social e da articulação para evitar uma ação truculenta contra os moradores da ocupação, que estão em situação de vulnerabilidade”, disse.
Magno informou que, durante a reunião de mediação, foram discutidos o histórico e a destinação da área, além da interlocução com a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP-DF). De acordo com o parlamentar, a pasta emitiu o Ofício nº 90/2026 à SPU formalizando o cancelamento das atividades de desocupação coercitiva programadas para esta sexta.
“A decisão liminar continua vigente, mas o cumprimento coercitivo imediato foi suspenso para dar mais tempo às famílias. Ficou acertado que a Polícia Militar e o DF Legal não farão nenhuma entrada abrupta antes da citação formal de todas as partes. O prazo para saída voluntária foi estendido para cinco dias, contados a partir dessa citação oficial, o que nos dá um respiro fundamental para avançar nas negociações”, afirmou.
Novo prazo para diálogo
Ricardo Vale, que também participou das negociações, destacou que a suspensão da operação abre uma nova etapa de diálogo com o governo federal. “Com a suspensão do despejo, abre-se um novo prazo para que, por meio do diálogo institucional com o governo federal, especialmente com a SPU, seja encontrada uma solução definitiva para as famílias que ocupam a área”, declarou.
O movimento voltou a cobrar uma posição da União e defendeu que o imóvel seja destinado à habitação de interesse social. “A Secretaria do Patrimônio da União, proprietária do imóvel, precisa parar de se acovardar e impedir a grilagem de terras que tem ocorrido nesse imóvel público. As famílias precisam permanecer na terra até que se tenha uma solução definitiva e o imóvel não seja mais grilado”, afirmou o MNLM.
A ocupação teve início no último dia 18 e reúne famílias que reivindicam a destinação da área para habitação de interesse social. Na última quinta-feira (23), a Justiça do Distrito Federal concedeu liminar de reintegração de posse, estabelecendo prazo para a desocupação voluntária. A decisão continua válida, mas o cumprimento coercitivo foi suspenso para garantir a citação formal das partes e ampliar o prazo para as negociações.
O outro lado
O Brasil de Fato DF procurou a Secretaria do Patrimônio da União (SPU) para comentar as negociações e esclarecer o papel do órgão na mediação, mas até o fechamento desta matéria, não houve retorno. O espaço permanece aberto para manifestação.
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