Luta por moradia

Famílias que ocupam área da União no DF sofrem ameaça de despejo 

Acampamento reúne centenas de pessoas há uma semana; MNLM denuncia grilagem de terra no local

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Vista geral do acampamento Leidiane Ribeiro, em São Sebastião, onde centenas de famílias do Movimento Nacional de Luta pela Moradia (MNLM) reivindicam o acesso à moradia digna.
Acampamento Leidiane Ribeiro, em São Sebastião, reúne centenas de famílias por moradia digna | Crédito: Divulgação MNLM

Há uma semana, centenas de famílias do Movimento Nacional de Luta pela Moradia (MNLM) ocupam uma área da União em São Sebastião, Região Administrativa do Distrito Federal, em busca de acesso à moradia digna. O acampamento Leidiane Ribeiro reúne atualmente cerca de 800 famílias em situação de vulnerabilidade.

A área pertence à Secretaria do Patrimônio da União (SPU) e, de acordo com o movimento, foi ocupada para reivindicar sua destinação à habitação de interesse social e denunciar a atuação de grileiros na região. O caso vem sendo acompanhado por representantes do governo federal, do Governo do Distrito Federal (GDF) e por parlamentares que atuam na mediação entre famílias e o poder público.

Nesta quinta-feira (3), a Justiça de São Sebastião determinou a reintegração de posse em favor de um casal que alega exercer posse sobre a área de aproximadamente 15 hectares. A decisão da 2ª Vara Cível deu prazo de cinco dias para desocupação voluntária, sob pena de cumprimento coercitivo com apoio de força policial.   

Os integrantes do acampamento reivindicam acesso a moradias dignas, e denunciam interesses privados sobre a terra. “Não se trata de invasão. É apenas uma ocupação para proteger terras da União de ações de posseiros e grileiros de terras”, afirma Daniel de Faria, um dos moradores.

“A ocupação é uma resposta à política habitacional do Distrito Federal, que não tem dado conta da enorme demanda existente, deixando milhares de famílias reféns da grilagem de terras, dos altos preços dos aluguéis e da moradia precária”, afirma em nota o MNLM.

Segundo a organização, o objetivo da ocupação é garantir que o imóvel público cumpra a sua função social. “O presidente Lula disse que imóvel ocioso tem que ser destinado para moradia popular e políticas públicas para a população pobre. Seguimos essa orientação e vamos continuar na luta”, diz o movimento.

Reintegração de posse

O deputado distrital Ricardo Vale (PT), que acompanha as negociações entre o movimento, a SPU e o GDF, afirmou ao Brasil de Fato DF que busca evitar uma desocupação com uso da força e garantir a abertura de diálogo entre as partes. A reintegração de posse ainda cabe recurso na Justiça do DF.

“Diante do pedido de ajuda do movimento social envolvido, atuamos para adiar a execução do despejo e abrir diálogo com o governo federal, buscando uma solução que evitasse violência contra as famílias e que respeitasse o direito à moradia digna”, disse.

Segundo o parlamentar, a Justiça decidiu pela desocupação da área. “Nossa atuação se concentra em garantir que o processo ocorra sem violência. Continuaremos acompanhando os desdobramentos e disponíveis à comunidade na defesa do direito à moradia dessas famílias”, afirmou.

Déficit habitacional

Para o deputado distrital Gabriel Magno (PT), a ocupação evidencia a crise habitacional enfrentada pelo Distrito Federal.

“A ocupação é, obviamente, legítima. É uma pressão que o movimento social faz para forçar o Estado a cumprir a Constituição Federal e garantir o direito à moradia”, afirmou ao Brasil de Fato DF.

Segundo o parlamentar, a área é alvo de disputas fundiárias há mais de uma década. “Desde 2013 há judicialização. Em 2024, foi resolvida a questão da posse, ou seja, é uma área que pertence à União”, declarou.

Magno também afirma que o terreno tem sido alvo de especulação imobiliária e da atuação de grileiros. Para ele, além de reivindicar moradia, a ocupação busca proteger um espaço público. 

“O movimento faz a ocupação inclusive para denunciar e proteger o patrimônio público, já que aquela terra pertence à União”, declarou. 

O deputado relaciona a mobilização ao déficit habitacional do DF. Segundo ele, mais de 100 mil pessoas aguardam o acesso à moradia no Distrito Federal e faltam políticas públicas capazes de atender essa demanda.

“O movimento está tentando alertar a sociedade para o enorme déficit habitacional e para a falta de políticas públicas. Hoje há cerca de 800 famílias na ocupação. Elas vão para onde?”, questionou.

Magno informou ainda que acompanha as negociações junto à SPU e ao governo federal e defende que não haja retirada das famílias sem esgotar todas as frentes de diálogo.

Outro lado

O Brasil de Fato DF procurou a Secretaria do Patrimônio da União (SPU) para esclarecer a situação da área, informar o estágio das negociações e comentar as reivindicações das famílias. Até o fechamento desta edição, não houve retorno. O espaço permanece aberto para manifestação.


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Editado por: Clivia Mesquita

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