SOLIDARIEDADE

Alba Movimentos homenageia vítimas do terremoto e da agressão estadunidense contra a Venezuela

Há dois meses do duplo terremoto que atingiu o país, brigada de jovens latino-americanos visita áreas atingidas

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Brigada Fidel Castro, da Alba Movimentos, visitou o mausoléu dos heróis venezuelanos e cubanos, caídos no ataque militar dos Estados Unidos contra o país em 3 de janeiro.
Brigada Fidel Castro, da Alba Movimentos, visitou o mausoléu dos heróis venezuelanos e cubanos, caídos no ataque militar dos Estados Unidos | Crédito: Leonardo Fernandes/Brasil de Fato

Dois meses após o duplo terremoto que atingiu a Venezuela no dia 24 de junho, os trabalhos de retirada dos escombros acontecem 24 horas por dia. Em meio às marcas deixadas pela força da natureza, a solidariedade faz caminho na Venezuela. Trinta jovens militantes de nove países da América Latina cruzaram fronteiras com uma missão: ver de perto a realidade e estender a mão ao povo venezuelano.

Vittória Paz, militante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), é uma das integrantes da Brigada Internacionalista Fidel Castro, organizada pela Alba Movimentos, que percorreu as áreas mais afetadas pelo sismo na região de La Guaira e às margens do mar do Caribe, e prestou homenagens às mais de 6.500 vítimas da tragédia. 

“Viemos aqui até La Guaira para entender e andar pelo chão que foi mais afetado pelo terremoto. Para entender o nível de destruição de verdade, poder ver e sair da narrativa que os meios de comunicação hegemônicos trazem para a gente. Mas também entender o nível de organização popular, de organização por parte do governo que está apoiando, ajudando e contando ainda os seus mortos. Então a nossa vinda aqui tem um sentido político”, destaca a militante sem-terra.

“A nossa vinda aqui é para trazer solidariedade, para pensar a solidariedade, pensar o que a gente pode de fato escutar do pessoal aqui, o que a gente pode fazer e o que a gente pode, dos nossos países, trazer apoio e transformar nossa solidariedade de fato em ação”, completa.

Trinta internacionalistas de nove países da América Latina visitaram as áreas afetadas pelo duplo terremoto de 24 de junho.
Trinta internacionalistas de nove países da América Latina visitaram as áreas afetadas pelo duplo terremoto de 24 de junho | Crédito: Leonardo Fernandes/Brasil de Fato

Heróis de 3 de janeiro

O compromisso da juventude internacionalista também passa pela memória. Em Caracas, a brigada visitou o memorial aos caídos durante o bombardeio e invasão militar dos Estados Unidos, ocorrido no dia 3 de janeiro, uma agressão que culminou no sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cília Flores. Para Máximo Echaniz, internacionalista da Argentina, sentimentos de indignação e orgulho se misturam. 

“Estamos aqui de visita em Caracas, no mausoléu dos heróis de 3 de janeiro, buscando prestar uma homenagem a essas pessoas que deram a sua vida por uma pátria libertada, por um país que busca constantemente a emancipação do seu povo e dos povos do mundo”, diz o jovem, emocionado. 

“É um sentimento que mistura orgulho com uma profunda tristeza pelas pessoas que continuamos perdendo, pela quantidade de vidas que continuamos entregando, porque o sangue somos nós que sempre colocamos. Tristemente, tem sido assim em toda a história da luta de classes. Mas também sinto um profundo orgulho de pensar que ainda existe gente que dá a vida por uma causa, e que somos muitos. Isso me alegra muito e me comove”, relata Echaniz. 

Longe das lentes distorcidas da grande mídia, a Venezuela do dia a dia resiste ao bloqueio econômico e segue insistindo no socialismo como único caminho possível para o futuro do país. O que surpreendeu o argentino Leonel Renner, militante do movimento Nuestra América.

“Foi uma experiência muito mobilizadora e muito enriquecedora. Acho que o primeiro ponto importante, com a campanha de comunicação que a Venezuela tem contra si, principalmente promovida pelos Estados Unidos, é que estar na terra de Bolívar, se encontrar com o povo venezuelano, permite compreender realmente como é o processo internamente, por que realmente ele se mantém, com o apoio popular que tem, o nível de organização e o nível de consciência política que gerou nesse povo, o que, para os demais países da América Latina, é algo verdadeiramente surpreendente”, conta o internacionalista.

A passagem da Brigada Fidel Castro pela Venezuela não se encerra no retorno dos jovens aos seus países. Ela se converte em trincheira de ideias, no combate à desinformação e na certeza de que a solidariedade é, acima de tudo, ação, como conta Karen Vargas, internacionalista do México.

“Foram dez dias de muito aprendizado, de ver a Venezuela como um farol de esperança para a América Latina. Nossa tarefa como organizações é seguir o legado e seguir exigindo a libertação de Maduro e Cilia Flores a partir de nossos países e de nossos territórios”, afirma.

“O povo venezuelano continua resistindo com muita resiliência e muita esperança e está se levantando porque soube fazer comunidade e é comunidade. E, como um povo que se une, continua resistindo, juntos e juntas, e está seguindo em frente”, agrega a jovem mexicana.

Editado por: Rafaella Coury

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