A Brigada Internacionalista de Juventudes Fidel Castro publicou sua declaração final após 11 dias de visita à Venezuela. A iniciativa, organizada pela Alba Movimentos, reuniu 30 militantes de organizações populares vindos de nove países da América Latina, incluindo o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) do Brasil.
O manifesto divulgado pelos jovens faz uma análise profunda da conjuntura geopolítica da região e convoca os jovens latino-americanos a resistir. “Ser a juventude do ano do centenário de Fidel, e no ano do bicentenário do Congresso Anfictiônico do Panamá, nos traz uma responsabilidade e uma tarefa histórica. Retomar nossa história, a história de resistência da nossa região, das nossas organizações e nossas lideranças, nos traz força e, sobretudo, nos traz um horizonte possível: o socialismo”, afirma o comunicado.
“Nesses 11 dias em que estivemos em Caracas, estudamos, caminhamos pelas ruas, conversamos com as pessoas e buscamos entender a realidade do ponto de vista mais natural e concreto. Estudamos sobre o feminismo popular e comunal, sobre a história da Revolução e a sua atualidade, aprendemos sobre a história da Alba Movimentos e como essa história fala sobre a história de luta e resistência em toda a América Latina e Caribe. Aprendemos sobre as comunas, a economia, história e processos organizativos no seio da revolução e por aqueles que a constroem diariamente”, relata.
A carta alerta para o avanço de governos de extrema direita em países como Chile, Argentina, Colômbia, Equador e El Salvador. Nesse cenário de disputa, a juventude destaca a importância de manter posições progressistas, como a presidência de Lula no Brasil e de Claudia Sheinbaum no México, para equilibrar a correlação de forças no continente.
Os militantes denunciam o que classificam como ofensiva imperialista na região, apontando o saque de bens naturais e a imposição da Doutrina Monroe. “A decadência do império não vem com poucas consequências. A intensificação da violência por meio do aumento da militarização nos nossos países, violência essa que busca corpos negros, corpos das mulheres, corpos das juventudes para atacar. O saque dos nossos bens naturais segue vigente, e como um dos principais motores da aceleração da entrada dos governos de extrema direita”, diz o texto.
A declaração repudia veementemente a agressão militar ocorrida na Venezuela em 3 de janeiro de 2026, que resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro e de Cília Flores. “Na Venezuela, que é um dos países que mais produzem petróleo no mundo, passaram anos buscando derrubar a Revolução Bolivariana com golpes, bloqueios e tentativas de gerar crises políticas, e por meio do questionamento em torno das eleições. Não conseguiram derrubar, então decidiram que era o momento de atacar”, afirmam os jovens no documento publicado. “Não sequestram apenas essas duas pessoas, mas um país inteiro e nosso continente”, completam.
O bloqueio econômico de mais de 60 anos contra Cuba também é classificado pelos jovens como criminoso. “Valente povo cubano, que sempre viveu sabendo das dificuldades impostas pelo imperialismo, hoje vive uma situação cada vez mais difícil e limitante, no pior momento do bloqueio e da escassez de matéria-prima e produtos na ilha. Eles buscam quebrar Cuba de maneira silenciosa e por dentro, ameaçam Raul Castro, histórico líder da Revolução Cubana, e visam criar pânico na população”, alerta a carta aberta.
Ao final do documento, a brigada assumiu diversos compromissos políticos. Entre as principais resoluções estão o fortalecimento dos laços com a Revolução Bolivariana, a difusão da verdade sobre a Venezuela para combater o cerco midiático e a solidariedade permanente às lutas dos povos do Haiti e da Palestina. Os jovens também se comprometeram a impulsionar o feminismo popular e a formação constante da juventude em suas organizações de origem.
“Seguiremos levando adiante o legado de Chávez e Fidel. E do abraço que nos trouxe juntos, seguiremos levando em frente, adiante, a solidariedade como ação concreta. Seguiremos levando adiante nossa responsabilidade e solidariedade para com os povos do mundo e a construção do socialismo, até que todo o nosso continente seja vermelho. Aqui ninguém se rendeu e Chávez segue vivo nas ruas, paredes e nos corações”, finaliza o texto.
Leia a íntegra do comunicado:
Declaração da Brigada Internacionalista de Juventudes Fidel Castro
Somos los hijos de Guevara
Hijos de Chávez y Fidel
Luchando por la patria liberada
Unido combatiendo hasta vencer
Porque Chávez no se fue
Aqui nadie se rindió
Patria grande para la liberación
Acá está la juventud
Combatiendo al capital
A Maduro y Cilia vamo a liberar
(Brigada Internacionalista de Juventudes Fidel Castro, da ALBA Movimentos)
Nós somos a Brigada Internacionalista de Juventudes Fidel Castro, da ALBA Movimentos, reunindo 30 jovens, de 10 países distintos, que durante 11 dias estivemos em um processo de estudo, formação e solidariedade em Caracas, na Escola Nacional Robinsoniana. Somos jovens vindos do Panamá, Brasil, México, Honduras, El Salvador, Chile, Colômbia, Guatemala, Argentina e Venezuela. Somos parte de 32 organizações distintas, movimentos urbanos, campesinos, sindicatos, movimentos de juventude e estudantis, de mulheres e partidos políticos. E, com muito orgulho, nomeamos nossa brigada em homenagem ao comandante da Revolução Cubana, Fidel Castro.
Há mais de 20 anos, um abraço entre Fidel Castro e Hugo Chávez deu início a uma história de unidade entre os povos da América Latina e Caribe. Hoje, vivendo o centenário de Fidel Castro, ante uma conjuntura que se coloca cada vez mais agressiva e voraz aos nossos países, faz-se necessário manter viva a história para pensar a união contra inimigos comuns do nosso continente: o imperialismo e suas formas de atuar.
Ser a juventude do ano do centenário de Fidel e no ano do bicentenário do Congresso Anfictiônico do Panamá, nos traz uma responsabilidade e uma tarefa histórica. Retomar nossa história, a história de resistência da nossa região, das nossas organizações e nossas lideranças, nos traz força e, sobretudo, nos traz um horizonte possível: o socialismo.
Em nossa região continental, vivemos um ascenso dos governos de extrema direita, com Kast no Chile, Milei na Argentina, Espriella na Colômbia, Rodrigo Paz na Bolívia, Fujimori no Peru, Daniel Noboa no Equador e Bukele em El Salvador. No Brasil, Jair Bolsonaro, apesar de preso, continua mobilizando sua base em seu favor, fazendo com que as eleições que vão acontecer nos próximos meses sejam decisivas no nosso continente. Manter Lula no governo e poder, com Claudia Sheinbaum no México, é de extrema importância para as nossas lutas e a correlação de forças.
A decadência do império não vem com poucas consequências. A intensificação da violência por meio do aumento da militarização nos nossos países, violência essa que busca corpos negros, corpos das mulheres, corpos das juventudes para atacar. O saque dos nossos bens naturais segue vigente, e como um dos principais motores da aceleração da entrada dos governos de extrema direita.
A disputa tecnológica que vivemos atualmente, com a crise energética devido às guerras e conflitos em outras regiões, faz do nosso continente um espaço visado pelo império. Assim, eles buscam retomar a história deles e reorganizar planos, como no caso da Doutrina Monroe.
Seguem em curso os projetos colonizadores, especialmente na região do Caribe, como no caso de Porto Rico, além da manutenção da constante crise no Haiti, fruto de anos de exploração, roubo e interferências militares.
Na Venezuela, que é um dos países que mais produzem petróleo no mundo, passaram anos buscando derrubar a Revolução Bolivariana com golpes, bloqueios e tentativas de gerar crises políticas, e por meio do questionamento em torno das eleições. Não conseguiram derrubar, então decidiram que era o momento de atacar. Assim, no dia 3 de janeiro de 2026, eles entram no país, usando suas melhores e mais modernas armas, derrubam combatentes venezuelanos e 32 combatentes cubanos, causando pânico e dor na população, e assim sequestram o presidente constitucional da República Bolivariana, Nicolás Maduro, e a primeira combatente, primeira-dama e deputada da Assembleia Nacional, Cília Flores. Não sequestram apenas essas duas pessoas, mas um país inteiro e nosso continente.
Em Cuba, após 60 anos de um bloqueio econômico e energético criminoso, o valente povo cubano, que sempre viveu sabendo das dificuldades impostas pelo imperialismo, hoje vive uma situação cada vez mais difícil e limitante, no pior momento do bloqueio e da escassez de matéria-prima e produtos na ilha. Eles buscam quebrar Cuba de maneira silenciosa e por dentro, ameaçam Raul Castro, histórico líder da Revolução Cubana, e visam criar pânico na população.
A região da América Latina e Caribe, além de ser rica em recursos naturais, que fazem os olhos do império brilhar, é também uma região de lutas históricas, de revoluções e de um povo que resiste até o fim. Ou seja, um povo que ameaça a hegemonia atual. Essa história de luta, que tenta ser apagada pelos imperialistas, faz parte do projeto político deles de dominação da nossa região, mas eles subestimam o poder da resistência de um povo que sabe por que luta e que também sabe em qual projeto político acredita.
Nossas vidas seguem marcadas pelo neoliberalismo em todo o continente, em que formas individualistas de viver são vistas como solução para os problemas coletivos. Onde a tendência é o individualismo e a depredação, a manutenção de controle, ter revoluções como vizinhas é uma ameaça sem precedentes para os canibais.
É diante desse contexto de violência, agressões constantes e busca pela desestabilização que viemos conhecer a Revolução Bolivariana. Nesses 11 dias em que estivemos em Caracas, estudamos, caminhamos pelas ruas, conversamos com as pessoas e buscamos entender a realidade do ponto de vista mais natural e concreto. Estudamos sobre o feminismo popular e comunal, sobre a história da Revolução e a sua atualidade, aprendemos sobre a história da ALBA Movimentos, e como essa história fala sobre a história de luta e resistência em toda a América Latina e Caribe. Aprendemos sobre as comunas, a economia, história e processos organizativos no seio da revolução e por aqueles que a constroem diariamente.
Fomos recebidos pela deputada Tânia Diaz, pelo PSUV, pelo Instituto Simón Bolívar, pela ministra da Juventude, assim como pela juventude do partido. Escutamos da institucionalidade, entendemos os projetos políticos vigentes, a atenção e apoio à população e, sobretudo, à juventude desse país.
Visitamos o cemitério e prestamos homenagens aos combatentes caídos no 3 de janeiro. Conversamos com as pessoas impactadas, ouvimos as histórias, sentimos suas dores. Plantamos árvores com o Partido Verde como símbolo do renascimento, do cultivo e da renovação.
Caminhamos nas comunas El Panal, 5 de Março e Circuito Comunal Ezequiel Zamorra. Escutamos e nos emocionamos com as histórias contadas pelo povo venezuelano sobre o comandante Chávez e o presidente Maduro. Histórias de construções coletivas, de avanços ao longo dos anos por meio do fortalecimento do poder popular, e as histórias também em torno do atentado de 3 de janeiro. Escutamos o povo pedindo a volta do seu presidente e primeira-dama.
Fomos à La Guaira, estado mais atingido pelos terremotos do dia 24 de junho de 2026. Caminhamos em meio aos escombros, vimos imagens que carregaremos para sempre; tamanha era a dor. Mas também vimos um nível de solidariedade, de ação e de trabalho em conjunto que também nunca havíamos visto antes, por parte da população e do governo. Entendemos o poder do enraizamento de um projeto político que transforma as relações humanas.
Passamos três dias em acampamentos temporários transitórios no Distrito Capital; são eles: Acampamento Transitório Luis Hurtado Higuera, em El Junquito; Acampamento Transitório Narciso Gonell, em Cátia La Mar; Acampamento Temporário de Adultos e Adultas Maiores e Posto de Atenção Social Integral, no estado La Guaira. Trabalhamos e ajudamos o povo, trabalhamos nas cozinhas, conversando com as pessoas, brincando com as crianças. Podemos sentir e entender a base material e a concretude de um projeto de governo, que tem, a partir do fortalecimento dos territórios e do povo que aí vive, o seu ponto mais forte. Entendemos melhor o processo de tentativa de gerência imperialista nos abrigos e acampamentos por meio das ONGs e repudiamos tais atos. A soberania popular segue viva, ainda em meio a um momento de tanta dor, e somos testemunhas disso.
Trouxemos em nossas malas medicamentos, recebemos insumos de antibióticos, corticoides, analgésicos, insumos médicos, kit de higiene pessoal para as mulheres, leite em pó para as crianças, fraldas para adultos e crianças e kits de emergência, arrecadados em nossos países, e levamos para os abrigos temporários.
Enquanto eles buscam seus velhos métodos e estratégias, nós afirmamos que não permitiremos que a história se repita. Não é a história de golpes, saques, ataques e massacres; é a história de degradação dos nossos países, de busca de esgotamento das nossas forças, das nossas vidas, economia e sociedade.
A única história que deixaremos que se repita é a história das revoluções, lutas, guerrilhas, das brigadas de solidariedade e a história de unidade entre os povos.
Diante de todas essas questões, declaramos que:
– Reforçamos os laços de solidariedade entre nossas organizações e a Revolução Bolivariana, e os partidos e organizações que compõem o capítulo venezuelano da ALBA, assim como com a juventude do país;
– Reforçamos nosso compromisso em comunicar a realidade do povo venezuelano, e combater o discurso hegemônico que busca debilitar a Revolução Bolivariana;
– Reforçamos a unidade entre a Revolução Cubana e Venezuelana, assim como nossa solidariedade irrestrita às Revoluções e nossos faróis socialistas;
– Reforçamos as nossas campanhas permanentes de solidariedade ao Haiti e à Palestina;
– Reforçamos a cartilha da ALBA, aprovada na IV Assembleia Continental, em 2026, em Cuba, assim como o debate político atualizado, os eixos de trabalho e as tarefas postas para nossas organizações e a juventude da ALBA;
– Reforçamos a construção de novas relações políticas emancipadoras, e do feminismo popular com o recorte de raça e classe;
– Reforçamos nosso compromisso com a responsabilidade das tarefas que nos são dadas enquanto brigadistas, e da continuidade desse compromisso, com a reprodução do processo formativo que passamos aqui em meio às comunas e acampamentos, e a responsabilidade de levar à nossos países, organizações e territórios o internacionalismo popular;
– Reforçamos nosso compromisso com a renovação de quadros nas nossas organizações, com a formação constante da nossa juventude;
– Reforçamos a necessidade da unidade continental anti-imperialista, com o socialismo como meta em comum, como única forma possível de resistir e combater o imperialismo decadente.
Seguiremos levando adiante o legado de Chávez e Fidel. E do abraço que nos trouxe juntos, seguiremos levando em frente, adiante, a solidariedade como ação concreta.
Seguiremos levando adiante nossa responsabilidade e solidariedade para com os povos do mundo e da construção do socialismo, até que todo o nosso continente seja vermelho. Aqui ninguém se rendeu e Chávez segue vivo nas ruas, paredes e nos corações.
Organizações participantes da Brigada de Juventudes da Alba Fidel Castro: Movimiento Estudiantil Liberación – Corriente Nuestra Patria, Movimiento Evita, OLP Resistir y Luchar, Sindicato Canillitas, NODAL, Nuestramerica Movimiento Popular, Movimiento Sin Tierra (MST), MODATIMA Wallmapu, Congreso de los Pueblos – Plataforma Estudiantil APELEAR, Fuerza Estudiantil Salvadoreña (FES), Frente Farabundo Martí Para la Liberación Nacional (FMLN) Comité de Reconstrucción y Desarrollo Económico Social de Comunidades de Suchitoto (CRC), Bloque de Resistencia y Rebeldía Popular, Centro de Estudios Schafik Handal, Comité de Unidad Campesina (CUC), Mujeres Socialistas de Honduras, Bases Unidas, Movimiento Estudiantil Revolucionario – Lorenzo Zelaya, Casa Tecmilco, Instituto Nacional de Formación Política de Morena, Suntracs.
Organizações do capítulo venezuelano da Alba Movimentos: Movimientos de Pobladores y Pobladoras, Calistenia Cultural, La Minka, Movimiento Otro Beta, La Otra Escuela, Red de Trabajadores del Movimiento Somos Venezuela, Frente Francisco de Miranda, Frente Patriótico Alexis Vive, Cumbe Nacional Afrovenezolano, Escuela de Cuadros, Partido Verde y Faldas R, Movimiento Nacional de Amistad y Solidaridad Mutua Venezuela-Cuba.
25 de agosto de 2026, Caracas, Venezuela.
