Fronteira em alerta

Mortos por inundação no Nepal e no Tibete sobem para 362; premiê chinês visita área atingida

China ampliou o efetivo mobilizado na fronteira com o Nepal, com militares, bombeiros e equipes de engenharia

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Uma inundação devastadora atinge edifícios no posto de fronteira de Gyirong, na fronteira entre a China e o Nepal, em 26 de agosto de 2026.
Uma inundação devastadora atinge edifícios no posto de fronteira de Gyirong, entre a China e o Nepal, em agosto de 2026 | Crédito: Xinhua

O número de mortos na inundação que atingiu o Nepal e o Tibete, na China, subiu para 362, com 1.384 pessoas ainda desaparecidas, segundo balanços atualizados nesta quinta-feira (27) pelos dois países. No lado nepalês, a polícia contabiliza 359 mortos e 826 desaparecidos distribuídos por oito distritos. No lado chinês, na Região Autônoma do Tibete, autoridades locais confirmam três mortos e 558 desaparecidos, dos quais 260 são estrangeiros.

Em Gyirong, no Tibete, o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, acompanhou as operações de resgate nesta quinta-feira. O governo central determinou prioridade para a busca dos desaparecidos, o atendimento aos feridos e a retirada de moradores de áreas ameaçadas — linha que segue a determinação do presidente Xi Jinping, que já havia ordenado uma operação de resgate em larga escala logo após o desastre, na quarta-feira (26).

A China ampliou, nas últimas horas, o efetivo mobilizado na região da fronteira com o Nepal. Segundo o jornal Global Times, um primeiro grupo de 141 socorristas já havia chegado ao posto de Gyirong na manhã desta quinta, e um helicóptero Mi-171 adaptado para operações em grande altitude também alcançou a área. Um voo fretado levou outros 111 integrantes de equipes de busca e resgate, com equipamentos para detecção, resgate, demolição e comunicação.

Ainda de acordo com o jornal, outras 300 pessoas das bases de resgate de engenharia de Lhasa e Chengdu foram deslocadas para o local, com 120 conjuntos de equipamentos. Um avião de transporte militar Y-20 também foi enviado, carregando um grupo de comando da Região Militar do Tibete para reforçar a coordenação das operações; ao meio-dia, mais dois helicópteros do Comando Militar do Tibete se somaram às buscas, levando equipamentos médicos e de resgate.

O governo chinês destinou 120 milhões de yuans (cerca de R$ 89 milhões) para as operações de emergência no Tibete e outros 100 milhões de yuans (aproximadamente R$ 74 milhões) para a recuperação e reconstrução das áreas atingidas.

Buscas seguem no Nepal

No Nepal, a inundação começou na manhã de quarta-feira (26) na região de Rasuwa, no norte do país, e avançou pelos rios Bhote Koshi e Trishuli até atingir oito distritos, destruindo casas, estradas e pontes. Helicópteros seguem sendo usados para retirar moradores isolados e levar equipes e suprimentos a localidades que não podem ser alcançadas por terra.

A Polícia do Nepal distribui as 359 mortes por oito distritos: 17 em Rasuwa, onde o fenômeno começou e estradas e pontes foram destruídas, isolando comunidades; 28 em Nuwakot; 33 em Dhading; 132 em Chitwan; 30 em Gorkha; 22 em Tanahun; 82 em Nawalparasi East e 15 em Nawalparasi West.

Entre os desaparecidos no país estão 85 integrantes das forças de segurança nepalesas. O Nepal Tourism Board havia registrado 644 turistas e viajantes sem contato — 517 estrangeiros, de 32 países, e 127 nepaleses —, além de moradores e trabalhadores, chegando aos 826 desaparecidos. Os indianos formam o maior grupo entre os estrangeiros não localizados, com 178 pessoas; também há estadunidenses, ucranianos, malaios, australianos, britânicos, canadenses, japoneses, sul-coreanos e russos, muitos deles em rotas de trekking e de peregrinação que levam ao Tibete e ao Monte Kailash.

O desastre foi provocado pelo colapso de uma geleira, que desencadeou o fluxo de água, gelo, rochas e detritos pelos vales da região. O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) chegou a identificar um sinal sísmico associado ao episódio, mas descartou posteriormente que se tratasse de um terremoto. Especialistas mantêm o alerta para o risco de uma nova inundação: um bloqueio se formou em um rio na região fronteiriça entre Nepal e China, e autoridades também monitoram, no lado tibetano, uma área represada pela movimentação de terra e gelo.

O porto de Gyirong, uma das principais conexões terrestres entre China e Nepal, também foi atingido pela inundação. A passagem já havia sido afetada por outra grande enchente em 2025.

Rasuwa e Gyirong estão separadas pela fronteira, mas fazem parte de um mesmo sistema de rios que desce das montanhas. O Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado das Montanhas (Icimod) defende o compartilhamento de dados entre Nepal, China e outros países do Hindu Kush-Himalaia e o fortalecimento dos sistemas de alerta precoce na região, já que informações sobre o nível dos rios e as condições das encostas podem ser decisivas para comunidades rio abaixo, mesmo quando o fenômeno começa no território do país vizinho.

As buscas continuavam nesta quinta-feira nos dois lados da fronteira. No Nepal, equipes percorriam as margens dos rios e áreas cobertas por lama e detritos, enquanto helicópteros levavam socorristas e suprimentos às localidades isoladas. No Tibete, os trabalhos se concentravam na região de Gyirong e nas proximidades da passagem fronteiriça, onde as equipes também monitoravam as condições dos rios e das encostas.

Editado por: Rafaella Coury

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