O número de mortos após a avalanche de lama e destroços que atingiu a fronteira entre o Nepal e o Tibete, na China, subiu para 273, segundo balanços divulgados nesta quinta-feira (27) pelas autoridades dos dois países. A polícia nepalesa contabiliza 270 mortos no Nepal, enquanto a imprensa estatal chinesa informou três mortes no lado tibetano. O número é provisório e pode aumentar à medida que avançam as buscas.
Equipes de resgate procuram mais de 1.300 desaparecidos na região atingida pela enxurrada na manhã de quarta-feira (26). No Nepal, são 823 pessoas ainda não localizadas, incluindo 517 turistas estrangeiros. No lado chinês, 558 pessoas estão desaparecidas, entre elas 260 estrangeiros.
Imagens registradas por uma câmera de segurança no lado chinês mostram uma parede de lama e destroços atingindo um prédio de vários andares, enquanto dezenas de pessoas correm para escapar. A força da enxurrada também arrastou ônibus, carros, casas e estruturas de infraestrutura.
O desastre foi provocado pelo colapso de uma geleira, que desencadeou um fluxo de água, gelo, rochas e detritos pelos vales da região. O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) inicialmente identificou um sinal sísmico associado ao episódio, mas posteriormente concluiu que não se tratava de um terremoto.
No Nepal, a enxurrada atingiu o vale do rio Trishuli, no distrito de Nuwakot, ao norte de Katmandu, e o vale do Bhote Koshi, a leste da capital. Povoados inteiros foram destruídos, e estradas e pontes foram danificadas, dificultando o acesso das equipes de emergência.

O diretor da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV) no Nepal, David Fisher, afirmou que “povoados inteiros e áreas de mercado foram destruídos”.
O Exército nepalês utiliza helicópteros para resgatar sobreviventes e retirar feridos das áreas mais afetadas. As equipes também trabalham para remover pessoas que permanecem em regiões sujeitas a novas inundações.
Papa Leão XIV envia condolências ao Nepal
O papa Leão XIV enviou um telegrama de condolências ao Nepal nesta quinta-feira (27). Em documento assinado pelo secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, o pontífice afirmou ter ficado “entristecido” ao saber da “perda de vidas e da devastação” provocadas pelas enchentes.
“Ao confiar as almas dos falecidos à misericórdia do Todo-Poderoso, Sua Santidade expressa suas sinceras condolências aos enlutados, assegurando sua proximidade espiritual àqueles afetados por essa tragédia”, diz o telegrama, divulgado pela Santa Sé.
O papa também ofereceu orações pelas equipes de emergência que atuam nas operações de resgate e pediu proteção divina para todos os envolvidos. O documento não menciona as vítimas do lado chinês da fronteira.
Risco de nova inundação
Especialistas alertam para o risco de uma nova inundação devido a um bloqueio em um rio na região fronteiriça entre Nepal e China. No lado tibetano, autoridades também monitoram a formação de uma área represada pela movimentação de terra e gelo.
As inundações e os deslizamentos de terra são frequentes no sul da Ásia durante a temporada de monções, entre junho e setembro. Cientistas afirmam que as mudanças climáticas têm contribuído para o aumento da intensidade e da frequência de eventos meteorológicos extremos na região.
Com informações da AFP
