A prisão do argentino Fernando Cerimedo revelou uma rede de interferência política articulada pela extrema direita na América Latina, que conecta figuras como Donald Trump, Javier Milei e Eduardo Bolsonaro.
Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Gilberto Maringoni, professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC (UFABC), pondera que o personagem não atua de forma isolada, sendo parte de “uma teia extensa que implica o governo americano, a direita, a ultradireita israelense e vários governos da América Latina” conectada ao Escudo das Américas.
Essa estrutura, montada sob a influência de Trump, visa eleger o maior número possível de governos na América Latina, tendo o Brasil como o foco atual. “Ganhar as eleições no Brasil para ele equivale a ganhar a guerra do Iraque”, afirma.
Mesmo diante de acenos diplomáticos formais, o risco de interferência direta nos processos eleitorais latino-americanos permanece ativo por meio de canais não oficiais. Maringoni compara essa dinâmica à Operação Condor, ocorrida no sul do continente entre 1975 e 1985, apontando que a diplomacia atua em múltiplos níveis. O analista alerta que, enquanto ocorrem consultas oficiais de alto nível, existe um “baixo nível correndo solto” nos canais subterrâneos. “A extrema direita não tem burocracia. Ela não tem princípios, não tem regras a seguir, ela é muito mais imediata”, avalia.
Simultaneamente, as dificuldades e os recuos geopolíticos sofridos pelos Estados Unidos no Oriente Médio intensificam os esforços de controle sobre a América Latina. Maringoni explica que o pacto de cooperação de segurança marítima fechado entre o Irã e Omã no Estreito de Ormuz representou um revés severo, deixando o governo Trump em uma situação de desmoralização política e militar. “O Trump sai vergonhosamente derrotado dessa disputa”, reforça. Esse cenário se conecta à América Latina porque, como aponta o analista, “o Trump está desesperado em busca de uma vitória para chamar de sua, para sair do grau de desmoralização internacional que ele está vivendo”, o que acentua a ofensiva para assegurar a posse do continente.
Para ouvir e assistir
O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.
