Axé na rua

Caminhos de Exu celebra cultura e ancestralidade em Brasília no feriado de 7 de Setembro

Evento gratuito chega à segunda edição com programação cultural, feira e arrecadação de alimentos

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Após reunir povos de terreiro na W3 Sul em 2025, Caminhos de Exu retorna no 7 de Setembro com celebração à ancestralidade e enfrentamento ao racismo religioso
Após reunir povos de terreiro na W3 Sul em 2025, Caminhos de Exu retorna no 7 de Setembro com celebração à ancestralidade e enfrentamento ao racismo religioso | Crédito: uiza Melo/Brasil de Fato

Na próxima segunda-feira (7) acontece a segunda edição do Caminhos de Exu, encontro que reúne manifestações culturais e religiosas de matriz africana e afro-brasileira em Brasília. Das 13h às 20h, a 506 Sul terá música, dança, feira, celebrações e uma ação de arrecadação de alimentos.

O evento volta ao mesmo local do último ano com expectativa de receber o dobro do público da estreia. A programação é aberta ao público e reúne pessoas de diferentes casas, tradições e religiões, além de quem deseja conhecer mais sobre a cultura e a religiosidade de matriz africana.

Mas a escolha do feriado de 7 de Setembro não funciona apenas como data no calendário. Neste ano, o Caminhos de Exu aproveita o feriado da Independência para colocar outra pergunta em circulação: de que independência se pode falar quando ainda falta autonomia e liberdade para parte da população?

Exu ocupa a rua

Ao levar manifestações das tradições de matriz africana para um espaço aberto da capital federal, o Caminhos de Exu busca dar visibilidade a religiões que ainda enfrentam racismo e intolerância. Em 2025, a Polícia Civil registou 73 ocorrências de discriminação religiosa no DF; nos três primeiros meses de 2026, foram 20.

Para a organização, ocupar a rua também é uma forma de enfrentar estereótipos construídos em torno de Exu. Ao longo da história, o orixá foi demonizado e associado ao mal, uma leitura que desconsidera os significados atribuídos a Exu nas tradições de matriz africana.

A segunda edição pretende reunir não apenas pessoas de terreiro. O convite é aberto a pessoas de diferentes crenças e também a quem não possui vínculo religioso, numa tentativa de transformar o encontro em espaço de convivência, informação e contato com essas tradições.

Neste ano, o 7 de setembro também integra o significado proposto para o encontro. Ao anunciar a segunda edição, a organização questiona se é coerente celebrar a independência de uma nação enquanto indivíduos e famílias ainda carecem de autonomia, força e movimento.

A realização no feriado, portanto, transforma a data em parte da mensagem do encontro: ao mesmo tempo em que celebra Exu, o evento propõe uma reflexão sobre autonomia e liberdade religiosa em um país no qual povos de terreiro ainda enfrentam preconceito por suas práticas e crenças.

Segunda edição

O Caminhos de Exu nasceu de uma ideia da cantora Kika Ribeiro e teve a primeira edição realizada em 2025. Além das atividades culturais e religiosas, o encontro terá uma feira com empreendedores, artistas, produtores e iniciativas ligadas à cultura afro-brasileira e de matriz africana.

A programação também terá caráter solidário. O acesso é gratuito, mas o público é convidado a levar 1 kg de alimento não perecível. As doações serão posteriormente destinadas a uma iniciativa ligada às tradições de matriz africana que desenvolva trabalho social.

Serviço

Data: 7 de setembro

Horário: das 13h às 20h

Local: 506 Sul

Entrada: gratuita, mediante a doação de 1kg de alimento não perecível


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Editado por: Clivia Mesquita

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