Eleições 2026

TRE-DF notifica Celina Leão sobre ônibus escolares em ato de campanha

Federação PSDB-Cidadania questiona uso dos veículos que prestam serviço à rede pública; PP pagou pelo fretamento

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Apoiadores de Celina Leão exibem bandeiras de campanha dentro de ônibus utilizado no transporte escolar da rede pública do DF
Apoiadores de Celina Leão exibem bandeiras de campanha dentro de ônibus utilizado no transporte escolar da rede pública do DF | Crédito: Reprodução Instagram @diariodeceilandia

A Federação PSDB-Cidadania apresentou um pedido de investigação ao Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) contra a governadora e candidata à reeleição Celina Leão (PP). A denúncia é de que a campanha teria utilizado ônibus que prestam serviço de transporte escolar para levar apoiadores a um ato de campanha. O episódio ocorreu no último domingo (23), em Planaltina, região administrativa do DF.

O caso também chegou à Justiça Eleitoral por meio do Pardal, aplicativo utilizado para o envio de denúncias de possíveis irregularidades durante o período eleitoral. A partir dessa denúncia, Celina foi chamada a prestar esclarecimentos ao TRE-DF no prazo de 48 horas.

Os veículos aparecem em vídeos registrados durante a atividade com a caracterização de transporte escolar. Nas imagens, apoiadores desembarcam dos ônibus para participar do ato político. O episódio levantou questionamentos sobre a relação dos veículos com o poder público e as condições em que foram contratados para a atividade eleitoral.

A ação foi protocolada pela federação na terça-feira (25), no sistema da Justiça Eleitoral, e o processo está classificado como representação por “conduta vedada ao agente público”. A representação sustenta que o episódio pode configurar violação ao artigo 73, inciso I, da Lei das Eleições, que proíbe o uso ou cessão de bens da administração pública em benefício de candidato, partido ou coligação.

Um dos argumentos apresentados pela federação é que a caracterização dos veículos como transporte escolar teria associado visualmente a estrutura pública à campanha. Segundo a ação, ônibus com a inscrição “ESCOLAR” transportando militantes com camisetas e bandeiras da candidata poderiam provocar a percepção de que a administração pública estaria colocando sua estrutura à disposição da campanha.

A campanha de Celina sustenta que o fretamento ocorreu em uma relação privada entre o partido e as empresas proprietárias dos veículos.

Questionamentos

Entre as diligências solicitadas pela Federação PSDB-Cidadania está a identificação dos proprietários dos ônibus a partir de informações do Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF) e da Secretaria de Educação.

Os partidos querem que o Detran informe a titularidade, os registros de licenciamento e a eventual vinculação dos veículos ao poder público. À Secretaria de Educação, a ação questiona se os ônibus integram a frota própria do DF ou contratos terceirizados, além da identificação das empresas responsáveis pelo transporte escolar em Planaltina e Ceilândia. A federação também quer saber se havia autorização ou ordem de serviço para a circulação dos veículos no dia do evento.

Outro ponto da representação é a contratação do fretamento. A federação pede ainda que Celina apresente notas fiscais, contratos e recibos de eventuais serviços contratados para transportar os apoiadores, além da documentação correspondente à prestação de contas.

Ao final da ação, a federação pede que seja reconhecida a prática de conduta vedada, com aplicação de multa no patamar máximo previsto na legislação e cassação do registro da candidatura de Celina ou do diploma, caso eventual julgamento ocorra após a diplomação. Também solicita o envio dos autos ao Ministério Público Eleitoral e ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) para apuração de eventuais responsabilidades.

As sanções são pedidos feitos pelos autores da representação e ainda dependem da análise da Justiça Eleitoral.

PP assume contratação dos ônibus

O Brasil de Fato DF procurou a assessoria de Celina para questionar a utilização dos veículos. A campanha confirmou que o transporte foi contratado pelo Partido Progressista, mas negou qualquer participação do GDF.

“São ônibus terceirizados regularmente contratados e pagos pelo Partido Progressista. No final de semana, os ônibus não prestam serviços ao GDF e podem ser contratados por quem quer que seja diretamente junto às empresas que operam os ônibus”, afirmou a assessoria.

A governadora Celina Leão preside o Progressistas no Distrito Federal. A assessoria não informou quais empresas foram contratadas, quantos ônibus foram utilizados ou o valor desembolsado pelo PP. A documentação dessa contratação passou a integrar justamente um dos pontos que a Federação PSDB-Cidadania quer ver esclarecidos pela Justiça Eleitoral.

Para a federação, a existência de um eventual contrato particular de fretamento não seria suficiente para afastar uma possível irregularidade eleitoral, diante da caracterização dos veículos e de sua vinculação ao transporte escolar. A ação ainda será analisada pelo TRE-DF.

Ônibus fretados

O Brasil de Fato DF também procurou o Governo do Distrito Federal para esclarecer a propriedade dos veículos e a relação deles com o transporte escolar.

Em resposta encaminhada pela Secretaria de Comunicação do GDF, a Transportes Coletivos de Brasília (TCB) confirmou que os ônibus pertencem a empresas privadas contratadas para prestar serviços de transporte escolar.

Segundo a TCB, a execução do transporte dos estudantes ocorre em dias e horários previamente estabelecidos para atender à rede pública de ensino, e não há prestação regular do serviço aos sábados e domingos, exceto em situações excepcionais autorizadas pela administração.

“Por serem de propriedade das empresas contratadas, os veículos podem ser utilizados, fora dos períodos de execução do serviço público e desde que não haja prejuízo às obrigações contratuais, em atividades privadas de fretamento, sob responsabilidade exclusiva de seus proprietários”, informou a TCB.

Ainda segundo a empresa pública, “eventual utilização dos veículos em atividade diversa não implica, por si só, irregularidade ou vínculo com a TCB ou com a Secretaria de Educação”.


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Editado por: Clivia Mesquita

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