Eleições 2026

Saúde: quais as propostas dos candidatos ao governo do DF para hospitais, filas e atendimento no SUS

Planos incluem redução das filas, ampliação da atenção básica, novas unidades de saúde e fim do Iges-DF

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Representação protocolada pela ABEn-DF no MPDFT aponta cancelamento de atendimentos e remanejamento de equipes e insumos da rede pública de saúde.
Representação protocolada pela ABEn-DF no MPDFT aponta cancelamento de atendimentos e remanejamento de equipes e insumos da rede pública de saúde. | Crédito: Jhonatan Cantarelle/Agência Saúde DF

A saúde pública do Distrito Federal aparece entre os principais temas dos planos de governo das candidaturas ao Palácio do Buriti nas eleições deste ano. As propostas passam pela redução das filas por consultas, exames e cirurgias, ampliação da atenção primária, conclusão de hospitais em construção e reforço de áreas como saúde mental e novas tecnologias.

O Brasil de Fato DF analisou os planos de governo registrados pelas candidaturas e reuniu as principais propostas para a saúde. As medidas são apresentadas em um cenário de carência de profissionais na rede pública. 

Em julho, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) apontou déficit de 4.166 profissionais em 17 especialidades e recomendou a realização de concurso público. O órgão afirmou que a demora na recomposição das equipes prejudica a prestação dos serviços de saúde à população. O déficit de profissionais é um dos problemas que aparecem nas propostas das candidaturas, que apresentam diferentes soluções para a gestão da rede, contratação de servidores e redução das filas.

Leandro Grass (PT)

O plano de governo de Leandro Grass estabelece como uma das principais metas a redução do tempo de espera na rede pública. O programa “Saúde Sem Espera” prevê que consultas com especialistas e exames sejam realizados em até 30 dias até o fim do mandato. A candidatura também propõe retirar do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde (Iges-DF) o comando de hospitais e UPAs atualmente administrados pelo instituto, devolvendo a gestão à Secretaria de Saúde.

Na atenção primária, Grass pretende aumentar a Estratégia Saúde da Família das atuais 600 equipes para 1.100, com o objetivo de ampliar a cobertura. O plano prevê ainda a conclusão de obras como os hospitais Oncológico, de São Sebastião e do Recanto das Emas, além do Hospital Clínico Ortopédico do Guará. 

Entre as propostas específicas estão a criação do Hospital da Mulher e a ampliação do Hospital da Criança, com atenção à neuropediatria e ao autismo. Para os primeiros 100 dias, a candidatura propõe um mutirão permanente de cirurgias e exames, utilizando a capacidade ociosa da rede e um contrato único de manutenção dos equipamentos de saúde.

Paula Belmonte (PSDB)

Paula Belmonte propõe reorganizar os fluxos de atendimento para reduzir as filas e aumentar a integração tecnológica da rede. O programa “Saúde Sem Filas” prevê a integração do prontuário eletrônico em toda a rede pública. Na atenção primária, a candidatura defende o fortalecimento das equipes multiprofissionais para aumentar a capacidade de atendimento nas unidades básicas de saúde. 

O plano também propõe a criação de um Hospital do Idoso integrado à rede de cuidados geriátricos e o uso de telemedicina para aproximar especialistas das equipes da atenção primária. Em uma possível gestão, Belmonte prevê uma auditoria ampla no Iges-DF, incluindo contratos, despesas e resultados assistenciais. Para pacientes com câncer, a proposta é organizar uma linha de cuidado que acompanhe o paciente desde a suspeita da doença até o tratamento e os cuidados paliativos.

Elisson Ferreira (Agir)

A candidatura de Elisson Ferreira aposta na digitalização da rede e na reorganização dos serviços por regiões. O plano propõe um sistema de “Saúde 100% Digital”, com prontuário único interoperável e uma plataforma que permita ao cidadão acompanhar pelo celular sua posição na fila por atendimento. 

Em relação ao Iges-DF, a proposta não prevê a extinção imediata do instituto, mas uma auditoria completa nos primeiros 100 dias de governo e a adoção de contratos de desempenho por unidade. Na infraestrutura, o plano estabelece como prioridade a conclusão dos hospitais do Recanto das Emas, de São Sebastião e do Sol Nascente/Pôr do Sol. 

Para a saúde mental, a candidatura propõe regionalizar a rede de Centros de Atenção Psicossocial (Caps) e criar um protocolo integrado de prevenção ao suicídio. Também está previsto o programa “Mãezinha Brasiliense”, com apoio à amamentação e fornecimento de enxoval.

Celina Leão (PP)

O plano de Celina Leão prioriza a expansão da infraestrutura e o uso de tecnologias para reduzir o tempo de espera. O “Expresso da Saúde” prevê a utilização de telemedicina e inteligência artificial para agilizar consultas e exames. A candidatura também propõe o “IntegraSaúde”, com unidades regionalizadas que reúnam consultas especializadas, diagnóstico, reabilitação e atendimento em saúde mental. 

Na infraestrutura, Celina promete inaugurar cinco hospitais, localizados no Guará, São Sebastião, Ceilândia, Recanto das Emas e uma unidade oncológica. Entre as propostas específicas estão a criação do Centro de Referência da Saúde da Mulher e do Centro de Diagnóstico e Imagem do DF. O plano também prevê a implementação da “Carreta Bucal”, com unidades móveis de atendimento odontológico nas escolas públicas.

Ricardo Cappelli (PSB)

Ricardo Cappelli apresenta como uma das principais metas o “Fila Zero”, com medidas para reduzir a espera por consultas, exames e procedimentos a partir de auditoria da demanda, regulação inteligente e ampliação da telessaúde. O plano também prevê o programa “Saúde Tem Pressa”, voltado à redução da pressão sobre as emergências, com modernização da frota e das bases do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). 

Entre as metas para 2030 estão aumentar a cobertura da Estratégia Saúde da Família para 85% e reduzir em até 70% a fila por cirurgias eletivas em 24 meses. Na área digital, Cappelli propõe uma plataforma pública para agendamento de consultas, emissão de receitas e acesso ao histórico de atendimento. O plano ainda prevê ampliar o atendimento domiciliar para idosos e pacientes em situação de fragilidade, como forma de reduzir o tempo de internação.

José Roberto Arruda (PSD)

O plano de José Roberto Arruda apresenta um modelo de “ecossistema de saúde”, no qual o governo atuaria na coordenação entre hospitais públicos, unidades privadas, universidades e laboratórios. Entre as propostas está criar um Centro de Cirurgias Eletivas especializado em procedimentos como hérnias e vesículas, com o objetivo de zerar a fila em 14 meses. 

O candidato também propõe o uso de inteligência artificial para prever demandas, administrar estoques e auxiliar diagnósticos. Na atenção primária, o plano prevê o fortalecimento do médico de família com apoio de tecnologias como ultrassom portátil e testes rápidos nas unidades básicas. Outra proposta é integrar a rede de saúde do DF com municípios do Entorno e estados vizinhos para planejamento e financiamento compartilhados.

Professor Robson Raymundo (PSTU)

O candidato do PSTU defende uma mudança no modelo de gestão da saúde pública, com o fim do Iges-DF e das terceirizações e a adoção de uma rede integralmente pública e estatal. Na área de saúde da população LGBT+, o plano prevê um centro especializado para pessoas transexuais e travestis e a realização de cirurgias de redesignação sexual pelo SUS com menos burocracia. 

Para a saúde das mulheres, a candidatura propõe salas de parto humanizado em todos os hospitais como medida de combate à violência obstétrica. Na saúde mental, o plano prevê o fim do modelo do Hospital São Vicente de Paulo como instituição de caráter manicomial e a construção de Caps em todas as regiões administrativas. Para os trabalhadores da saúde, a proposta inclui piso salarial de R$ 7.164,94 e jornada de 30 horas semanais.

Professora Samara Mineiro (UP)

Samara Mineiro defende a retomada da gestão direta dos hospitais pelo Estado, com o fim do Iges-DF. O plano também propõe a criação de um laboratório farmacêutico público para produzir medicamentos e insumos destinados ao SUS e a realização de concursos para contratar mais de 25 mil profissionais para a rede. 

Na área de direitos reprodutivos, a candidatura prevê garantir acesso a métodos contraceptivos e a realização segura do aborto legal no SUS. Também está entre as propostas a distribuição gratuita de absorventes em escolas, unidades básicas de saúde e presídios.

Kiko Caputo (Novo)

O plano de Kiko Caputo prevê um modelo de gestão baseado no conceito de “medicina dos 4Ps”: preventiva, preditiva, personalizada e participativa. A candidatura defende a criação de “UBSs Plenas”, com capacidade ampliada para realização de exames e teleinterconsultas, buscando resolver uma parcela maior dos atendimentos nas próprias regiões onde os pacientes vivem. 

Na saúde mental, o plano prevê um programa distrital de prevenção ao suicídio, com busca ativa e acompanhamento de pessoas em situação de risco. Para pessoas com transtorno do espectro autista (TEA), a proposta é integrar diagnóstico e intervenção precoce entre saúde, educação e assistência social. O candidato também propõe ampliar campanhas de prevenção voltadas à saúde do homem e criar horários de atendimento compatíveis com a rotina de trabalho.

Expedito Mendonça (PCO)

O plano de Expedito Mendonça apresenta uma proposta de estatização da saúde. A candidatura defende que os serviços públicos de saúde sejam gratuitos e administrados sob controle dos próprios trabalhadores. 

Entre as medidas estão a abertura de cursos de medicina e enfermagem nas universidades públicas sem vestibular, como forma de aumentar a formação de profissionais, o fim do teto de gastos para a saúde e a criação de um piso salarial de R$ 8 mil para trabalhadores da área. O plano também propõe a retomada do programa Mais Médicos com validação imediata de diplomas de profissionais formados no exterior.


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Editado por: Clivia Mesquita

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