Estudo sobre os impactos do Programa Pé-de-Meia, que estimula a permanência estudantil pagando incentivos financeiros, mostra que ele pode gerar um benefício econômico de R$ 184 bilhões ao Brasil. Realizado pelo Insper, o levantamento levou em consideração o retorno financeiro que uma pessoa com ensino médio completo pode trazer para a economia, entre eles, melhores salários, qualidade de vida e, como consequência, um avanço na dignidade das pessoas.
Desde 2023, o programa beneficiou mais de 7 milhões de estudantes e a taxa de abandono no ensino médio caiu 61%. Na rede pública, caiu para 2,5% o abandono escolar, que é o menor nível da história, e também o atraso escolar recuou em 28%.
Colunista do Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Daniel Cara, professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), pondera algumas questões de metodologia da pesquisa, mas reforça que o programa do governo federal traz resultados importantes. “Não precisamos disso para saber que a distribuição de renda é algo correto”, pontua.
Cara destaca que o objetivo do programa não é gerar crescimento econômico, e sim promover essa distribuição de renda. “Trata-se de uma estratégia de distribuição de renda que busca ter como contrapartida a garantia de que o estudante vai estudar no ensino médio e também o incentivo para que ele faça o Enem”, defende.
O professor reforça o caráter de permanência estudantil que o programa possibilita, lembrando que alguns anos atrás era comum que estudantes abandonassem a escola para se dedicar a subempregos e ajudar a manter a casa. “É claro que isso é negativo. O ideal é que você mantenha o estudante até ele ter uma qualificação realmente necessária para um ingresso mais digno no mercado de trabalho. E aí, a partir daí, esse estudante vai gerar possibilidades. Isso é líquido e certo”, afirma.
Daniel Cara pondera, no entanto, que o programa terá que realizar alguns reajustes, até acima da inflação, para que continue sendo financeiramente atrativo e não perca a adesão. “É um programa que a principal qualidade é distribuir renda e a contrapartida é uma política necessária. Isso ocorre, por exemplo, com o Bolsa Família“, avalia.
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