Revolução

Em meio ao bloqueio dos EUA, cientistas cubanos avançam com estudo de tratamento contra o câncer de pele

Sanções dificultam o acesso a medicamentos, mas cientistas cubanos progridem no desenvolvimento de terapias alternativas

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Cuba
Centro de Imunologia Molecular de Cuba | Crédito: Granma

Enquanto Cuba enfrenta as consequências da guerra econômica promovida pelos Estados Unidos, cientistas locais avançam na busca por alternativas para o tratamento do câncer. Pesquisadores do Centro de Imunologia Molecular (CIM), de Havana, trabalham no desenvolvimento de um candidato terapêutico identificado como 2C12, uma molécula projetada para frear a expansão do melanoma avançado, uma das formas mais agressivas de câncer de pele, e, assim, melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

(https://www.brasildefato.com.br/2026/08/04/a-vida-em-cuba-sob-asfixia-energetica-como-e-o-dia-a-dia-do-povo-apos-o-agravamento-das-sancoes-dos-eua/ )

Segundo informou o CIM em seus canais oficiais, em sua etapa inicial, o estudo será destinado a pessoas com melanoma que não pode ser tratado por meio de cirurgia ou que tenha desenvolvido metástases em outros órgãos. A pesquisa contará com a participação de instituições médicas de Havana e Villa Clara. E será realizada com voluntários que desejem participar do estudo e cumpram os requisitos estabelecidos.

Embora o candidato terapêutico 2C12 ainda esteja em fase experimental, seu mecanismo de ação é semelhante ao do pembrolizumabe, um dos medicamentos mais utilizados internacionalmente no tratamento do câncer de pele. Esse medicamento atua estimulando a resposta do sistema imunológico para combater as células tumorais.

Desenvolvimento científico

Assim como o HEBERSaVax, um candidato terapêutico desenvolvido para o tratamento de vários tumores malignos e apresentado no fim de maio passado, o desenvolvimento do 2C12 ocorre em um contexto no qual a ilha enfrenta as consequências da asfixia energética e de uma guerra econômica imposta pelos Estados Unidos.

(https://www.brasildefato.com.br/2026/05/28/defender-a-vida-cuba-apresenta-novos-avancos-em-vacina-terapeutica-contra-o-cancer/ )

Desde o fim de janeiro, Washington tem ameaçado impor medidas contra qualquer país que “venda ou forneça petróleo ou combustível a Cuba”, provocando, assim, uma grave crise energética na ilha, que sofre apagões diários que ultrapassam 20 horas.

Além disso, desde o início de maio, o Departamento de Estado dos Estados Unidos ampliou as chamadas “medidas secundárias”, ameaçando impor medidas contra qualquer empresa não americana que mantenha vínculos comerciais com a ilha. Essas medidas provocaram a saída de importantes empresas do país.

A atuação dos Estados Unidos paralisou, em grande medida, a atividade econômica cubana, deixando a população em uma situação de forte carência e vulnerabilidade.
Diante desse cenário, o governo cubano classificou essas ações como um “genocídio silencioso”. Segundo estimativas da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), prevê-se que o Produto Interno Bruto (PIB) do país caia 6% neste ano.

Sistema de saúde sob asfixia

Essa situação provocou uma forte deterioração do sistema de saúde cubano e gerou um contexto particularmente complexo para os tratamentos oncológicos na ilha.

A falta de insumos e medicamentos, juntamente com a instabilidade do fornecimento de energia elétrica, obrigou à suspensão de cirurgias não urgentes. Segundo relatórios da Organização das Nações Unidas (ONU) e do Ministério da Saúde Pública de Cuba (MINSAP), a lista de espera nacional para intervenções cirúrgicas ultrapassou 96 mil pessoas, entre elas mais de 11 mil crianças.

(https://www.brasildefato.com.br/2026/06/16/mortalidade-infantil-aumenta-em-cuba-com-endurecimento-do-bloqueio-dos-eua-veja-os-dados/

Os tratamentos contra o câncer também foram afetados. Mais de 16 mil pacientes que necessitam de radioterapia e cerca de 12 mil que estão passando por quimioterapia sofrem interrupções periódicas de seus tratamentos devido à escassez de medicamentos e à instabilidade elétrica.

Ao mesmo tempo, cerca de cinco milhões de pessoas com doenças crônicas enfrentam interrupções em seus tratamentos, uma situação documentada em relatórios da Organização Mundial da Saúde (OMS), da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e da ONU.

Nesse cenário, o desenvolvimento do 2C12 faz parte dos esforços da ciência cubana para gerar alternativas próprias para o tratamento do câncer. O projeto busca ampliar as opções terapêuticas disponíveis diante das dificuldades de acesso a determinados medicamentos oncológicos, aos quais Cuba tem acesso limitado em consequência do bloqueio econômico, comercial e financeiro dos Estados Unidos.

Editado por: Rodrigo Gomes

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