Mais de 613 hectares de parques e unidades de conservação do Distrito Federal foram atingidos por queimadas somente em agosto. Dados do Instituto Brasília Ambiental (Ibram), obtidos pelo Brasil de Fato DF, mostram 135 registros de incêndios florestais (RIFs) em 39 áreas protegidas administradas pelo órgão.
A Floresta Distrital dos Pinheiros foi a unidade mais atingida no período. Foram 211,3 hectares queimados, o equivalente a cerca de 34% de toda a área afetada nas unidades monitoradas pelo instituto durante o mês.
Na sequência aparecem a Área de Relevante Interesse Ecológico (Arie) Granja do Ipê, com 68,2 hectares, e o Parque Distrital Boca da Mata, com 67,5 hectares. Juntas, as três áreas concentraram aproximadamente 57% dos 613,2 hectares queimados em agosto.
A lista segue com a Arie JK, onde foram queimados 58,5 hectares, e a Arie Riacho Fundo, com 37,5 hectares. A Reserva Biológica Guará teve 26 hectares atingidos, enquanto a Reserva Biológica do Descoberto registrou 24 hectares.
A quantidade de registros de incêndios florestais (RIFs), no entanto, não acompanha necessariamente o tamanho da área atingida. A Arie JK teve 31 RIFs, o maior número entre as 39 unidades, enquanto a Floresta Distrital dos Pinheiros, que liderou em extensão queimada, contabilizou 13.
O RIF é utilizado pelo programa de monitoramento do Ibram para registrar informações sobre os incêndios identificados nas unidades, como localização, data, vegetação atingida e extensão da área queimada. O instituto realiza o monitoramento das áreas protegidas ao longo do ano por meio de imagens de satélite e levantamentos em campo.
Área queimada em agosto já superou todo 2025
O avanço do fogo ocorre em um período considerado crítico para os incêndios florestais no Distrito Federal.
Em levantamento anterior encaminhado ao Brasil de Fato DF, o Ibram informou que, até 16 de agosto, 843,8 hectares haviam sido queimados desde o início do ano nas unidades de conservação administradas pelo instituto. Eram 172 registros distribuídos por 39 áreas.
No mesmo intervalo de 2025, foram contabilizados 176 registros, que atingiram 749,5 hectares. Isso significa que, apesar de o número de registros ter sido ligeiramente menor em 2026, a extensão queimada era 12,6% maior.
Os dados fechados de agosto não podem ser somados diretamente a esse levantamento, já que os 843,8 hectares correspondem ao acumulado do ano até 16 de agosto e, portanto, já incluem parte dos incêndios contabilizados no balanço mensal.
Ao ser questionado anteriormente pela reportagem sobre o aumento das queimadas, o Brasília Ambiental apontou a intensificação da seca como um dos fatores.
“Agosto e setembro são os meses mais críticos do período de seca”, afirmou o órgão. Segundo o instituto, o período mais severo ocorre após o fim das chuvas e aumenta as condições favoráveis à propagação do fogo.
Levantamentos históricos do próprio Programa de Monitoramento de Áreas com Ocorrência de Incêndios Florestais nos Parques e Unidades de Conservação (Promaq) também identificam agosto e setembro como meses de pico das ocorrências durante o período seco.
Manejo do fogo
Antes do período mais crítico da estiagem, o Ibram realizou queimas prescritas em 513,7 hectares das unidades de conservação. O órgão também informou ter realizado aproximadamente 46 quilômetros de aceiros com uso do fogo.
As ações fazem parte das estratégias de prevenção adotadas pelo instituto. No Manejo Integrado do Fogo (MIF), o uso planejado e controlado das chamas pode ser empregado antes do período mais seco para reduzir o material combustível acumulado na vegetação e diminuir a severidade de incêndios florestais. Também são adotadas medidas como manutenção de aceiros, limpeza de estradas e trilhas e construção de linhas de defesa.
O Ibram afirma realizar o monitoramento de incêndios florestais nas unidades de conservação há 15 anos. O trabalho utiliza imagens de satélite disponíveis em plataformas nacionais e internacionais, além de levantamentos em campo.
As informações divulgadas pelo órgão não representam todas as queimadas ocorridas no Distrito Federal. Os números do Promaq se referem às unidades de conservação administradas pelo Brasília Ambiental. O DF também possui áreas protegidas sob outras administrações, inclusive unidades federais.
Animais resgatados
A passagem do fogo não deixa marcas apenas na vegetação. Animais silvestres encontrados feridos em incêndios florestais são encaminhados ao Hospital e Centro de Reabilitação da Fauna Silvestre (Hfaus), em Taguatinga, administrado pelo Brasília Ambiental.
Segundo dados encaminhados pelo instituto à reportagem, quatro animais vítimas de incêndios florestais haviam sido recebidos pelo hospital em 2026 até a resposta do órgão: um saruê, um jabuti e duas araras.
O Ibram afirma que as queimadas também afetam a flora do Cerrado, embora o bioma apresente características que favorecem a regeneração após a passagem do fogo. Isso não elimina, porém, os impactos provocados por incêndios florestais sem controle. O próprio instituto classifica esse tipo de ocorrência como um problema ambiental capaz de comprometer vegetação, fauna, solo, cursos d’água, qualidade do ar e biodiversidade.
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