China

Lei chinesa de seguridade médica torna obrigatórias compras públicas centralizadas de medicamentos e insumos médicos

Legislação recém-aprovada amplia cobertura de saúde para entregadores, motoristas de aplicativo e autônomos

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Uma pediatra em um evento de atendimento médico gratuito no Hospital Universitário Peking Union Medical College em Pequim, capital da China, em 19 de agosto de 2025, Dia do Médico na China
Pediatra em um evento de atendimento médico gratuito no Hospital Universitário Peking Union Medical College em Pequim | Crédito: Zhang Yuwei/Xinhua via AFP

A China aprovou, pela primeira vez, uma lei dedicada ao sistema de seguro de saúde que cobre 1,33 bilhão de pessoas (95% da população), com, pelo menos, três mudanças principais: a compra coletiva de medicamentos como obrigação jurídica, o incentivo formal à inclusão de trabalhadores informais no plano de saúde dos trabalhadores formais e a criação do dever legal de estabelecer o seguro de cuidados prolongados para idosos e pessoas com deficiência em todo o território nacional.

A Lei de Seguridade Médica da República Popular da China foi aprovada em 28 de agosto pelo Comitê Permanente da Assembleia Nacional Popular (ANP) e assinada pelo presidente Xi Jinping por meio do Decreto Presidencial nº 80. A norma vai entrar em vigor em 1º de janeiro de 2027.

Em coletiva nesta sexta-feira (4) para abordar as mudanças da nova lei, o vice-diretor da Administração Nacional de Seguridade Médica (ANSM), Shi Zihai, afirmou que a instituição está seguindo as instruções de Xi Jinping, como secretário-geral do Partido Comunista da China (PCCh), de “eliminar as preocupações do povo com custos e cuidados médicos” e de seguir a filosofia de desenvolvimento centrada no povo.

A compra coletiva de medicamentos é um mecanismo pelo qual o Estado agrupa a demanda de todos os hospitais públicos, organiza licitações em escala nacional e oferece aos fabricantes contratos estáveis de fornecimento em troca de preços mais baixos, reduzindo o custo dos remédios para a população. O artigo 26 determina que o Estado deve “estabelecer e aperfeiçoar o sistema de compra coletiva de medicamentos e insumos médicos”. A prática já existia como política administrativa, mas agora ganhará um peso maior como lei.

Desde 2018, o governo central fez 12 rodadas de compras, adquirindo 555 fármacos. No mesmo período, fez seis rodadas para dispositivos médicos de alto valor e cobriu 142 itens, segundo Shi.

Trabalhadores informais

O artigo 10 da lei incentiva trabalhadores autônomos sem empregadores, trabalhadores em tempo parcial não vinculados ao plano de trabalhadores formais e “outros trabalhadores em emprego flexível” a se filiarem ao plano de trabalhadores formais. Esse processo já vem acontecendo; em 2025, 69,82 milhões de trabalhadores informais estavam no plano dos trabalhadores formais, alta de 5,54% em relação ao ano anterior, segundo Huang Huabo, vice-diretor da ANSM.

A lei se complementa com o Plano Quinquenal de Cobertura de Saúde Universal para 2026–2030, também apresentado pela Administração Nacional do Seguro de Saúde da China recentemente, e que determina que as plataformas digitais deverão cobrir parte da contribuição de entregadores, motoristas por aplicativo e prestadores de serviço por demanda.

O plano de trabalhadores formais garante reembolso de aproximadamente 80% das despesas hospitalares dentro da lista de procedimentos e medicamentos cobertos, em comparação com 70% no plano de residentes urbanos e rurais.

Maternidade e cuidados de longa duração

O artigo 14 torna obrigatória a participação de trabalhadores formais no seguro-maternidade, com contribuições pagas exclusivamente pelo empregador, e determina que o Estado deve “promover a ampliação da cobertura do seguro-maternidade”.

O artigo 15 amplia a cobertura do seguro-maternidade ao cônjuge que não trabalha. Até agora, na China, apenas o trabalhador contribuinte tinha reembolso para os custos do parto e o auxílio-maternidade em dinheiro; o cônjuge sem emprego ficava sem cobertura. Com a lei, esse cônjuge passa a ter direito ao reembolso das despesas médicas, mas não ao auxílio em dinheiro, que continua sendo exclusivo de quem contribui.

Atualmente, 260 milhões têm seguro-maternidade, e 28 das 31 unidades administrativas provinciais da China já cobrem o parto hospitalar sem custo, segundo Wang Wenjun, vice-diretora da ANSM.

O artigo 55, no capítulo de disposições finais, determina que o Estado “estabeleça e aperfeiçoe o sistema de seguro de cuidados prolongados” para idosos e pessoas com deficiência severa. A ANSM deverá regulamentar, em conjunto com outros ministérios, essa disposição.

A meta é alcançar cobertura nacional até o final de 2028, segundo Wang Wenjun. O sistema opera em fase piloto desde 2016, cobre mais de 320 milhões de pessoas e beneficiou até o momento mais de 4,6 milhões de pessoas com deficiência severa.

Editado por: Rafaella Coury

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