Pedido de socorro

Ataques israelenses deixam mortos e feridos no sul do Líbano em meio a negociações com EUA

Beirute pede pressão sob Israel e busca manter diálogo separado das negociações entre Estados Unidos e Irã

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Libaneses visitam locais destruídos pelos ataques israelenses na cidade de Arab Salim, no sul do Líbano
Libaneses visitam locais destruídos pelos ataques israelenses na cidade de Arab Salim, no sul do Líbano | Crédito: Mohammad Abushama / Anadolu via AFP

Pelo menos quatro pessoas morreram e outras ficaram feridas neste domingo (6) em ataques aéreos israelenses contra diferentes localidades do sul do Líbano, segundo autoridades libanesas. Em Arab Salim, duas mulheres morreram e seis pessoas ficaram feridas após um ataque realizado depois que as forças israelenses emitiram uma ordem de deslocamento forçado para um edifício da cidade. O Ministério da Saúde do Líbano também informou duas mortes em um ataque contra Nabatieh al-Fawqa. Na cidade de Nabatieh, um bombardeio destruiu ainda um edifício histórico e danificou construções próximas. Outros ataques atingiram Kfar Reman e uma área que abrigava um parque municipal em Nabatieh.

Israel afirmou que as ações foram realizadas em resposta ao lançamento de dois drones pelo Hezbollah contra suas forças no sul do Líbano, classificando a ação do grupo como uma “violação flagrante”. Desde março, quando o Hezbollah atacou Israel durante a guerra entre Estados Unidos e Irã, Israel mantém operações aéreas e terrestres no Líbano. Segundo autoridades libanesas, mais de 4,3 mil pessoas morreram desde então. As forças israelenses continuam posicionadas em uma área de segurança autodeclarada que se estende por cerca de 10 quilômetros dentro do território libanês.

Apesar da redução no número de ataques após um memorando de entendimento entre Estados Unidos e Irã, em junho, Israel continua realizando bombardeios, disparos de artilharia e demolições de edifícios civis no sul do Líbano. Na última semana, Israel também anunciou ter assumido o “controle operacional” da estratégica elevação de Ali al-Taher, nas proximidades de Nabatieh.

Ao mesmo tempo, Israel avalia reposicionar parte de suas tropas mais perto da fronteira. Segundo a emissora pública israelense Kan, as Forças Armadas estudam recuar de três a quatro quilômetros e estabelecer novos postos ao longo de uma chamada “Linha Cinza”. O plano, porém, ainda não foi aprovado pela liderança política israelense e permanece indefinida a transferência das áreas desocupadas para o Exército libanês.

Negociações

O cenário militar ocorre paralelamente às negociações entre Líbano, Israel e Estados Unidos. O vice-primeiro-ministro libanês, Tarek Mitri, afirmou que a libertação de prisioneiros libaneses por Israel pode indicar uma pressão dos Estados Unidos para que Tel Aviv adote uma postura mais flexível nas negociações. Segundo Mitri, uma nova rodada de conversas pode ocorrer em meados deste mês ou alguns dias depois. O governo libanês, afirmou ele, busca manter sua frente de negociação separada das tratativas entre Washington e Teerã, embora reconheça que os desdobramentos do diálogo entre os dois países afetam diretamente a situação no Líbano.

Mitri também afirmou que a paralisação das negociações dificulta o retorno de moradores deslocados e reduz o apoio internacional aos esforços de reconstrução. O vice-primeiro-ministro observou que o país elaborou um plano de recuperação e recebeu promessas de vários países para ajudar a facilitar o retorno dos moradores e a reabilitação das áreas afetadas.

O Hezbollah, por sua vez, condenou a campanha militar israelense e acusou Israel de agir com “silêncio internacional” e “cumplicidade americana”. O grupo também reiterou sua oposição às negociações diretas entre Beirute e Israel. As informações são da Al Jazeera.

*Com informações da agência libanesa de notícias NNA e Al Jazeera.

Editado por: Monyse Ravena

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