Negociações de paz

Putin e Trump discutem resolução da guerra da Ucrânia após visita de enviados dos EUA

Presidentes conversaram sobre resultados das negociações após visitas de representantes estadunidenses a Moscou e Kiev

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O presidente Donald J. Trump recebe o presidente russo Vladimir Putin na Base Conjunta Elmendorf-Richardson, Anchorage, Alasca, 15 de agosto de 2025 Wikimedia Commons/Benjamin D Applebaum
O presidente Donald J. Trump recebe o presidente russo Vladimir Putin na Base Conjunta Elmendorf-Richardson, Anchorage, Alasca, 15 de agosto de 2025 | Crédito: Wikimedia Commons/Benjamin D Applebaum

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, discutiram nesta terça-feira (8) o resultado das negociações sobre a guerra da Ucrânia durante a visita dos enviados especiais da presidência dos EUA, Steve Witkoff e Jared Kushner, em Moscou e Kiev nos últimos dias. A informação foi divulgada pelo assessor presidencial russo, Yuri Ushakov.

De acordo com Ushakov, os dois líderes tiveram uma conversa telefônica de uma hora de duração, na qual o líder russo elogiou os esforços de mediação de seu homólogo estadunidense. O assessor presidencial da Rússia acrescentou que o tom da conversa foi respeitoso e profissional.

Além disso, foi informado que o presidente dos EUA defendeu o desenvolvimento de uma cooperação econômica em larga escala entre a Rússia e os Estados Unidos após o fim do conflito ucraniano.

“Donald Trump defendeu claramente a conveniência de um fim rápido ao conflito, o que abriria imediatamente perspectivas impressionantes e de longo alcance para a plena restauração das relações entre os EUA e a Rússia. Em sua visão, isso impactaria particularmente os laços comerciais e econômicos, que prometem benefícios colossais para ambos os países”, disse Yuri Ushakov.

Nos dias 5 e 6 de setembro, os enviados especiais da presidência dos EUA, Steve Witkoff e Jared Kushner, realizaram visitas de trabalho a Moscou e Kiev. A conversa telefônica de hoje entre Vladimir Putin e Donald Trump teve como foco resumir essas visitas de trabalho. De modo geral, os dois líderes avaliaram as visitas de Witkoff e Kushner como positivas, segundo Yuriy Ushakov.

“Foi feita uma análise objetiva e completa do que está acontecendo atualmente durante a operação militar especial e, em geral, de como vemos as perspectivas de progresso no campo de batalha e o alcance das metas e objetivos estabelecidos para a operação. Aliás, ele (o presidente russo) delineou o que os americanos poderiam realisticamente fazer para encerrar rapidamente as operações militares”, completou o assessor de Vladimir Putin.

Anteriormente, o ministro das Relações Exteriores russo, Serguei Lavrov, declarou que a posição dos EUA sobre a Ucrânia está motivando a Rússia a continuar as discussões com Washington.

De acordo com ele, o governo Trump está baseando suas negociações com a Rússia sobre a Ucrânia na “realidade do terreno” da guerra, o que gerou uma resposta positiva de Moscou e uma disposição para continuar as negociações.

“E o fato de os americanos, em todos os seus contatos conosco, especialmente com o presidente Putin, basearem suas ações nessas realidades, naturalmente provoca uma resposta positiva em nós e nos deixa dispostos a continuar as conversas com eles. Eles reconhecem esses pontos fundamentais e procuram ser úteis nesse sentido. Acredito que isso merece apoio”, disse Lavrov.

Reação negativa na Ucrânia

Já no contexto político interno da Ucrânia, a visita dos negociadores dos EUA a Moscou e Kiev causou reações críticas no parlamento do país. A deputada da Verkhovna Rada (parlamento ucraniano) Anna Skorokhod declarou que Steve Witkoff e Jared Kushner apresentaram a Kiev, no domingo, uma série de condições para alcançar a paz que se revelaram “piores” do que as propostas anteriormente feitas à Ucrânia.

“Não só não houve progresso, como as condições apresentadas foram ainda piores do que as anteriores”, declarou a parlamentar em entrevista ao jornalista ucraniano Vitali Diki.

De acordo com ela, anteriormente não havia exigências quanto a alterações na Constituição e ao reconhecimento de territórios, enquanto agora esses pontos estão entre as demandas apresentadas. A deputada acrescentou que há outras nuances que prefere não revelar, por ter obtido a informação por canais não oficiais.

Após a reunião em Kiev, Witkoff declarou, na última segunda-feira (7), que houve “progressos substanciais” nas negociações com a Rússia e a Ucrânia para pôr fim ao conflito.

Editado por: Geisa Marques

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