O presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, discutiram nesta terça-feira (8) o resultado das negociações sobre a guerra da Ucrânia durante a visita dos enviados especiais da presidência dos EUA, Steve Witkoff e Jared Kushner, em Moscou e Kiev nos últimos dias. A informação foi divulgada pelo assessor presidencial russo, Yuri Ushakov.
De acordo com Ushakov, os dois líderes tiveram uma conversa telefônica de uma hora de duração, na qual o líder russo elogiou os esforços de mediação de seu homólogo estadunidense. O assessor presidencial da Rússia acrescentou que o tom da conversa foi respeitoso e profissional.
Além disso, foi informado que o presidente dos EUA defendeu o desenvolvimento de uma cooperação econômica em larga escala entre a Rússia e os Estados Unidos após o fim do conflito ucraniano.
“Donald Trump defendeu claramente a conveniência de um fim rápido ao conflito, o que abriria imediatamente perspectivas impressionantes e de longo alcance para a plena restauração das relações entre os EUA e a Rússia. Em sua visão, isso impactaria particularmente os laços comerciais e econômicos, que prometem benefícios colossais para ambos os países”, disse Yuri Ushakov.
Nos dias 5 e 6 de setembro, os enviados especiais da presidência dos EUA, Steve Witkoff e Jared Kushner, realizaram visitas de trabalho a Moscou e Kiev. A conversa telefônica de hoje entre Vladimir Putin e Donald Trump teve como foco resumir essas visitas de trabalho. De modo geral, os dois líderes avaliaram as visitas de Witkoff e Kushner como positivas, segundo Yuriy Ushakov.
“Foi feita uma análise objetiva e completa do que está acontecendo atualmente durante a operação militar especial e, em geral, de como vemos as perspectivas de progresso no campo de batalha e o alcance das metas e objetivos estabelecidos para a operação. Aliás, ele (o presidente russo) delineou o que os americanos poderiam realisticamente fazer para encerrar rapidamente as operações militares”, completou o assessor de Vladimir Putin.
Anteriormente, o ministro das Relações Exteriores russo, Serguei Lavrov, declarou que a posição dos EUA sobre a Ucrânia está motivando a Rússia a continuar as discussões com Washington.
De acordo com ele, o governo Trump está baseando suas negociações com a Rússia sobre a Ucrânia na “realidade do terreno” da guerra, o que gerou uma resposta positiva de Moscou e uma disposição para continuar as negociações.
“E o fato de os americanos, em todos os seus contatos conosco, especialmente com o presidente Putin, basearem suas ações nessas realidades, naturalmente provoca uma resposta positiva em nós e nos deixa dispostos a continuar as conversas com eles. Eles reconhecem esses pontos fundamentais e procuram ser úteis nesse sentido. Acredito que isso merece apoio”, disse Lavrov.
Reação negativa na Ucrânia
Já no contexto político interno da Ucrânia, a visita dos negociadores dos EUA a Moscou e Kiev causou reações críticas no parlamento do país. A deputada da Verkhovna Rada (parlamento ucraniano) Anna Skorokhod declarou que Steve Witkoff e Jared Kushner apresentaram a Kiev, no domingo, uma série de condições para alcançar a paz que se revelaram “piores” do que as propostas anteriormente feitas à Ucrânia.
“Não só não houve progresso, como as condições apresentadas foram ainda piores do que as anteriores”, declarou a parlamentar em entrevista ao jornalista ucraniano Vitali Diki.
De acordo com ela, anteriormente não havia exigências quanto a alterações na Constituição e ao reconhecimento de territórios, enquanto agora esses pontos estão entre as demandas apresentadas. A deputada acrescentou que há outras nuances que prefere não revelar, por ter obtido a informação por canais não oficiais.
Após a reunião em Kiev, Witkoff declarou, na última segunda-feira (7), que houve “progressos substanciais” nas negociações com a Rússia e a Ucrânia para pôr fim ao conflito.
