A porta-voz da Chancelaria da Rússia, Maria Zakharova, afirmou, nesta quinta-feira (27), que o país poderia realizar ataques contra alvos do Reino Unido “na Ucrânia e fora dela”.
A afirmação vem em resposta à promessa que o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, fez ao presidente ucraniano, Volodymyr Zelenski, na última segunda-feira (24), dizendo que poderia permitir a Kiev o acesso a tecnologia confidencial para a produção de mísseis de longo alcance.
“A resposta aos ataques ucranianos com armas britânicas contra o território russo pode alcançar qualquer objetivo militar com equipamento britânico na Ucrânia e fora dela”, rebateu Zakharova.
Ainda segundo a porta-voz russa, Londres estaria “brincando com fogo”, alertando que os culpados pelos “crimes de guerra” cometidos contra o seu país “serão castigados de modo proporcional”.
“Propomos aos dirigentes britânicos, mais uma vez, analisar cuidadosamente a situação e renunciar imediatamente, da maneira mais decidida e inequívoca, à linha hostil e agressiva, que somente pode prolongar a agonia do regime neonazista de Kiev e criar riscos de transportar o conflito a um novo patamar”, disse.
A promessa de ajuda militar foi feita por Burnham durante visita oficial a Kiev para celebração do dia da independência ucraniana. Ela consiste em fornecer os esquemas de engenharia para construção de uma versão ucraniana dos Storm Shadow, mísseis com alcance de mais de 250 quilômetros.
A obtenção da tecnologia elevaria a capacidade ofensiva de Kiev, possibilitando ataques a infraestruturas mais estratégicas em território russo. No entanto, o reforço, que chega em um momento complexo da guerra para a Ucrânia, só estaria apto para uso no próximo ano.
Novos ataques
As tensões envolvendo Moscou, Kiev e Londres vêm em um momento de escalada nas ofensivas. Na madrugada desta quinta-feira, uma nova onda de ataques com mísseis e drones partindo da Rússia atingiu a capital e outras cidades ucranianas.
Segundo a Força Aérea da Ucrânia, a ofensiva utilizou dois mísseis de cruzeiro e 258 drones, dos quais quase 90% foram derrubados.
Já de acordo com o Ministério da Defesa da Rússia, os alvos envolveram instalações da indústria militar ucraniana, refinaria de petróleo, metalúrgicas, portos e outros centros logísticos.
CIA em Moscou: ‘Nada incomum’
Em meio à escalada bélica, o diretor da CIA, John Ratcliffe, fez uma visita a Moscou na terça-feira (25). O chefe da inteligência dos EUA se reuniu com seu homólogo russo, Sergei Naryshkin, diretor do Serviço de Inteligência Estrangeiro (SVR) da Rússia.
Segundo Naryshkin, foi uma “reunião de trabalho” que faz parte das funções de ambos os cargos. “Não houve nada de incomum”, afirmou.
A importância da reunião já havia sido diminuída por Donald Trump, quando disse que, apesar de querer “o fim da guerra” na Ucrânia, o encontro “foi de semi-rotina”.
Segundo o jornal estadunidense Wall Street Journal e a emissora CBS, um dos objetivos de Ratcliffe em Moscou seria dissuadir a Rússia de atacar algum país membro da Otan.
O Kremlin, por sua vez, não comentou os pontos discutidos e confirma que a reunião foi rotineira.
