Guerra de narrativas

Rússia reage a acusações da Alemanha sobre incidente em Leipzig: entenda a tensão diplomática

Berlim acusou oficialmente Moscou de envolvimento em incidente com drones em aeroporto; Kremlin rechaça alegações

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Imagem do prédio do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, em Moscou
Prédio do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, em Moscou | Crédito: Divulgação

O encarregado de negócios da Alemanha em Moscou, Bernd Finke, foi convocado ao Ministério das Relações Exteriores da Rússia nesta terça-feira (2) para consultas, em meio à crescente tensão diplomática entre os dois países.

“Em 2 de setembro, Bernd Finke, encarregado de negócios em Moscou, foi convocado ao Ministério das Relações Exteriores da Rússia em decorrência das ações e declarações anti-Rússia proferidas no dia anterior pelas autoridades alemãs”, diz o comunicado do ministério.

A convocação acontece no contexto das acusações da Alemanha contra a Rússia sobre uma suposta tentativa de sabotagem no incidente envolvendo drones carregados no aeroporto de Leipzig/Halle, encontrados há cerca de um mês. No total, foram três incidentes envolvendo drones no mesmo aeroporto durante o mês de agosto. Autoridades alemãs e a mídia europeia alegaram envolvimento da Rússia nos incidentes, que, por sua vez, nega as acusações.

O governo alemão responsabilizou oficialmente a Rússia pelo incidente nesta terça-feira (2) e anunciou medidas de retaliação. O chanceler alemão, Friedrich Merz, anunciou a preparação de uma resposta conjunta ao incidente com a União Europeia e a Otan. Em 1º de setembro, o governo alemão, seguido por países da UE.

Especificamente, foi anunciada a decisão de fechar o Consulado Geral da Rússia em Bonn em 18 de setembro. Outras medidas incluíram a denúncia do acordo sobre as atividades da Casa Russa em Berlim e controles de entrada mais rigorosos para cidadãos russos.

O Ministro do Interior alemão, Alexander Dobrindt, alegou na última terça-feira (1º) que a tentativa de sabotagem no Aeroporto de Leipzig faria parte da “guerra híbrida da Rússia contra os aliados europeus da Ucrânia”.

Segundo Dobrindt, o governo alemão concluiu o envolvimento da Rússia após examinar a tecnologia usada na tentativa de sabotagem e outras informações, incluindo dados de inteligência.

Por outro lado, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia admitiu nesta terça-feira (2) a possibilidade de fechar o Consulado-Geral da Alemanha em São Petersburgo. A informação foi anunciada pelo vice-chanceler, Alexander Grushko, à margem do Fórum Econômico Oriental em Vladivostok.

Kremlin considera acusações ‘infundadas’ e alerta para risco de escalada

O porta-voz da presidência russa, Dmitry Peskov, ao comentar as acusações da Alemanha contra a Rússia após o incidente em Leipzig, afirmou que as alegações são infundadas e levarão a uma escalada ainda maior das tensões.

“É difícil comentar isso, porque, se acusações tão graves são feitas, elas precisam ser sustentadas por algo. Se não me engano, nenhum argumento foi apresentado”, enfatizou o porta-voz do Kremlin. Ele acrescentou ainda que a Alemanha continua tensionando as relações entre os dois países.

Já a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, declarou que as ações do governo alemão estão “literalmente destruindo tudo de positivo que se acumulou nas relações com a Rússia ao longo de décadas”.

Zelensky ameaça ‘fechar’ espaço aéreo russo

Paralelamente à crise diplomática entre Moscou e Berlim, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, declarou a sua intenção de “fechar os céus” sobre a Rússia e paralisar o tráfego aéreo civil dentro do país.

Em pronunciamento, ele alertou que o espaço aéreo russo estava “se tornando inseguro” porque “drones aparecerão no espaço aéreo russo de uma forma que terá que ser levada em consideração”.

Ao comentar as declarações de Zelensky, o presidente russo, Vladimir Putin, afirmou em uma coletiva de imprensa em 1º de setembro que tais ameaças representam “uma declaração de terrorismo de Estado”. Ele classificou as palavras do líder ucraniano como “um ato de desespero”.

O chefe do Ministério dos Transportes da Rússia declarou que as autoridades de aviação russas não permitiriam “interrupções significativas” nas operações da aviação civil.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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