A cidade do Rio tem sete linhas circulando exclusivamente com a bilhetagem eletrônica municipal Jaé. O levantamento do Fórum de Mobilidade Urbana do Rio de Janeiro identificou a ausência nos veículos da nova frota em Campo Grande, em novas linhas implantadas pelo novo Sistema RIO na zona oeste da cidade.
O validador do Riocard é indispensável para que os usuários cadastrados no Bilhete Único Intermunicipal (BUI) acessem o benefício tarifário. Em nota, a Secretaria de Estado de Transporte e Mobilidade Urbana (Setram) afirmou que está em tratativas com a Prefeitura do Rio para a implementação dos validadores nos novos ônibus incorporados à frota.
O coordenador do Fórum e especialista em mobilidade urbana Licinio M. Rogério aponta o aumento de custo para o passageiro. Sem o equipamento nos veículos, passageiros ficam impedidos de fazer a integração dos ônibus municipais com trens ou metrô. O valor que seria de R$ 9,40 no total passa a ser descontado individualmente. A diferença chega a mais de R$ 3 por trajeto com os valores cheios de cada modal.
Além disso, a questão dos validadores do município e do estado expõe disputas sobre o sistema de bilhetagem no transporte público do Rio de Janeiro. Ele destaca a necessidade de uma autoridade metropolitana de mobilidade para unificar o sistema, o que também não está previsto no recém-criado Sistema Estadual de Bilhetagem Eletrônica.
Licinio defende um sistema único que permita o uso de todos os cartões e acabe com a disputa entre o estado e municípios. No cenário atual, cada esfera faz do seu próprio jeito e complica a vida dos passageiros.
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“Não tem que ter um cartão para cada transporte, isso só atrapalha as pessoas. É um debate mais amplo que precisa ser feito. O validador deveria aceitar qualquer cartão, sem a exigência de um específico da prefeitura. Quando você vai a uma loja, perguntam: é crédito ou débito? Ninguém quer saber a bandeira do seu cartão. Por que no ônibus tem que aceitar a sua bandeira? Isso está errado”, exemplifica o membro do Conselho Municipal de Transportes.
O Fórum de Mobilidade Urbana atua desde 2011 e foi criado pela Federação das Associações de Moradores do Município do Rio de Janeiro em conjunto com o Clube de Engenharia.
Fora da lei
A ausência do validador também descumpre a lei estadual que instituiu o Bilhete Único no sistema de transporte intermunicipal (nº 5628/2009). O texto assegura o direito ao benefício tarifário em linhas da Região Metropolitana em todos os modais, inclusive “ônibus convencionais de empresas com concessão ou permissão de linhas municipais”.
Têm direito ao benefício moradores do estado do Rio com renda mensal declarada inferior a R$ 3.205,20. Quem está habilitado no BUI também paga R$ 5 na tarifa social do metrô, do trem e das barcas.
Procurada pelo Brasil de Fato, a Prodata Mais Mobi (Riocard) informou que não tem conhecimento do motivo pelo qual novas empresas de ônibus da capital estão operando sem validadores. “A empresa se coloca à disposição e informa que mantém os equipamentos para pronta-entrega para atender às necessidades dos operadores”, afirmou.

Empresas de ônibus que arremataram a nova licitação, por sua vez, alegam que o custo da implementação não estava previsto no edital da prefeitura carioca. O novo modelo de concessão prevê remuneração das concessionárias por quilômetro rodado com subsídio público e avaliação do serviço por meio do Índice de Desempenho de Transporte (IDT).
Além da integração intermunicipal, o BUI inclui benefícios como o Vale Educação, que é a gratuidade dos alunos da rede estadual do ensino fundamental e médio para o trajeto casa-escola-casa.
O Sistema RIO em Campo Grande ganhou 54 novos ônibus na última semana. A entrega se soma a 115 veículos em Santa Cruz, marcando o início da nova operação na zona oeste em agosto. Os veículos são equipados com ar-condicionado, tomadas USB, painéis eletrônicos e sistemas de segurança.
A Secretaria Municipal de Transportes do Rio (SMTR) não retornou as tentativas de contato da reportagem sobre a ausência dos validadores nos novos ônibus.
Confira as linhas circulando sem bilhetagem estadual:
821 | Campo Grande – Corcundinha (circular)
822 | Campo Grande – Corcundinha (circular)
869 | Campo Grande – Santa Margarida (circular)
893 | Jardim Palmares – Campo Grande
808 | Sagrado Coração – Campo Grande
841 | Vilar Carioca – Campo Grande
833 | Conjunto Manguariba – Campo Grande
