A Cidade é Nossa

O Movimento de Trabalhadoras e Trabalhadores por Direitos (MTD) é uma organização popular nacional que constrói a luta nas periferias das cidades grandes e médias do Brasil, promovendo a auto-organização da classe trabalhadora a partir de seus territórios de moradia: bairros, favelas e ocupações. O movimento atua na educação popular e construção da luta por direitos, com destaque para: direito à moradia, combate a todo tipo de violência contra as mulheres e ao racismo, direito ao trabalho, soberania alimentar, cultura e saúde. O MTD escreve mensalmente para o Brasil de Fato, na coluna “A Cidade é Nossa”.

Uma mensagem de esperança neste Natal: a Venezuela resiste!

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Apoiadores do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, agitam uma bandeira venezuelana durante um ato em defesa da paz em Caracas
Apoiadores do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, agitam uma bandeira venezuelana durante um ato em defesa da paz em Caracas | Crédito: Juan Barreto / AFP

Ano após ano, as desculpas mudam, mas a rotina de agressões imperialistas é muito anterior ao atual cerco.

* Por Wallace Oliveira

25 de dezembro. Enquanto parte significativa da humanidade celebra o Natal, desejando “paz às pessoas de boa vontade”, o povo venezuelano ainda não respira a paz. Submetido a um cerco militar que dura meses, o país já teve navios petroleiros roubados pelos Estados Unidos. Nos mares do Caribe, embarcações de civis foram bombardeadas e mais de 100 pessoas assassinadas por tropas ianques em execuções extrajudiciais, com a desculpa de combate ao narcotráfico. Honestamente, quem acredita nisto?

Ano após ano, as desculpas mudam, mas a rotina de agressões imperialistas é muito anterior ao atual cerco. Desde o início de seu governo, o presidente Maduro já enfrentou mais de uma dezena de tentativas de golpe de Estado. Há décadas, o país sofre sanções econômicas impostas por Washington, que impedem a realização de operações em dólar e retêm pagamentos bancários. Na vida do venezuelano comum, as consequências diretas são a carestia, a falta de bens essenciais e a insegurança.

A guerra imperialista dos dias atuais não tem pudor. A mídia burguesa ocidental costuma recordar, em tom emotivo, a Trégua de Natal de 1914, na Primeira Guerra Mundial. Segundo relatos, soldados alemães e britânicos teriam cessado os combates para trocar saudações natalinas e, em alguns casos, até presentes com os inimigos. 

Hoje em dia, o imperialismo suspende a pausa milenar do Natal para dar seguimento à guerra. Em Belém da Cisjordânia, as celebrações foram canceladas em 2023 e 2024, pois Israel não aceitou interromper o genocídio contra o povo palestino. Na cidade onde, segundo a tradição cristã, nasceu Jesus, os sionistas e seus apoiadores cristãos preferiram a figura de Herodes, o rei judeu que teria mandado matar todas as crianças com menos de dois anos de idade.

Na Venezuela, os EUA mantêm o bloqueio aéreo e naval com dezenas de porta-aviões, caças de última geração, lançadores de mísseis, submarinos nucleares e milhares de soldados, promovendo o terror contra a população. Uma sabotagem cibernética coloca em risco a aviação e outras áreas. Tudo isso acontece neste Natal, enquanto países como China, Brasil e Rússia repudiam a agressão estadunidense, em reunião do Conselho de Segurança da ONU, realizada na terça (23). 

Para além das gigantescas reservas de petróleo venezuelano, estão em jogo também a paz e a liberdade de toda a América Latina. Ao tentar depor o governo Maduro pela força, os Estados Unidos querem inaugurar uma nova fase de sujeição, na qual nenhum país da região terá direito a governo próprio, se esse governo não for totalmente subserviente aos interesses dos grandes monopólios sediados na pátria internacional do capitalismo. 

Porém, ao contrário do que previam os Estados Unidos e seus veículos de imprensa espalhados pelo mundo, a ameaça foi capaz de unir ainda mais o povo venezuelano, que se mostra disposto a resistir e defender sua soberania. “Não é a primeira vez em que temos que compartilhar o Natal com a luta da rua, a luta em defesa de nossos direitos, da democracia e da paz”, afirmou o presidente Nicolas Maduro, em celebração do último domingo (21). 

Por ora, então, o imperialismo segue sendo derrotado pelo projeto bolivariano, que incomoda porque ousou armar e empoderar seu povo. E esta, pois, é a nossa mensagem de esperança neste Natal. Que a têmpera dos nossos vizinhos e suas mobilizações nas cidades venezuelanas nos inspire à luta e à unidade nas ruas do Brasil.

Boas festas e um Ano Novo repleto de realizações!

*Wallace Oliveira é militante do MTD em Minas Gerais.

** Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil do Fato.

Editado por: Luís Indriunas

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