* Por Wallace Oliveira
25 de dezembro. Enquanto parte significativa da humanidade celebra o Natal, desejando “paz às pessoas de boa vontade”, o povo venezuelano ainda não respira a paz. Submetido a um cerco militar que dura meses, o país já teve navios petroleiros roubados pelos Estados Unidos. Nos mares do Caribe, embarcações de civis foram bombardeadas e mais de 100 pessoas assassinadas por tropas ianques em execuções extrajudiciais, com a desculpa de combate ao narcotráfico. Honestamente, quem acredita nisto?
Ano após ano, as desculpas mudam, mas a rotina de agressões imperialistas é muito anterior ao atual cerco. Desde o início de seu governo, o presidente Maduro já enfrentou mais de uma dezena de tentativas de golpe de Estado. Há décadas, o país sofre sanções econômicas impostas por Washington, que impedem a realização de operações em dólar e retêm pagamentos bancários. Na vida do venezuelano comum, as consequências diretas são a carestia, a falta de bens essenciais e a insegurança.
A guerra imperialista dos dias atuais não tem pudor. A mídia burguesa ocidental costuma recordar, em tom emotivo, a Trégua de Natal de 1914, na Primeira Guerra Mundial. Segundo relatos, soldados alemães e britânicos teriam cessado os combates para trocar saudações natalinas e, em alguns casos, até presentes com os inimigos.
Hoje em dia, o imperialismo suspende a pausa milenar do Natal para dar seguimento à guerra. Em Belém da Cisjordânia, as celebrações foram canceladas em 2023 e 2024, pois Israel não aceitou interromper o genocídio contra o povo palestino. Na cidade onde, segundo a tradição cristã, nasceu Jesus, os sionistas e seus apoiadores cristãos preferiram a figura de Herodes, o rei judeu que teria mandado matar todas as crianças com menos de dois anos de idade.
Na Venezuela, os EUA mantêm o bloqueio aéreo e naval com dezenas de porta-aviões, caças de última geração, lançadores de mísseis, submarinos nucleares e milhares de soldados, promovendo o terror contra a população. Uma sabotagem cibernética coloca em risco a aviação e outras áreas. Tudo isso acontece neste Natal, enquanto países como China, Brasil e Rússia repudiam a agressão estadunidense, em reunião do Conselho de Segurança da ONU, realizada na terça (23).
Para além das gigantescas reservas de petróleo venezuelano, estão em jogo também a paz e a liberdade de toda a América Latina. Ao tentar depor o governo Maduro pela força, os Estados Unidos querem inaugurar uma nova fase de sujeição, na qual nenhum país da região terá direito a governo próprio, se esse governo não for totalmente subserviente aos interesses dos grandes monopólios sediados na pátria internacional do capitalismo.
Porém, ao contrário do que previam os Estados Unidos e seus veículos de imprensa espalhados pelo mundo, a ameaça foi capaz de unir ainda mais o povo venezuelano, que se mostra disposto a resistir e defender sua soberania. “Não é a primeira vez em que temos que compartilhar o Natal com a luta da rua, a luta em defesa de nossos direitos, da democracia e da paz”, afirmou o presidente Nicolas Maduro, em celebração do último domingo (21).
Por ora, então, o imperialismo segue sendo derrotado pelo projeto bolivariano, que incomoda porque ousou armar e empoderar seu povo. E esta, pois, é a nossa mensagem de esperança neste Natal. Que a têmpera dos nossos vizinhos e suas mobilizações nas cidades venezuelanas nos inspire à luta e à unidade nas ruas do Brasil.
Boas festas e um Ano Novo repleto de realizações!
*Wallace Oliveira é militante do MTD em Minas Gerais.
** Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil do Fato.

