Desta vez o golpe não passou impune. Nossa soberania externa marcou posição forte e a soberania interna avançou: saímos novamente do mapa da fome, embora ainda sejamos a quinta pior nação em distribuição de renda. Aqui também temos avanços, nosso péssimo sistema fiscal melhorou, a inflação está caindo e o desemprego está no menor nível.
O crime tem enfrentamento e obras andam. Já o enfrentamento aos desequilíbrios climáticos ficou aquém do necessário em todo o planeta. Não por acaso os eventos climáticos extremos estão cada vez mais frequentes.
Muitas restrições precisam acabar e um enorme caminho a trilhar nos aguarda.
As forças militares não participaram do golpe, mas há mais de 20 condenados
Como nunca antes no Brasil, desta vez a tentativa de golpe no final de 2022 e no 8 de janeiro de 2023, teve julgamento e seus responsáveis foram adequadamente punidos. As forças armadas não participaram diretamente da tentativa de golpe, porém mais de duas dezenas de militares graduados foram condenados.
Ficou mais claro que o papel dos militares não é o de “poder moderador” (na prática contra democracias sociais), e sim de defesa da segurança, soberania e paz nacionais e combate aos desastres naturais. Neste sentido, entendo que poderiam ter um papel decisivo na preservação e recuperação da Amazônia e dos outros biomas.
É um exemplo histórico para o Brasil e o mundo em favor de nossa democracia.
Mesmo assim, a tentativa de golpe tem continuidade, seja com a anistia parcial (dosimetria) aprovada neste que é pior congresso da história brasileira ou nos ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente ao relator ministro Alexandre de Moraes.
Trump, que se posiciona como líder mundial desta era de nazifascismo, como tem tentado com inúmeras outras nações, também tentou subordinar o Brasil. Teve que recuar diante da liderança do presidente Lula, porém continua tentando subordinar a América Latina como seu quintal. Seu interesse maior é o petróleo da Venezuela e demais países (os EUA consomem um quinto de todo o petróleo produzido no mundo), e minerais críticos como lítio, cobalto, níquel, grafite e terras raras, das quais os EUA são completamente dependentes da China.
O combate ao narcotráfico citado por Trump é desculpa histórica esfarrapada; os EUA são os maiores consumidores de drogas; para combater o tráfico, o melhor que teriam a fazer seria desenvolver políticas públicas eficientes (não apenas repressão) de redução do consumo em seu país.
O Brasil tem soberania internacional reconhecida
O Brasil tem sua soberania internacional reconhecida, ao insistir no multilateralismo, em que cada nação determina seus destinos, com livre negociação com as demais nações e os conflitos são resolvidos pela negociação e não pela guerra.
A soberania interna tem muito por avançar
A soberania interna só se completará quando todos(as) os(as) cidadãos(ãs) tiverem vida digna e sem discriminações. Apesar de todas as limitações indevidamente impostas especialmente pelo Centrão, temos avanços muito relevantes: mais uma vez saímos do mapa da fome e o desemprego é o menor da história recente. Porém, ainda somos a quinta (!!!) pior nação em distribuição de renda, entre 216 nações pesquisadas (a ONU é composta por 193 nações).
Na busca de uma melhor distribuição de renda, também temos avanços:
(i) Nosso péssimo sistema de impostos (quem paga impostos são os pobres) foi simplificado e o Imposto de Renda isentado até os R$ 5.000,00 mensais;
(ii) os crimes, especialmente o tráfico, estão sendo fortemente enfrentados; a operação “carbono oculto”, que demonstrou a amplitude e todas as suas ramificações, especialmente econômicas, é exemplar. Precisa ser levada ao cabo e ser repetida, com a coordenação da Polícia Federal, quantas vezes necessário. As matanças de participantes subalternos ou inocentes, como ocorreram na baixada santista (SP) e no Rio de Janeiro são criminosas e nada de positivo resolvem;
(iii) setores econômicos histórica e excessivamente dominantes, continuam mantendo privilégios (diferentemente dos outros países capitalistas avançados); se implantassem efetivamente o que prega o próprio “capitalismo consciente”, não atrasado, que é o ESG (Environmental, Social and Governance), ou seja, uma produção sustentável ambientalmente e socialmente integrada, já ajudaria muito e seria melhor para todos(as);
(iv) outras medidas relevantes estão na educação (programa pé-de-meia), saúde (agora temos especialistas), redução do preço da CNH, tudo ajuda reduzir a enorme diferença social;
(v) As discriminações raciais, discriminações contra LGBTI+ têm enfrentamentos, porém ainda estão distante de serem satisfatórios.
2025 registrou o pior número brasileiro de feminicídios desde o início do registro, em 2015, recorde já ultrapassado de janeiro a outubro como 5582 registros.
O RS recebeu R$ 112 bilhões federais, entre empréstimos e fundo perdido
O RS, em decorrência de evento de 2024, recebeu R$ 112 bilhões entre empréstimos e dinheiro a fundo perdido da União. Para as obras de saneamento, incluindo proteção contra cheias, foram aproximadamente R$ 7 bilhões. Até agora nenhuma destas obras está concluída. Não falta dinheiro, falta estrutura para a realização das obras de saneamento. Privatizar o saneamento é um equívoco, as metas de universalização para 2033 definidas em lei não serão cumpridas.
Em 2024, ano da maior enchente, graças aos aportes federais, o RS teve um crescimento acima da média nacional. Já, em 2025, está novamente abaixo da média nacional.
Porto Alegre poderia ter evitado, em grande parte, a inundação de maio de 2024 se tivesse feito a manutenção, como é da sua obrigação fazer, do sistema de proteção contra cheias. Até hoje estas obras essenciais não foram completadas.
Vamos falar de futebol?
Mais do que nunca o futebol virou um grande negócio financeiro, desde a Federação Internacional de Futebol (Fifa) até as federações locais. Os jogadores dos times de elite são forçados a acompanhar esta tendência, jogar por amor à camiseta não existe mais. Esta é a realidade para uma pequena parcela dos jogadores, a ampla maioria dos(as) atletas, incluindo o futebol feminino e demais modalidades esportivas, lutam para sobreviver.
Neste contexto teremos a Copa do Mundo de 2026.
A transição energética ficou aquém do necessário
A transição energética e as demais medidas para enfrentar os distúrbios climáticos tiveram a sua situação internacional bem exposta na COP 30. Além de ser a COP da Verdade, inúmeros aspectos paralelos foram relevantes. Destaca-se o lançamento feito pelo presidente Lula do TFFF (Tropical Forest Forever Facility), destinado a recuperar e manter a Amazônia e as demais florestas tropicais do planeta.
O andamento das medidas em 2025 no planeta todo foi insuficiente. Não por acaso os eventos climáticos e suas consequências são cada vez mais frequentes.
É inútil tentar proibir ou exigir a redução da produção de petróleo. O mundo está completamente estruturado no consumo de petróleo; caso deixasse de existir hoje, o planeta pararia. A sua demanda será sempre atendida.
Precisamos evoluir reduzindo a demanda de petróleo e a recuperação do planeta com veículos elétricos, aumento da produção de energias alternativas, eliminação das queimadas, derrubadas e degradações da Amazônia e demais biomas, efetivação do plano ABC (Agricultura de Baixo Carbono) na agricultura e pastoreio e a universalização do saneamento básico.
Feliz 2026, precisamos, os desafios são muitos e essenciais!
* Este é um artigo de opinião. A visão do autor não necessariamente expressa a linha editorial do jornal Brasil de Fato.

